MERCADO FINANCEIRO
Bovespa
As principais bolsas européias dispararam ontem, fechando em forte alta no dia seguinte à espetacular recuperação de Wall Street e horas antes de um provável corte das taxas de juros do Fed (Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos). Na Bolsa de Paris, o índice CAC 40 ganhou 9,23% a 3.402,57 pontos. A Bolsa de Londres teve alta de 8,05% a 4.242,54 pontos. A Bovespa reduziu a alta após o Federal Reserve confirmar a expectativa da maioria dos analistas e reduzir a taxa dos Fed Funds em 0,50 ponto porcentual, para 1% ao ano. De modo geral, as operações domésticas acompanharam a reação dos índices acionários norte-americanos, que abandonaram a alta, passaram a registrar queda, mas com muita oscilação.
Oscilação
Em Wall Street, as bolsas mostravam bastante oscilação e o Dow Jones cedia a 0,62%, a 9.009,12; o S&P-500 caía 0,58%, aos 935,06 pontos; e o Nasdaq subia 0,03%, a 1.649,90 pontos. No mercado cambial doméstico, que já estava quase fechando, o impacto foi marginal - a cotação passou de R$ 2,142 (-1,97%) para 2,140 (-2,06) - mesma cotação do fechamento. O mercado de juros futuros encontrava-se fechado, para posterior reabertura às 16h45
Fed
O Fed cortou a taxa de juro dos Fed Funds 0,50 ponto porcentual para 1%, o nível mais baixo desde entre junho de 2003 e junho de 2004. Os Fed Funds são os títulos que lastreiam os empréstimos interbancários no overnight. As autoridades do Fed, em seu comunicado, deixaram a porta aberta para cortes adicionais, a níveis não vistos em meio século, colocando as taxas no rumo antes inimaginável do juro zero.
Unanimidade
O comitê de mercado aberto do Fed votou por unanimidade pela redução do juro. O Fed também reduziu a taxa de redesconto, que cobra nos empréstimos diretos aos bancos, 0,5 ponto para 1,25%. ''O ritmo da atividade econômica parece ter desacelerado marcadamente, devido de forma importante a um declínio nos gastos do consumidor'', diz o comunicado, enquanto a crise financeira adicionar limitações aos gastos, acrescenta.
Câmbio
A saída bilionária de recursos dos países emergentes registrada recentemente está provocando fortes movimentos no mercado de câmbio internacional. À medida que os investidores deixam os ativos mais arriscados em busca de proteção, as moedas dos países desenvolvidos atingem marcas significativas. O euro se desvaloriza frente ao dólar e, por volta de US$ 1,25, anota sua menor cotação em dois anos. Na última sexta-feira, o iene bateu a máxima de 13 anos contra o dólar, a 92,75 unidades.
Abalada
O comportamento levou à divulgação de um comunicado de alerta do G7, diante dos riscos que a valorização da moeda representa para a já abalada economia japonesa. ''Hoje há pânico nos mercados e os investidores estão saindo dos emergentes, o que fortalece o dólar'', afirmou Henry Stipp, estrategista do Threadneedle Investments. Para o estrategista David Woo, do Barclays Capital, a retirada de capital dos países em desenvolvimento tem sido o principal condutor do enfraquecimento do euro desde julho.
Commodities
Especialistas apontam outros dois fatores contribuindo para a escalada da moeda norte-americana em relação à divisa européia, mesmo em meio à crise financeira. Um é a deterioração do cenário econômico na Europa, que vai entrando em recessão. O outro é a mudança do comportamento das commodities, agora em queda devido à perspectiva de retração na demanda em um ambiente de atividade enfraquecida.
Dramático
Na segunda-feira, ao cair abaixo dos 30 mil pontos o Ibovespa voltou ao nível de três anos atrás, quando o boom dos IPOs estava ganhando corpo. Isso significa dizer que o mercado nacional anulou toda a valorização construída ao longo da onda de aberturas de capital em apenas um mês. O movimento se estende ao mercado de títulos. Conforme o Deutsche, desde a última semana de agosto os fundos de dívidas emergentes já viram uma saída de US$ 9,5 bilhões, um comportamento considerado ''dramático'' pelos especialistas.
Espaço
Os analistas do Citigroup levantam uma pergunta de um trilhão de dólares: até onde pode ir o processo de retorno dos recursos para os Estados Unidos? Levantamento do banco mostra que os americanos aplicaram cerca de US$ 1 trilhão em ações e títulos estrangeiros entre 2003 e 2008. Entre julho e agosto deste ano, voltaram ''apenas'' US$ 60 bilhões. Por isso, os especialistas do Citi vêem um ''espaço significativo'' para a continuidade do movimento.
China
A China reduziu em 0,27 ponto porcentual as taxas para empréstimo e depósitos em yuan de um ano. A taxa para empréstimo foi reduzida de 6,93% para 6,66% e a de depósito passou de 3,87% para 3,60% ao ano. A taxa para depósitos de três anos foi reduzida em 0,36 ponto porcentual e a de cinco anos caiu em 0,45 ponto porcentual. Os cortes valem a partir de hoje. Esta é a terceira vez que a China reduz sua taxa de referência para empréstimos desde setembro. O corte da taxa de depósitos, por sua vez, é o segundo neste mês.





