MERCADO FINANCEIRO
Desemprego
São Paulo- O indicador mais aguardado do dia, o relatório do mercado de trabalho norte-americano em outubro, revelou que a taxa de desemprego subiu ao maior nível em 14 anos, mas foi insuficiente para atrapalhar a disposição de compras dos investidores em renda variável. As bolsas fecharam em alta na Ásia, Europa, Estados Unidos e também no Brasil. Alguns dados corporativos agradaram e o fato de os investidores já terem se defendido dos dados ruins de emprego nas últimas sessões, com vendas expressivas de papéis, endossaram a alta de ontem.
Bovespa
A Bovespa terminou a sexta-feira em alta de 0,83%, aos 36.665,11 pontos. Isso foi insuficiente para garantir ganhos na primeira semana de novembro, que acabou registrando perdas de 1,59% (mesmo porcentual do mês, por ser o mesmo período). No ano, o Ibovespa acumula queda de 42,61%. Dow Jones subia 1,83%, o S&P, 1,66%, e o Nasdaq, 1,28%.
Dólar
O dólar, após subir 4,31% nas duas sessões anteriores, terminou em queda de 2,04% no balcão terminou, cotado a R$ 2,156. Na BM&F, o pronto caiu 2,02%, para R$ 2,160, depois de avançar 4,48% em dois dias. No acumulado de novembro, o pronto no balcão apresenta variação zero, mas em 2008 apura alta acumulada de 21,46%. O recuo das cotações ocorreu em meio a um fluxo cambial positivo, a venda de US$ 1 bilhão em contratos de swap cambial pelo Banco Central e um movimento de caça a pechinchas nas bolsas globais.
Estimativa
Em outubro, foram cortadas 240 mil vagas nos Estados Unidos, ante estimativa de 200 mil dos especialistas. Foi o 10º mês seguido de cortes, que, no acumulado do ano, já somam 1,2 milhão de postos. A taxa de desemprego também desagradou, ao subir de 6,1% em setembro para 6,5% em outubro, a mais elevada desde março de 1994. Economistas esperavam alta para 6,3%.
Fundo poço
Nada indica que esse foi o fundo do poço no mercado de trabalho. Segundo o presidente do Federal Reserve Bank de Atlanta, Dennis Lockhart, a taxa de desemprego dos EUA ''vai subir um pouco mais'', uma vez que a economia norte-americana permanecerá ''substancialmente fraca'' no primeiro semestre de 2009 e que os EUA estão em uma ''crise financeira severa''.
Humor
Ontem, no entanto, o dado de estoques serviu para endossar o humor para compras, mostrando que não importa qual seja o dado, mas a disposição do investidor em seguir um rumo. Os estoques no atacado diminuíram 0,1% em setembro nos EUA, o primeiro declínio em 11 meses. Os analistas esperavam alta de 0,4% para o indicador. Isso mostra que, apesar das previsões sobre os efeitos da crise sobre a economia real, na prática o consumo tem conseguido se sustentar.
Petrobras
O mercado, assim, tem operado no curtíssimo prazo, no dia a dia. Na próxima semana, os trabalhos começam com a expectativa do balanço da Petrobras, na terça-feira, para o qual são esperados números fortes. Ontem, as ações da estatal tiveram desempenho firme, ajudando a sustentar os ganhos do Ibovespa. Além do balanço, a alta do petróleo no mercado externo (+0,44%, para US$ 61,04 o barril no contrato para dezembro na Nymex) e também a projeção do diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP), Haroldo Lima, de um volume de reservas entre 50 bilhões e 70 bilhões de barris nas áreas já concedidas do pré-sal na Bacia de Campos (RJ) pesaram a favor. Petrobras ON subiu 1,58% e PN, 1,57%.
Desaceleração
Vale, a outra blue chip do índice, no entanto, fechou em baixa, de 3,09% as ON e 2,02% as PNA. Os cortes de produção de siderúrgicas, a demanda menor esperada com a desaceleração econômica, externa e interna justificam tal desempenho. Nossa Caixa ON teve a segunda maior alta do pregão, ao subir 8%. Fonte ouvida pela Agência Estado informou que o projeto de lei que autoriza o governo paulista a vender a instituição para o Banco do Brasil já está em fase final de conclusão e deverá ser encaminhado em breve para votação na Assembléia Legislativa de São Paulo. Segundo a fonte, o legislativo paulista tem que dar aval para a venda.
Juros
Os juros futuros passaram o dia em queda, estimulada pela recuperação das bolsas e pelo recuo do dólar, mas o volume de contratos foi péssimo e, por isso, nem de longe o comportamento de ontem pode indicar tendência para o mercado. O DI ''mais negociado'', janeiro de 2010, movimentava, às 16 horas de ontem, 93.220 contratos, com taxa de 15,24%, ante 15,47% anteontem. O DI janeiro de 2012 (49.605 contratos) cedia de 16,44% para 16,23%, enquanto o DI janeiro de 2009 4 (47.430 contratos) caía de 13,78% para 13,70%.
Liquidez
Diante de um giro tão fraco, os analistas tiveram dificuldade em fazer avaliações sobre os negócios, já que, nessa situação, as oscilações tendem ser provocadas por operações pontuais, sem base de fundamentos. ''Não dá para dizer muita coisa com a liquidez tão fraca assim, somente que o recuo foi fruto de desarme de algumas posições especulativas'', diz um operador.
Agência Estado





