MERCADO FINANCEIRO
Pregão suspenso
A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) desabou 10,03%, o que acionou o mecanismo do ''circuit breaker'', que interrompe o pregão por meia hora. O temor de uma recessão global e seus reflexos nos balanços corporativos, leva a uma nova jornada de nervosismo extremo nos mercados financeiros. Trata-se da sexta vez que o pregão é interrompido desde o final de setembro. No retorno das operações, o ''circuit breaker'' somente será acionado novamente quando o Ibovespa ficar 15% abaixo da pontuação de fechamento de ontem. Caso essa oscilação ocorra, o pregão será interrompido por uma hora.
Buenos Aires
A Bolsa de Buenos Aires despencava 16,39% (para 875,08 pontos) por volta das 14h50 (horário de Brasília) de ontem. É a primeira vez que o índice Merval fura a barreira psicológica dos mil pontos desde o dia 9 de setembro de 2004. Os bônus argentinos sofrem quedas de até 24% e o risco país medido pelo JP Morgan subia 18% e atingia 1.919 pontos básicos, nível considerado pelo mercado como pré-default. Os operadores explicam que a projeto de lei do governo que estatiza os fundos de pensão e unifica o sistema da previdência nas mãos do Estado é uma sentença de morte para o mercado doméstico. O projeto foi enviado ontem ao Congresso e está provocando uma enorme polêmica no país.
Européias
As principais bolsas européias terminaram em baixa ontem, pressionadas pela declaração feita pelo presidente do Banco da Inglaterra (BoE), Mervyn King, de que o Reino Unido poderia estar entrando em um período de recessão. King, do BoE, disse ontem: ''Parece que agora é provável que a economia do Reino Unido entre em uma recessão''. Como resultado, a libra despencou ante o dólar e o receio sobre a diminuição do crescimento mundial se tornou exacerbado. Kenneth Broux, economista do Lloyds TSB, disse que o discurso de King foi ''psicologicamente muito importante'', confirmando o que a maioria das pessoas já esperava.
Temores
Os temores a respeito das economias européias estavam evidentes em diversos balanços divulgados pelo setor varejista. O diretor-executivo do grupo varejista Home Retail Group, Terry Duddy, afirmou que, caso as atuais condições continuem durante os próximos meses, quando ocorre um pico no comércio, os lucros neste ano podem ficar próximos da ponta mais baixa das previsões. As ações da Home Retail Group terminaram em alta de 1,4%.
As tensões políticas e financeiras na Argentina também influenciaram negativamente os investidores, diante da possibilidade de o país se negar a pagar as dívidas que possui pela segunda vez em uma década, ou até mesmo avaliar a estatização de outros setores, como o de petróleo.
Perdas generalizadas
As ações de empresas ligadas à Argentina sofreram perdas generalizadas, em meio a receios de que o governo do país estatize os fundos de pensão. Entre as empresas afetadas, estão a Telefónica, que recuou 8,83%, o Banco Bilbao Vizcaya Argentaria, com declínio de 9,10%, e o Banco Santander, que teve baixa de 9,91%. O Santander também sofreu pressão de uma nota do Merrill Lynch afirmando que o banco precisaria levantar até 6,6 bilhões de euros caso a crise econômica se prolongasse. O índice FTSE 100, da Bolsa de Londres, caiu 188,84 pontos, ou 4,46%, para 4.040,89 pontos.
Cheque especial
A taxa do cheque especial aumentou em setembro, alcançando 170,2% ao ano, segundo o relatório mensal de crédito divulgado ontem pelo Banco Central.Os juros subiram 3,8 pontos percentuais em relação a agosto, quando a taxa era de 166,4% ao ano. No ano, o juros do cheque especial já acumulam alta de 32,1%, tendo crescido 30,2% nos últimos 12 meses. Para o crédito pessoal, a taxa em setembro foi de 56,3%, contra 54,5% em agosto. O juros dos financiamentos de veículos tiveram leve queda, passando de foi de 33,3% em agosto para 33,1% em setembro. Em setembro, a taxa geral passou de 40,4% em setembro, contra 40,1% em agosto. Para pessoa física, os juros ficaram em 53,1% ao ano no mês passado, contra 52,1% em agosto. Para pessoa jurídica, a taxa foi de 28,3% em setembro, a mesma registrada no mês anterior.
Das Agências





