MERCADO FINANCEIRO
Volatilidade
São Paulo - A sexta-feira parecia ser de trégua nas bolsas, mas a volatilidade e o ceticismo acabaram tirando os índices acionários em Wall Street e em São Paulo do rumo de alta. Temores sobre a queda da demanda por commodities se espalham porque as economias ao redor do mundo estão sentindo os efeitos do aperto no mercado de crédito global. Como não se descarta eventual nova ação conjunta de governos desenvolvidos para combater a crise e a agenda de balanços do terceiro trimestre nos Estados Unidos na próxima semana será uma das mais movimentadas da atual safra, os investidores adotaram uma postura defensiva no fim da sessão.
Perdas
O Dow Jones caiu 1,41%; o Nasdaq perdeu 0,37%; e o S&P 500 recuou 062%, após passarem boa parte do dia em terreno positivo. A Bovespa, que no melhor momento subiu 5,21% em meio à alta de commodities e das ações de Vale e Petrobras, terminou em baixa de 0,12%. Contudo, na semana, o índice paulista subiu 2,22%. O dólar à vista manteve o viés de baixa, embalado pelas medidas do BC para melhorar o direcionamento do crédito para empresas exportadoras e expectativas de fluxo cambial positivo da venda da mineradora Namisa pela CSN.
Bolsa
A recuperação das commodities, em um dia com notícias corporativas favoráveis a algumas empresas brasileiras, proporcionou um rali das ações na Bovespa ontem. Mas o mercado brasileiro sucumbiu à deterioração em Wall Street no final da jornada e o Ibovespa terminou com declínio de 0,12%, aos 36.399,09 pontos - após ter atingido 38.342 pontos (+5,21%) na máxima. Na mínima, mais cedo, registrou queda de 1,67%, aos 35.834 pontos. O volume financeiro somou R$ 4,55 bilhões. Na semana, contudo, o índice registrou valorização de 2,22% - a primeira alta semanal desde a semana encerrada no dia 19 de setembro. No mês, porém, a perda de é de 26,53% e no ano, de 43,02%.
Nome do jogo
De acordo com participantes do mercado, a volatilidade permanece como o ''nome do jogo'' no curto prazo. ''O mercado não tem direcional, está 'amassado' e as incertezas persistem'', comentou um profissional da área de renda variável de uma corretora em São Paulo. Para ele, o Ibovespa pode ter batido o ''fundo'' na semana passada, e ao deixar de precificar o pior no que diz respeito a uma ruptura abre espaço para uma correção. ''Mas não tem força pra subir porque está claro que a recessão será forte e longa'', ponderou.
Machucados
''Muitos investidores - fundos, bancos, empresas e pessoas físicas - estão machucados, e bem machucados. É normal, então, diante de um cenário pessimista como o atual, que cada notícia, dado econômico ou declaração de alguma autoridade leve a várias interpretações e consequentemente uma movimentação brutal dos preços dos ativos'', explicou Fernando Barbará, gestor de renda variável na Ático Asset Management. Na próxima semana, certamente ajudarão a incrementar a instabilidade nos negócios a série de balanços previstos no Brasil - que inclui Vale, Bradesco, Oi, Sadia e Perdigão, entre outros - e no exterior - American Express, Caterpillar , Pfizer e Microsoft, por exemplo.
Queda
Em Nova York, o Dow Jones encerrou em queda de 1,41%, aos 8.852,22 pontos. O S&P-500 terminou com desvalorização de 0,62%, aos 940,55 pontos. O Nasdaq Composite perdeu 0,37%, aos 1.711,29 pontos. Na semana, o Dow acumulou uma alta de 4,75%, o Nasdaq, um avanço de 3,75% e o S&P-500, um ganho de 4,60%. Os pregões norte-americanos tiveram uma sessão volátil hoje, com a sessão marcada pelo vencimento de opções de ações e de índices. O noticiário macroeconômico não ajudou. As construções residenciais iniciadas caíram 6,3% em setembro, para 817 mil, o menor nível em 17 anos.
Sentimento
O índice de sentimento do consumidor medido pela Universidade de Michigan por sua vez caiu para 57,5 em meados de outubro - menor patamar desde junho deste ano -, de 70,3 em setembro e para nível inferior ao previsto pelos economistas, de 65,0. As informações positivas em Wall Street vieram do front corporativo, cem particular os resultados trimestrais anunciados ontem por Google e AMD e hoje pela IBM. Também ajudou a sustentar os índices norte-americanos no azul em determinado período o comentário do investidor Warren Buffet de está comprando ações no mercado norte-americano.
Seja medroso
''Uma regra simples orienta as minhas compras: seja medroso quando todos são gananciosos e ganancioso quando todos são medrosos'', explicou, em um artigo publicado no jornal The New York Times. A volatilidade em Nova York permaneceu como pano de fundo dos negócios no mercado acionário brasileiro, mas a valorização nos preços de commodities permitiu altas mais expressivas em boa parte da sessão local. Além da elevação em itens agrícolas e metais, o petróleo também apreciou-se nesta jornada: contrato do óleo para novembro encerrou em alta de 2,86% na Nymex, a US$ 71,85. Nesse contexto, Petrobras PN aumentou 3,56% e Petrobras ON avançou 2,50%. Vala PNA ganhou 3,63% e Vale ON subiu 3,53





