MERCADO FINANCEIRO
'Deu saída'
O Banco Central ''deu saída'' para o mercado com o anúncio do programa de venda de US$ 50 bilhões em swap cambial seguido de uma série de leilões, numa ação que levou o dólar a ter forte volatilidade mesclada com alívio. O dólar spot fechou em queda de mais de 3%, a R$ 2,3050, após saltar 12,53% nas três sessões anteriores no balcão e de subir até 6,39% (a R$ 2,532) logo após a abertura. Ao todo, a autoridade fez cinco leilões - dois de swap cambial e três de venda direta - em que teria injetado cerca de US$ 3,077 bilhões no segmento cambial. A queda do dólar no exterior favoreceu ainda o movimento à vista.
Juros
Os juros também tiveram uma reviravolta após a ação do BC e de notícias consideradas positivas, como a realização pelo Tesouro Nacional ontem e hoje de novos leilões simultâneos de compra e de venda de NTN-F. Por isso, após iniciarem fortemente pressionados, os principais vencimentos atingiram as taxas mínimas nos dez minutos finais da sessão regular da BM&F. A Bovespa não teve forças para acompanhar a recuperação final do Dow Jones e S&P500, após uma sessão volátil permeada por preocupações com os resultados corporativos por vir. O índice da bolsa paulista foi pressionado principalmente pelas perdas dos papéis de bancos brasileiros.
Banco Central
O Banco Central atuou no mercado de câmbio ontem mostrando uma agressividade inédita na atual gestão de Henrique Meirelles e que só chegou perto de um outro momento de crise, quando o então presidente da instituição, Gustavo Franco, foi para a mesa de operações do BC vender moeda norte-americana para tentar conter um ataque especulativo contra o real. Na época, o pior não foi evitado. Ontem, o BC conseguiu, pelo menos no curto prazo, estancar a escalada que as cotações do dólar mostravam nas telas da BM&FBovespa e dos bancos.
Em queda
Como tem sido comprovado há meses, a vulnerabilidade do País é muito menor ontem. Mas também, como tem sido mostrado nos últimos pregões, afetado pela crise internacional, o mercado doméstico mostra níveis de insegurança e desconfiança fortes. E o BC tenta impedir que isso se alastre e se transforme em uma crise maior de confiança, que comprometa a saúde do sistema financeiro doméstico. E que venha, efetivamente, a transformar-se num ataque especulativo contra a moeda nacional. O dólar no mercado à vista fechou em queda a R$ 2,3050 na BM&F (-3,13%) e no balcão (-3,15%), após saltar 12,53% nas três sessões anteriores no balcão e de subir até 6,39% (R$ 2,532) logo após a abertura.
Cotações
As cotações do pronto devolveram os ganhos intraday e passaram a cair até bater na mínima de R$ 2,250 (-5,46%) no balcão, em reação ao anúncio pelo Banco Central de um programa de venda de swap cambial de até US$ 50 bilhões, que foi seguido de uma série de leilões. Ao todo, a autoridade monetária fez cinco operações em que teria injetado cerca de US$ 3,077 bilhões no mercado, sendo duas operações de venda de swap cambial num total de US$ 2,227 bilhões, e três leilões de venda direta, com negociação estimada por um operador de cerca de US$ 850 milhões. Na mínima intraday, o pronto no balcão caiu 5,46%, a R$ 2,250.
Alívio
No mercado externo à tarde, o dólar operou em baixa em relação ao euro e o iene e isso também favoreceu em parte o alívio nas cotações à vista, avaliou um profissional. Às 18h44 de ontem, o euro subia a US$ 1,2920, de US$ 1,2767 anteontem; e o dólar caía ante o iene, cotado a 97,27 ienes por dólar, de 96,89 anteontem. A brusca oscilação de 12,53% do dólar à vista na sessão combinada com a injeção de liquidez do BC criaram oportunidades de negócios, especialmente as operações de giro intraday, transações com liquidação pela ptax, casados de dólar pronto com futuro e operações com outros derivativos cambiais.
Demanda
Com a forte demanda por dólar à vista e operações com derivativos, o diferencial de taxa nas operações de casado, por exemplo, diminuiu e a cotação considerada de spot nessas transações elevou-se. Por exemplo, na abertura o diferencial era de 7,30 pontos-base (considerando compra de dólar futuro novembro a R$ 2,30 e venda de pronto a R$ 2,2930), enquanto no fechamento esse diferencial recuou para 5,00 pontos-base(considerando-se compra de dólar novembro a R$ 2,30 e venda de spot a R$ 2,2950), informou um operador. No fim da sessão, o giro financeiro total à vista disparou, cresceu 148%, para cerca de US$ 7,539 bilhões (US$ 7,052 bilhões em D+2).
Forte ação
Não fosse a forte ação do BC no câmbio ontem, o mercado poderia ter sido pressionado pela continuidade das perdas nas bolsas internacionais e na Bovespa e as notícias domésticas desfavoráveis, disse um profissional. Ele citou, por exemplo, o déficit de US$ 2,769 bilhões na conta corrente do balanço de pagamentos em setembro, valor acima das previsões apuradas pelo AE Projeções, que eram de resultado negativo entre US$ 2 bilhões a US$ 1,19 bilhão. No acumulado do ano, a conta corrente tem saldo negativo de US$ 23,264 bilhões (1,95% do PIB).
Agência Estado





