MERCADO FINANCEIRO
Tombo
O tombo de mais de 3% ontem apagou qualquer vestígio de ganhos na Bovespa no mês, que agora acumula, em novembro, desempenho negativo. A queda de ontem teve inspiração no mercado externo, onde uma onda de vendas se alastrou da Ásia para a Europa, Estados Unidos e levou junto o Ibovespa. Os números fracos da economia real que pipocam pelo mundo e os indícios de que o pior ainda não apareceu justificaram o comportamento do mercado.
Pregão
A Bolsa doméstica terminou o pregão em baixa de 3,77%, aos 36.361,91 pontos, depois de oscilar entre a mínima de 35.387 pontos (-6,35%) e a máxima de 37.786 pontos (estabilidade). Com o resultado de ontem, o índice passou a acumular queda em novembro, de 2,4%. No ano, o desempenho está negativo em 43,08%. A noite, Dow Jones caia 4,85% e a Nasdaq, 4,34%.
Dólar
O dólar no mercado à vista retomou ontem o nível de R$ 2,20, que havia sido deixado para trás em 28 de outubro, por causa do fluxo cambial negativo no mercado interno e de ajustes da cotação à vista à alta externa da moeda americana em meio às fortes quedas das bolsas por todo o mundo e dos preços das commodities. O preço à vista da moeda chegou a subir até R$ 2,220 (4,82%) na máxima à tarde, e fechou com valorização de 3,92%, a R$ 2,2010 no balcão.
Fracos
Na BM&F, o pronto terminou com ganho de 4,08%, a R$ 2,2045, sendo que a máxima foi de R$ 2,208 (4,25%). Segundo um economista, os investidores reagiram ontem aos indicadores ruins da economia real que vêm sendo conhecidos em todo o mundo. ''Os dados já divulgados são fracos e tudo indica que eles ainda devem piorar nos próximos meses'', comentou ao lembrar de alguns que saíram nesta quinta.
Despencou
No Japão, por exemplo, a montadora Toyota, que durante muito tempo foi considerada imune à queda das vendas de automóveis nos EUA, disse que seu lucro despencou quase 70% no último trimestre, para o pior nível pelo menos desde abril de 2002. A produtora chinesa de alumina e alumínio Chalco, bem como a siderúrgica alemã Salzgitter, anunciaram cortes de produção superiores a 30%. No Brasil, o setor automotivo informou que as vendas em outubro foram 11% menores do que em setembro - embora o patamar seja bastante elevado e ainda não se configure uma crise.
Recessão
Com a recessão na esquina, os Bancos Centrais Europeu (BCE) e da Inglaterra (BoE) cortaram suas taxas de juros. Mas enquanto o BCE seguiu o roteiro e reduziu a taxa em 0,50 ponto porcentual, para 3,25% ao ano, o BoE surpreendeu e anunciou 1,5 ponto porcentual de baixa, de 4,5% para 3% ao ano. Após o anúncio do BoE, as bolsas européias tiveram uma reação favorável, mas o fôlego não durou e os índices fecharam com quedas firmes: FTSE-100, -5,7%, CAC, -6,38%, e Frankfurt, -6,84%.
Munição
Na releitura, os investidores interpretaram os cortes como sinal de que as condições da economia da região são piores do que se esperava. E a explicação, segundo Simon Ward, economista da New Star Asset Management, é a de que, embora uma ação drástica se justifique, ''há risco de a munição acabar muito rapidamente''. Isso vale principalmente para o corte agressivo do BoE.
Preocupação
Em Wall Street, os índices registravam quedas elevadas, refletindo a preocupação dos investidores após uma nova rodada de fracos indicadores: aumento no número de trabalhadores beneficiados pelo seguro-desemprego e declínio nas vendas de grande parte das empresas varejistas nos EUA. ''O próximo passo para os mercados é determinar a duração e a profundidade da crise econômica. Os dados não precisam melhorar para provocar um rali, precisam apenas parar de piorar'', disse Tony Crescenzi, estrategista de mercado de bônus do Miller Tabak & Co.
Juros
Os juros futuros engataram trajetória de alta a partir do meio da tarde de ontem, acompanhando a aceleração do dólar e das perdas das Bolsas nos EUA. O movimento perdeu um pouco de força no fechamento dos negócios, sobretudo nos vencimentos longos.O DI janeiro de 2012 projetava leve baixa, a 16,45%, de 16,46% ontem, com 26.145 contratos. O DI janeiro de 2010 (106.335 contratos) subia de 15,37% para 15,43% e o DI janeiro de 2009 estava perto do nível de ontem (13,72%), a 13,73%.
Minguado
A exemplo das últimas sessões, o volume de negócios continuou minguado. Nem mesmo a divulgação da ata do Comitê de Política Monetária (Copom) foi capaz de estimular a montagem de posições, embora o documento do Banco Central tenha sido conservador o bastante para imaginar que a Selic pode voltar a subir. Mas, como os indicadores de atividade e crédito locais vêm desafiando uma postura mais ortodoxa da autoridade monetária - especialmente após as decisões sobre juros na Europa hoje - o mercado não quis pagar para ver.
Agência Estado





