MERCADO FINANCEIRO
Vaivém
São Paulo- Após muito vaivém, as bolsas em Wall Street ganharam impulso na última hora de sessão e subiram mais de 4%, amparadas pela queda do petróleo abaixo de US$ 70,00 por barril pela primeira vez desde agosto de 2007. O tombo da commodity resultou da queda na demanda nos EUA, que atingiu o menor nível em nove anos, e do aumento dos estoques no país. Isso levou os investidores a comprarem papéis de setores como serviços públicos, aéreo e matérias-primas. O segmento de tecnologia também ganhou fôlego com a disparada das ações do Yahoo!.
Bovespa
A Bovespa beneficiou-se dessa recuperação e reduziu significativamente as perdas intraday, que atingiram até 8,36%. Contudo, o Ibovespa não conseguiu encerrar no azul e perdeu 1,06%, pressionado pelas blue chips Petrobras e Vale, que sucumbiram ao tombo das matérias-primas. No mercado cambial, o dólar serviu de refúgio para os investidores e operou em alta na maior parte da sessão, mas fraquejou no final e caiu em relação ao euro, o real e algumas moedas de países da América Latina, como Chile, México e Colômbia.
Bolsa
A definição de uma trajetória ascendente nos pregões em Nova York à tarde, em especial a ampliação das altas na última hora de pregão, ajudou a reduzir drasticamente as perdas na Bovespa. Mas a forte pressão de baixa em razão do declínio das commodities, com o petróleo abaixo dos US$ 70 pela primeira vez desde agosto de 2007, por exemplo, impediu que o Ibovespa fechasse no azul, como seus pares norte-americanos. O índice brasileiro encerrou em queda de 1,06%, aos 36.441,72 pontos. Apenas na abertura conseguiu sustentar-se em território positivo, quando subiu 1,52%, aos 37.394 pontos, na máxima.
Foi diferente
''Todo analista está ocupado cortando ganhos e todo economista está ocupado reduzindo as previsões de crescimento. Mas, embora possa soar perverso, isso pode ser na verdade percebido como uma boa notícia'', diz o texto. Há duas semanas o temor era de que a crise ''desta vez foi diferente'', apenas porque metade dos bancos ao redor do mundo parecia estar indo à falência, nota a consultoria. ''Mas, agora, se as ações estão caindo por causa do temor de resultados corporativos desapontadores e um fraco crescimento econômico, então isso significa que, em algum momento, investidores estarão dispostos a olhar além do vale do desaquecimento e acima dele.
Medo
O medo de que 'desta vez é diferente' pode estar começando a se dissipar e, em seu lugar, aparecendo a convicção de que este é um ciclo antipático'', argumenta. ''E a ótima notícia sobre ciclos é que um dia eles terminam'', finalizam. Nas bolsas nos EUA ontem, além da reação das ações do setor de tecnologia, a queda nos preços do petróleo também serviu como argumento para a recuperação dos índices acionários pois gerou impulso em ações de setores como serviços públicos, aéreo e matérias-primas.
Declínio
Mas se a queda do petróleo ajudou os índices nos EUA, no Brasil o efeito foi contrário, uma vez que o declínio do óleo afeta negativamente as ações da Petrobras - que respondem por cerca de 18% do Ibovespa. Ontem, as ações PN da estatal caíram 7,50% e as ON recuaram 8,67% - liderando as baixas do índice. Além do petróleo, o decréscimo nos preços de outras commodities, como alguns itens agrícolas e metais, também manteve o pregão local sob pressão. Como lembrou o profissional da corretora no Rio, a pauta de exportações brasileira é quase toda de commodities.
Dólar
Após servir de refúgio para os investidores e operar em alta na maior parte da sessão, por causa da perspectiva de recessão nos Estados Unidos e Europa e da falta de horizonte para o fim da crise financeira global, o dólar fraquejou na última meia hora de negócios no mercado à vista. O dólar spot zerou os ganhos intraday e encerrou em baixa, após subir pela manhã até a máxima de R$ 2,239 (3,42%) no balcão. No final, o pronto caiu 0,16%, a R$ 2,1595 na BM&F; e 0,23%, a R$ 2,160 no balcão.
Juros
O dia terminou melhor do que começou para os mercados e, no caso dos juros futuros, as taxas desaceleraram o avanço visto desde a abertura. A passagem das bolsas em Nova York para o campo positivo e a perda de fôlego de alta do dólar acabaram promovendo certo alívio às taxas futuras na última meia hora de negócios. O DI janeiro de 2012 fechou estável em 15,63%, com 88.405 contratos. O DI janeiro de 2010 (121.600 contratos) subiu de 14,73% para 14,76%. O DI janeiro de 2009 (120.825 contratos) passou de 13,92% para 13,945%.
Tensão
No entanto, a primeira parte dos negócios foi de tensão, alimentada pelas previsões de enfraquecimento econômico global, por sua vez, reforçadas por mais dados negativos nos EUA, balanços ruins de bancos norte-americanos e recuo pesado nos preços das commodities. As taxas já abriram para cima, alinhadas ao comportamento do mercado externo, tendo atingido as máximas ainda pela manhã de ontem. No entanto, o alívio visto nos juros à tarde foi considerado pontual e nada garante que tal trajetória prosseguirá hoje.





