MERCADO FINANCEIRO
Entusiasmo
São Paulo - O mercado global reagiu com entusiasmo ao plano da Europa de socorro a bancos estimado em cerca de US$ 2,28 trilhões e à ação coordenada pelo Fed com os bancos centrais da Europa, da Inglaterra e da Suíça para prover dólares ao mercado interbancário atendendo o total da demanda. As principais bolsas asiáticas - com exceção do Japão por causa de feriado -, da Europa, dos Estados Unidos e do Brasil dispararam, após uma semana de quedas históricas.
Maior ganho
Em Londres, o índice FTSE 100 subiu 7,14%; em Paris, o CAC-40 avançou 11,18%; em Frankfurt, o DAX saltou 11,40%; e em Madri, o IBEX-35 ganhou 10,65%. Nos EUA, o Dow Jones chegou a registrar o maior ganho em pontos de sua história, com uma alta ao redor de 700 pontos, impulsionado pelo compromisso dos governos europeus para recapitalizar os bancos e as perspectivas de um movimento similar do Tesouro norte-americano. No início da noite o The Wall Street Journal informou que o Tesouro dos EUA comprará US$ 250 bilhões em participação em bancos.
Dólar caiu
O dólar caiu e abriu espaço para a alta de commodities. O petróleo futuro novembro em Nova York subiu pela primeira vez em quatro sessões, com perspectiva melhor para a demanda. A moeda americana no mercado à vista perdeu quase 8% e a BM&F precisou ampliar ontem para 8% o limite de baixa do contrato de novembro08. Os juros futuros também recuaram, alinhados com o ambiente externo e com o câmbio. As medidas do BC para aliviar os bancos no recolhimento do compulsório ajudaram a compor o clima positivo no mercado.
Reação
Após uma semana com perdas históricas nas principais praças financeiras internacionais, os investidores reagiram com otimismo na segunda-feira à ação coordenada de vários governos europeus que decidiram no fim de semana colocar em ação um plano de criação de fundos nacionais de recapitalização e de garantias do sistema financeiro. As altas na Ásia e na Europa contagiaram as operações nos Estados Unidos, beneficiando a Bovespa. No encerramento, o Ibovespa registrou 40.829,13 pontos, na máxima do dia, em alta de 14,66% - a maior variação positiva desde 15 de janeiro de 1999, quando subiu 33,4%.
Medida
''Foi a primeira vez desde o inicio que houve não só uma medida organizada, mas concreta. Na semana passada, só se discutiu e não se resolveu nada. As autoridades nos Estados Unidos e Europa sabiam que tinham que anunciar algo concreto e possível de fazer. E fizeram'', afirmou o sócio de uma corretora com sede em São Paulo. ''Ninguém pode esperar que qualquer uma dessas medidas possa evitar a recessão. As forças da contração econômica já estão em movimento há muito tempo devido à crise de crédito'', disse Mike Lenhoff, estrategista-chefe da Brewin Dolphin Securities em Londres, à Dow Jones.
Os ricos
Na sexta-feira, o grupo dos sete países mais ricos do mundo mostrou consenso entre os participantes em torno da necessidade de recapitalizar bancos com fundos públicos e privados, garantir depósitos e descongelar os mercados de crédito. Mas não trouxe medidas concretas e ameaçou frustrar os investidores, conforme chamou a atenção relatório de uma importante consultoria internacional enviado a clientes. ''O menos do que decisivo comunicado do G7 é improvável de amenizar os receios'', disse.
Na Europa, os principais índices acionários fecharam com altas expressivas. O londrino FTSE-100 avançou 8,26%. Em Paris, o CAC-40 aumentou 11,18%. O DAX, de Frankfurt, ganhou 11,40%. Na semana passada, esses índices acumularam, respectivamente, perdas de 21,05%, 22,16% e 21,61%.Na Ásia, a Bolsa de Tóquio não funcionou por feriado no país, mas os outros mercados também fecharam no azul. A Bolsa de Hong Kong subiu 10,2%, após recuar 16% na semana passada; e a de Cingapura, +6,6%.
Bolsa brasileira
''Não vejo nada de extraordinário em uma correção nesses níveis, considerando toda a queda da semana passada. Eu ficaria com uma pulga atrás da orelha se o Ibovespa subisse apenas 5%'', afirmou o analista autônomo de uma corretora em São Paulo. No gráfico, de acordo com esse profissional, a indicação é de uma possível recuperação até os 44.500/45.000 pontos, levando em conta o índice futuro (que fechou aos 40.628 pontos no vencimento de outubro hoje, em alta de 12,64%). ''Mas os clientes estão ainda muito 'machucados', praticamente ainda da 'UTI'.
Câmbio
O mercado cambial no Brasil passou a ser vendedor nesta segunda-feira, animado pelas fortes altas nas bolsas globais em reação ao plano da Europa de socorro a bancos estimado em cerca de US$ 2,28 trilhões e a ação coordenada pelo Fed com os bancos centrais da Europa, da Inglaterra e da Suíça para prover dólares ao mercado interbancário atendendo o total da demanda. O anúncio pelo Banco Central brasileiro hoje de medidas para liberar depósitos compulsórios das instituições financeiras de R$ 100 bilhões também foi bem recebido, embora não tenha efeito direto sobre as cotações do dólar, afirmaram operadores consultados.
Agência Estado





