Volatilidade
São Paulo - As bolsas norte-americanas retomaram a volatilidade, ontem, após uma abertura positiva e ganhos individuais de mais de 11% anteontem. A Bovespa foi carregada e chegou a inverter para queda à tarde, mas descolou-se de Wall Street e terminou com avanço de 1,81%, bem distante da valorização de 14,66% da véspera. Preocupações com a economia real, especialmente os setores de tecnologia e consumo, que não têm o benefício dos bilionários planos dos governos dos EUA e Europa de socorro às instituições financeiras, substituíram a euforia com a inédita ação coordenada para prover liquidez aos mercados.



Chifres
A decisão do governo norte-americano de ''pegar o touro pelos chifres'', nas palavras do analista de um importante banco estrangeiro, e injetar US$ 250 bilhões para capitalizar os bancos nos Estados Unidos não foi suficiente para garantir nova alta nas bolsas em Nova York, o que acabou contaminando a Bovespa. Mas, diferente dos pregões em Wall Street, o mercado paulista conseguiu recuperar o viés de alta no final da sessão e encerrar no azul. Os vencimentos de opção sobre o Ibovespa e do índice futuro ajudaram. No fechamento, o Ibovespa registrou elevação de 1,81%, aos 41.569,03pontos - após oscilar dos 43.753 pontos (+7,16%) aos 40.219 pontos (-1,50%).

Injeção
Após vários governos europeus tomarem medidas no sentido de injetar capital nas instituições financeiras de seus países, ontem foi a vez de autoridades dos EUA anunciarem que vão utilizar até US$ 250 bilhões do pacote de US$ 700 bilhões aprovado recentemente pelo Congresso para adquirir participação em instituições financeiras, numa tentativa de dar novo fôlego ao setor bancário e combater a crise de restrição ao crédito. Os bancos têm até 14 de novembro para decidir se participarão do programa de compra do Tesouro.

Correções
Edison Marcellino, diretor na FinaBank, avalia que o Ibovespa ainda deve sofrer algumas correções antes de voltar a subir com consistência. ''Ainda há clientes vendendo posições de papéis'', notou. Na visão do profissional, a maior tragédia já passou, mas a liquidez ainda é pequena, e quando é necessário sair de lote, o papel sofre. ''Ainda levará um tempo para acomodar, para depois voltar à trajetória de alta'', avalia. Para ele, os vencimentos de opções sobre Ibovespa e do índice futuro amanhã colaboraram com o fechamento positivo do mercado brasileiro.

Cenário
No cenário corporativo local, as altas no Ibovespa foram lideradas por Aracruz PNB (+15,34%), VCP PN (+13,99%) e Sadia PN (+13,62%). Aracruz e Sadia foram ações que sofreram bastante nos últimos dias em razão da reação negativa dos investidores às perdas dessas companhias em razão de exposição cambial. Vale citar que dólar comercial caiu 1,78%, a R$ 2,1020 hoje - de R$ 2,32 na semana passada. No outro extremo, entre as maiores quedas, BM&FBovespa ON caiu 5,20%, CSN ON perdeu 4,69% e Duratex PN caiu 3,79%.

Petróleo
No caso das blue chips, Petrobras PN subiu 1,49% e Petrobras ON aumentou 1,16%. Segundo informações da página da Agência Nacional de Petróleo (ANP) na internet, a companhia encontrou indícios de petróleo em três poços. As notificações fazem parte dos registros de praxe das empresas nesses casos e foram arquivadas no site da ANP com data de 13 de outubro. Nem a queda dos preços do petróleo impediu a continuidade da correção dos papéis da estatal.


Desvalorizada
Na Nymex, o contrato para novembro da commodity caiu 3,15%, para US$ 78,63.
Vale PNA aumentou 0,87%, mas Vale ON desvalorizou-se 1,59%. A Vale informou que os acionistas da Valepar S.A., que controla a mineradora, aprovaram a proposta de instituição de um programa de recompra de ações da companhia, que envolve até 69.944.380 ações ordinárias e até 169.210.249 ações preferenciais, correspondentes, respectivamente, a 5,5% e 8,5% do total de ações de cada classe em circulação.

Ganhos fortes
O programa será submetido ao Conselho de Administração da Vale na quinta-feira O setor bancário manteve os ganhos fortes: Bradesco PN subiu 5,15%, Itaú PN aumentou 3,79%, Banco do Brasil ON avançou 6,45% e Unibanco units apreciou-se 1,82%. Após o fechamento do mercado, o Itaú anunciou a compra de carteiras de crédito consignado. A instituição não informou qual o volume de crédito adquirido e nem o nome dos bancos que cederam as operações.


Câmbio
O dólar no mercado à vista permaneceu em baixa ontem, mas o recuo perdeu força durante a sessão em sintonia com a desaceleração dos ganhos e a inversão para queda da Bovespa após às 15 horas, quando cedeu até 1,50%. Segundo operadores, a oscilação do dólar refletiu saída financeira do mercado cambial, de investidores estrangeiros que realizaram lucros na bolsa paulista e fizeram remessas de recursos ao exterior para cobrir posições ou eventuais perdas por lá.

Agência Estado

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