MERCADO FINANCEIRO
Pressão
São Paulo- ''Aumenta a pressão sobre economias emergentes.'' A frase, contida em um e-mail enviado na sexta-feira por uma instituição financeira a seus clientes, já antecipava o cenário para mercados como o do Brasil. E a reação da Bovespa hoje (27) ratificou esse sinal, uma vez mostrou perdas mais fortes em relação a Wall Street. O Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) caiu 6,50%, aos 29.435,11 pontos, o menor nível desde 28 de outubro de 2005.
Dólar
O dólar, no entanto, descolou-se da instabilidade das bolsas. Com dois leilões do Banco Central (BC), nos quais foram vendidos cerca de US$ 2,064 bilhões por meio de swap cambial e de venda com recompra, o dólar spot fechou em baixa de 3,57%, a R$ 2,244 na BM&F e no balcão. O BC ainda divulgou, logo cedo ontem, mais uma medida para ampliar a liquidez reduzindo o recolhimento do empréstimo compulsório pelos bancos. O dólar novembro fechou em queda de 2,17%, a R$ 2,2570.
Copom
O recuo do dólar ajudou os juros futuros a recuarem. As apostas de que o Comitê de Política Monetária (Copom) deverá manter estável os juros básicos, ontem em 13,75% ao ano, na quarta-feira, também impuseram baixa forte aos contratos de curtíssimo prazo. O DI janeiro de 2009 encerrou em 14,05%, ante 14,44% na sexta-feira; O DI janeiro de 2010 recuou de 17,02% para 16,47%; e o DI janeiro de 2012 caiu de 18,00% para 17,79%.
Apostas
As apostas de que o Copom deverá manter estável a Selic em 13,75% nesta quarta-feira impuseram baixa forte aos contratos de curtíssimo prazo, que tiveram o volume de negócios ligeiramente melhor do que os longos. O DI janeiro de 2009 (145.300 contratos) encerrou em 14,05%, ante 14,44% na sexta-feira. O DI janeiro de 2010 (60.285 contratos) recuou de 17,02% para 16,47%, e o DI janeiro de 2012 (14.705 contratos) caiu de 18,00% para 17,79%. A moeda americana cedeu 3,57%, para R$ 2,2440, no balcão.
Emergentes
Mas no mercado acionário, a ausência de players estrangeiros e da retração dos investidores locais, bem como o afastamento de especuladores em razão da falta de expectativa para o curto prazo, a Bovespa encerrou com volume pequeno, de apenas R$ 3,244 bilhões - o menor desde 1º de setembro, quando o feriado do Dia do Trabalho nos EUA reduziu o giro no pregão brasileiro para apenas R$ 1,998 bilhão.
Cenário
Na sexta-feira, um e-mail de uma instituição financeira enviado a clientes já antecipava o cenário ruim para os mercados emergentes. O texto dentro do e-mail chamava para slides no relatório em anexo que mostravam a deterioração do indicador de risco País calculado pelo banco JP Morgan Chase (o EMBI) de algumas economias, como Brasil, México e Chile.Segundo um economista-chefe de um banco de investimentos no Brasil, não se pode creditar o movimento de um dia bolsa a essa leitura, mas o pano de fundo é realmente o entendimento, por um número cada vez, maior de participantes do mercado de que ocorrerá uma revisão sobre o ritmo de crescimento das economias emergentes.
FMI
O noticiário e o comportamento desde cedo nas principais praças financeiras internacionais certamente não ajudaram a justificar uma melhora. No final de semana, o Fundo Monetário Internacional (FMI) anunciou acordos de ajuda financeira com a Ucrânia e a Hungria, na esteira da Islândia na sexta-feira. Na madrugada de ontem, a Coréia do Sul anunciou o maior corte de juro de sua história, de 0,75 ponto porcentual, para 2,5%; e o Kuwait deu início a um programa para ajudar os bancos, depois de ser obrigado a garantir os depósitos da segunda maior instituição do país.
Dia ruim
O dia amanheceu bastante ruim, com a Ásia novamente ladeira abaixo, movimento posteriormente acompanhado pela Europa. Logo cedo, o G7 alertou aos riscos da apreciação do iene, que ajudou a derrubar as ações na Bolsa de Tóquio. O Nikkei terminou na mínima em 26 anos depois de cair mais de 6%. A Bolsa de Hong Kong fechou em queda superior a 12%. Na Europa, a jornada também foi negativa: o londrino FTSE-100 caiu 0,79% e o parisiense CAC-40 cedeu 3,96%. Em Frankfurt, contudo, o DAX encerrou a sessão com valorização de 0,91%.
Volatilidade
Nos EUA, a semana começou com volatilidade nas bolsas norte-americanas, que oscilaram entre os territórios positivo e negativo ao longo do dia. No noticiário, a inesperada elevação nas vendas de imóveis novos nos EUA em setembro: após cair ao menor nível em 17 anos em agosto, as vendas subiram 2,7%, para 464 mil unidades, surpreendendo os economistas que esperavam 455 mil unidades vendidas em setembro.
Commodities
A recuperação do petróleo, inclusive, foi o que ajudou a aliviar as perdas na Bovespa na parte da tarde, uma vez que amenizou o declínio das ações da Petrobras - um dos fatores que pressionaram o índice local em baixa, tendo em vista a participação significativa dos papéis na carteira do Ibovespa. Mas o respiro da commodity não durou, bem como o seu efeito benigno sobre o mercado brasileiro.
Agência Estado





