MERCADO FINANCEIRO
Crash
São Paulo - No dia de aniversário de 79 anos do crash da Bolsa de Valores dos EUA, que marcou o início da Grande Depressão, o mercado financeiro mundial teve ontem mais uma sessão marcada pelo pessimismo sobre o futuro da economia global. O temor em relação aos efeitos de uma recessão mundial cresceu após o anúncio de que o PIB britânico teve contração de 0,5% no terceiro trimestre, a primeira desde o segundo trimestre de 1992 e o maior declínio desde o quarto trimestre de 1990. Houve alertas negativos de empresas e corrida de investidores para os Treasuries e moedas consideradas mais seguras, com destaque para o iene e o dólar.
Despenca
As bolsas voltaram a apurar fortes perdas na Ásia, Europa, EUA e também no Brasil. Em Nova York, as quedas foram de mais de 3%. A Bovespa despencou 6,91%, para a menor pontuação desde novembro de 2005, aos 31.481,55 pontos. Com esse resultado, o índice da bolsa paulista teve desvalorização superior a 13% só esta semana, e de mais de 50% em 2008. Além da pressão derivada do exterior, os juros futuros retomaram o terreno de alta, amparados por temores com o setor financeiro, em meio a continuidade de rumores de zeragem compulsória de instituições na BM&F. O dólar à vista também não suportou a deterioração do ambiente externo e voltou a subir, a despeito dos quatro leilões do Banco Central.
Azedou
A Bovespa voltou a ser fortemente afetada ontem pela significativa deterioração dos mercados financeiros globais, em meio a uma nova onda de apreensão com o rumo da economia mundial. O crescimento negativo do PIB do Reino Unido na parte da manhã azedou o humor dos investidores, o que se refletiu nas praças financeiras européias e norte-americanas, já minadas pelas quedas expressivas nas bolsas asiáticas. Diante do forte processo de desmonte de posições ao redor do mundo, as ações brasileiras não escaparam das vendas.
Domésticos
À tarde, os índices acionários em Nova York chegaram a diminuir as perdas, o que ajudou a evitar nova suspensão nos negócios domésticos por causa de circuit breaker, embora o resultado não tenha nada para se comemorar.
Após cair 8,96%, aos 30.788 pontos, na mínima, o Ibovespa encerrou o dia em queda de 6,91%, aos 31.481,55 pontos - o menor patamar desde o fechamento do dia 25 de novembro de 2005 (31.357,55). Na máxima, alcançou 33.809 pontos (-0,03%). O volume financeiro totalizou R$ 4,472 bilhões.Na semana, o Ibovespa acumulou uma perda de 13,50%. No mês, a queda alcança 36,45% e no ano, 50,72%.
Paralisação
Em Wall Street, pela primeira vez em pelo menos cinco anos, os índices futuros de ações tiveram suas operações interrompidas após atingirem o limite diário de queda. A paralisação ocorreu logo cedo, por volta das 8h (de Brasília), com o Nasdaq-100 em baixa de 6,76%, a 1.168,75 pontos e o S&P 500 em queda de 6,56%, para 855,2 pontos. O Dow Jones futuro foi congelado em queda de 6,3%, a 8.224 pontos. No fechamento do dia, no mercado à vista, o Dow registrou queda de 3,59%, aos 8.378,95 pontos; o S&P-500 caiu 3,45%, aos 876,77 pontos; e o Nasdaq cedeu 3,23%, aos 1.552,03 pontos.
Desova de ativos
Mais cedo, especialistas disseram à rede de notícias CNBC que um dos motivos pelos quais as ações não encontram um piso é que os fundos de hedge continuam desovando ativos para fazer caixa e cumprir os pedidos de resgate. ''Centenas, talvez milhares, de grupos de investimento devem afundar este ano diante da intensa pressão de ajuste antes do final de seu trimestre fiscal, em 31 de outubro'', diz a CNBC, conforme a agência Dow Jones. Conforme explicou o estrategista-chefe de um banco estrangeiro no Brasil, a falta de liquidez tem levado investidores a sacarem recursos de fundos para se capitalizarem.
Fuga
Fontes do setor de fundos ouvidos pela agência Dow Jones avaliaram que os resgates de fundos de hedge poderão atingir até US$ 330 bilhões durante os próximos três a seis meses, em meio à fuga dos investidores. Mesmo os gestores com melhor desempenho prevêem saques de até 15% do valor de seus fundos. Muitos outros deverão fechar. De acordo com dados monitorados pela Hedge Fund Research Inc., o setor de fundos de hedge já registrou resgates líquidos de US$ 31 bilhões no terceiro trimestre deste ano. No Brasil, o cenário não é diferente.
Leilões
O Banco Central voltou a fazer quatro leilões no mercado cambial - dois de swap e dois de venda de dólar - e pode ter vendido um total de cerca de US$ 2,717 bilhões, mas desta vez conseguiu limitar apenas parcialmente o avanço do dólar. No fechamento, o pronto exibiu alta de 0,95%, cotado a R$ 2,327 na BM&F e no balcão. O resultado ampliou os ganhos da moeda no balcão para 10,02% na semana, para 22,34% no mês, e para 31,10% no ano. O giro financeiro total à vista encolheu 28%, para cerca de US$ 5,450 bilhões (US$ 5,150 bilhões em D+2).





