Bovespa

A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) concluiu os negócios de ontem em forte alta. Investidores voltaram às compras, optando pelos papéis do setor bancário, que voltou ao ''foco'' do mercado após a fusão Itaú-Unibanco, em meio a rumores de novas movimentações entre as instituições financeiras no país. A cena externa também contribuiu para o dia de recuperação: o mercado americano ''ignorou'' as más notícias, animado com a expectativa de um novo ocupante para a Casa Branca.

Ações

O Ibovespa, principal índice de ações da Bolsa paulista, teve alta de 5,24% e atingiu os 40.254 pontos. O giro financeiro foi de R$ 5,48 bilhões.
Entre as ações líderes da Bolsa, a ação preferencial da Petrobras subiu 8,47%, enquanto a ação da Vale teve avanço de 5,47%. Ainda no rol dos papéis preferidos pelos investidores ontem, a ação do Itaú teve alta de 4,83%, enquanto os ativos do Bradesco e do Banco do Brasil valorizaram 3,17% e 15,64%, respectivamente.

Projeções

Corretoras de valores começaram a rever suas projeções para o mercado financeiro, passado o que especialistas consideram o ''auge da crise'' no mês de outubro. Diante da perspectiva de um desaquecimento econômico, as recomendações começaram a preterir papéis de empresas ligadas às commodities (matérias-primas) e indicar ações de empresas voltadas para a economia doméstica.

Queda

Entre as principais notícias do dia, o Departamento de Comércio dos EUA informou que os pedidos industriais caíram 2,5% em setembro. Trata-se a maior queda desde que o índice é publicado em sua forma atual, em 1992.
Por aqui, apesar da crise financeira, a produção industrial do país acelerou 1,7% em setembro frente ao mês anterior, recuperando queda de 1,2% em agosto, informou ontem o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Faturamento

O faturamento da indústria brasileira voltou a crescer em setembro, depois da queda registrada em agosto. A CNI (Confederação Nacional da Indústria) apontou que o faturamento cresceu 10,2% em relação ao mesmo mês do ano passado e 2% entre agosto e setembro (dado dessazonalizado, que não considera fatores específicos do período). Já o IPC-S (Índice de Preços ao Consumidor - Semanal) apontou avanço nas sete capitais pesquisadas pela FGV (Fundação Getúlio Vargas) na quadrissemana encerrada em 31 de outubro.

Tranquilidade

A tranquilidade nos negócios nos Estados Unidos serviu de calço para as operações aqui. No fechamento do mercado doméstico, o índice Dow Jones subia 2,62%, o S&P avançava 3,30% e o Nasdaq, 2,39%. O pleito que elegerá o futuro presidente norte-americano ocorre sem incidentes e os investidores estão calmos, com a certeza de que mais uma novela sairá do caminho. A maioria, no entanto, aposta na vitória do democrata Barack Obama, que seria uma melhor alternativa à crise financeira.


Embalo

No Brasil, o setor financeiro também subiu, ainda embalado pelo anúncio da fusão entre Itaú e Unibanco ontem. Mas hoje os papéis que mais avançaram foram os do Banco do Brasil ON, que ontem não acompanharam os ganhos dos demais. As ações dispararam 15,64% e foram as maiores altas do Ibovespa. Fonte ouvida pela jornalista Adriana Fernandes, em Brasília, informou que a instituição estaria em negociações avançadas para a aquisição da Nossa Caixa, embora as partes ainda não tenham chegado a um acordo sobre o preço.


Itaú

O Itaú divulgou ontem que teve lucro líquido consolidado de R$ 5,931 bilhões de janeiro a setembro, o que representa uma queda de 8% em relação ao resultado nessa mesma base em igual intervalo do ano passado. Apenas no terceiro trimestre deste ano, o Itaú registrou lucro líquido consolidado de R$ 1,848 bilhão.As ações da Petrobras também tiveram desempenho exuberante nesta sessão, acompanhando a disparada do preço do petróleo. Os papéis ON subiram 9,97% e os PN, 8,47%.


Efeito Obama

O mercado de câmbio doméstico operou ''sob efeito Obama'', disse o operador Luiz Pizani, da Liquidez Corretora, para justificar o clima de otimismo que contagiou os investidores e aguçou o apetite por risco enquanto observaram as eleições nos EUA. Para grande parte dos analistas, a passagem da eleição americana representa alívio porque elimina uma das atuais fontes de incerteza do mercado e permite que as atenções se voltem à economia. ''Qualquer que seja o vencedor, irá virar a página para Wall Street e trazer um sentimento de otimismo'', afirmou o estrategista-chefe de investimento do Wells Fargo, James Paulsen, em entrevista à Dow Jones.


Recuo

No fechamento, o dólar à vista recuou 2,63%, a R$ 2,110 na BM&F, e 2,67%, a R$ 2,111 no balcão. O giro financeiro total somou cerca de US$ 3,503 bilhões (US$ 3,167 bilhões em D+2). No mercado de dólar futuro da BM&F, os três vencimentos negociados na sessão regular à tarde projetaram quedas, mas o contrato mais líquido de dezembro08 inverteu o sinal para alta no fim da sessão eletrônica da BM&F. Às 16h18, com um volume transacionado de cerca de US$ 11,95 bilhões, o dólar dezembro08 apontava baixa de 2,95%, a R$ 2,123.

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