Mês difícil
Outubro de 2008 termina sendo o pior mês para as bolsas norte-americanas em dez anos por causa do impacto da crise financeira sobre a economia real e os preços das commodities. Apesar de o Dow Jones ter subido 1,57% hoje e 11,3% na semana, o índice apura desvalorização de 14% em outubro - o pior resultado mensal desde agosto de 1998. Ontem, o setor financeiro, que esteve no olho do furacão da crise desde o pedido de concordata do banco Lehman Brothers em 14 de setembro último, liderou os ganhos em Nova York em meio a dados econômicos negativos, como a queda nos gastos do consumidor nos EUA.


Ceticismo
A valorização recente das ações norte-americanas, porém, é vista com ceticismo, porque a recessão no país já se espalha para a Europa e outros países desenvolvidos, e representa riscos para as economias emergentes. A Bovespa não acompanhou o fechamento positivo em Wall Street e encerrou a sessão em queda, após um movimento de realização de lucros. Na semana, contudo, subiu 18,35%, o que não impediu que outubro registrasse também o pior resultado mensal desde agosto de 98, com baixa de 24,8%. Em 2008, as perdas chegam a 41,68%. O dólar foi pressionado e subiu ante o real, depois de quatro baixas, reagindo à liquidação de posições em derivativos de câmbio da Aracruz, às rolagens de contratos futuros e ao avanço externo da moeda em relação ao euro.



Bolsa
Não foi um mês fácil na Bovespa. Em particular até a última sexta-feira, quando o Ibovespa somava uma queda de 36,45% em outubro, contabilizando perdas de 50,72% no ano. Nesta semana, esses números passaram por um ajuste, com a trégua no noticiário negativo no cenário externo, bem como a recuperação nas principais bolsas internacionais, amparando três altas do índice doméstico em cinco pregões. Isso fez com que o Ibovespa encerrasse a semana com uma alta acumulada de 18,35% a maior variação positiva semanal desde a registrada no dia 18 de setembro de 1998 (+24,29%), conforme a Economática. Tal desempenho reduziu as perdas no mês para 24,80%, mas não impediu que outubro de 2008 tivesse o maior declínio mensal desde agosto de 1998 (-39,55%). No ano, o índice cai 41,68%.

Indicadores
A permanência desta recuperação nos próximos dias dependerá das notícias e indicadores que estão por vir. Na visão do diretor da Finabank, Edison Marcellino, caso não haja algum evento negativo de grandes proporções, o mercado deve se estabilizar. O profissional considera que o clima de pânico já foi dissipado, mas pondera que o desempenho do Ibovespa nos últimos dias não pode ser caracterizado como uma tendência de alta. ''Não temos uma visão de melhora dos fundamentos, principalmente no mercado norte-americano. Vai depender de tempo para ver se o sistema financeiro conseguiu absorver as perdas'', argumenta Marcellino.


Insuficientes
A semana que vem, além de decisões de juros pelo Banco Central Europeu (BCE) e pelo Banco da Inglaterra (BoE), traz o relatório do mercado de trabalho dos EUA. Ontem, as altas em Wall Street não foram suficientes para impedir um movimento de realização de lucros nos negócios locais e garantir o fechamento positivo da Bovespa ontem, que caiu após ganho superior a 27% nas três sessões anteriores. A Bolsa brasileira chegou a registrar alta com a ampliação dos avanços em Nova York, mas quando os índices acionários norte-americanos perderam o fôlego e desaceleraram a valorização, o Ibovespa passou a mostrar oscilação e, conforme os pregões nos Estados Unidos afastavam-se das máximas do dia, o índice local firmava-se em território negativo.

Elevação

Em Wall Street, o índice Dow Jones registrou elevação de 1,57%, aos 9.325,01 pontos - na máxima chegou a 9.454,36 pontos (+2,98%). Na semana, acumulou ganho de 11,3% - melhor semana desde outubro de 1974. Mas no mês caiu 14%% - o pior desempenho desde agosto de 1998. O S&P-500 subiu 1,54%, aos 968,75 pontos hoje, contabilizando elevação de 10,5% na semana (a melhor desde outubro de 1974), mas perda de 16,9% no mês - a maior variação negativa mensal desde outubro de 1987. O Nasdaq Composite aumentou 1,32%, aos 1.720,95 pontos nesta sexta-feira, acumulando ganho de 10,88% na semana, mas perda de 17,35% no mês.

Câmbio
Após cair 9,6% nas quatro sessões anteriores, o dólar no mercado à vista subiu neste último dia útil de outubro e fechou o mês cotado a R$ 2,158 (2,57%) na BM&F e a R$ 2,156 (2,52%) no balcão. Apesar do forte recuo das cotações na semana, a moeda norte-americana apurou valorização de 13,34% em outubro - maior ganho mensal do dólar desde a alta de 68,90% registrada no mês de fevereiro de 1999, decorrente do processo de desvalorização do real iniciado no dia 13 de janeiro daquele ano. Em 2008 até o momento, o salto do dólar à vista é de 21,4%.

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