MERCADO FINANCEIRO
Bovespa
A Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) registrou há pouco queda de 10%, o que levou ao acionamento do mecanismo do ''circuit breaker'', às 14h24 de ontem, o que interrompeu o pregão por meia hora. O pessimismo dos investidores com a economia global gera mais um dia de estresse no mercado mundial.
O Ibovespa, principal índice de ações da Bolsa paulista, desvalorizou 10% e atinge os 37.412 pontos. O giro financeiro é de R$ 4,08 bilhões.O dólar comercial é negociado a R$ 2,181 na venda, com avanço de 4,20%. A taxa já oscilou entre a cotação mínima de R$ 2,082 e a máxima de R$ 2,191.
Compra
O fundo brasileiro de investimentos BTG (Banking & Trading Group) anunciou ontem a aquisição da Lehman Brothers do Brasil e de seus ativos no país. A Lehman Brothers Brasil é uma empresa não financeira, que realiza atividades banco de investimento e negociação de ativos.''A infra-estrutura e equipe da Lehman Brothers Brasil são complementares à BTG e contribuirão para acelerar o crescimento do grupo'', informou em nota o BTG, fundado neste ano pelo banqueiro André Esteves.O BTG tem escritórios em São Paulo, Rio, Londres, Nova York e Hong Kong e administra cerca de US$ 800 milhões em patrimônio próprio e de seus sócios-fundadores.
Licença
Ainda segundo a nota, a Lehman Brothers Brasil havia solicitado recentemente ao Banco Central licença para se tornar um banco. ''Tanto o segmento de banco de investimento como o processo de licenciamento bancário da Lehman Brothers Brasil serão descontinuados. O BTG reitera, assim, seu foco na gestão do patrimônio próprio e de seus clientes'', diz. Além de André Esteves (ex-Pactual e UBS), o BTG foi fundado por Persio Arida (ex-presidente do Banco Central do Brasil), um grupo de ex-sócios sêniores do Banco Pactual e executivos do UBS.
Tóquio
Os mercados da Ásia reagiram positivamente aos anúncios de pacotes bilionários de países europeus para socorrer o setor bancário e à compra de US$ 250 bilhões em ações de instituições financeiras em dificuldades pelo governo dos Estados Unidos. O destaque foi a Bolsa de Valores de Tóquio, que fechou com ganhos de 14%, aos 9.455,62 pontos, os maiores registrados em um único dia em quase 60 anos. Terça foi feriado no país.A alta histórica ocorre a menos de uma semana da perda recorde da sexta-feira, quando a bolsa japonesa registrou sua pior queda em 21 anos e a crise mundial fez sua primeira vítima no setor financeiro do país, o grupo de seguros Yamato Life.
Mercados
Os principais mercados asiáticos também fecharam no azul ontem. Na Austrália, o mercado subiu 4% com o anúncio da injeção de mais de US$ 7,4 bilhões do governo para fortalecer a economia e aumentar a liquidez no país. Em Seul (Coréia do Sul), a bolsa avançou 6,14%, aos 1.367,69 pontos. Em Hong Kong, o índice Hang Seng encerrou o dia com aceleração de 3,19%. A Bolsa de Xangai abriu com alta de 3,16%, mas terminou no terreno negativo, com recuo de 2,71%.
Ações
A Vale anunciou ontem a aprovação de uma proposta de recompra de ações válida pelo prazo de 360 dias. O programa envolve até 69 milhões de ações ordinárias e até 169 milhões de ações preferenciais, o que representa, respectivamente, 5,5% e 8,5% do total de papéis de cada categoria no mercado.A proposta, porém, ainda tem de ser submetida ao Conselho de Administração da Vale em reunião nesta quinta. Em comunicado, a empresa afirma que o objetivo da recompra é ''a utilização do caixa'' e a maximização de valor para os acionistas. O programa poderá ter início no próximo dia 27.
Flexibilizar
A demanda por recompra de ações está tão forte que a BM&FBovespa resolveu recorrer a um dispositivo que permite flexibilizar as regras de funcionamento de parte do mercado de capitais. Temporariamente, as empresas listadas no Novo Mercado poderão ter menos papéis em circulação do que o permitido até então.
Para garantir a liquidez das ações e dar maior poder aos minoritários, uma das regras do Novo Mercado obriga as empresas a terem pelo menos 25% dos papéis emitidos.
Excepcional
Com a desvalorização acentuada dos papéis causada pela crise internacional, a BM&FBovespa resolveu permitir que as empresas tenham um percentual menor de papéis em circulação. O volume mínimo deverá ser recomposto em até 18 meses.
''Há 20 empresas, entre as 160 listadas no Novo Mercado, que teriam menos de 25% de seus papéis sendo negociados no mercado em caso de recompra'', diz João Batista Fraga, diretor de relações com empresas da BM&FBovespa. ''Como a situação atual é excepcional e havia demanda das empresas, resolvemos usar o dispositivo.''
Medida acertada
Especialistas vêem a decisão com bons olhos. Para Roberta Nioac Prado, coordenadora de planejamento societário da FGV, o atual momento comporta medidas excepcionais.''Se as empresas tiverem reserva para recompras, isso irá possibilitar a melhora dos preços no futuro'', diz Prado. Para Frederico Stacchini, sócio da Stacchini Advogados, a iniciativa atende a interesses da companhia, dos controladores e dos investidores, uma vez que reduz a queda nos preços, dá liquidez e permite ganhos no longo prazo aos gestores e à própria empresa.''A iniciativa rápida mostra que a Bovespa e a CVM [Comissão de Valores Mobiliários, que regulamenta o mercado] estão preocupadas com a crise e pretendem minimizar o impacto no mercado'', diz Stacchini.
Das Agências





