MERCADO FINANCEIRO
Perdas históricas
São Paulo - As bolsas em Wall Street e a Bovespa reduziram fortemente as perdas na última hora da sessão, depois de uma abertura em queda livre seguindo o tombo das ações nos mercados da Ásia e Europa ontem. Ao longo do dia, o Dow Jones caiu abaixo dos 8 mil pontos, em três momentos distintos, tentou ensaiar recuperação à tarde, mas não durou por muito tempo. No final, o Dow Jones e S&P500 caíram pelo oitavo pregão consecutivo, e apenas o Nasdaq conseguiu sustentar-se em alta e interromper uma sequência de sete baixas acentuadas.
Bovespa
Os analistas atribuíram esse movimento às expectativas de que os encontros do G-7 e do G-20, em Washington, vão resultar em medidas que reduzam as taxas interbancárias. O mercado também elevou as apostas em um novo corte de juros pelo Fed, que esta semana juntou-se a outros cinco Bancos Centrais do globo para reduzir os juros em 0,50 ponto, numa ação coordenada sem precedentes e que foi seguida depois por outras autoridades monetárias. No Brasil, após acionar o segundo circuit breaker da semana na sessão ontem, a Bovespa manteve-se colada à volatilidade externa e encerrou em baixa de 3,97%, aos 35.609,54 pontos - no menor patamar desde 25 de setembro de 2006.
Juros disparam
Na semana, o índice paulista perdeu 20% - pior resultado semanal desde a crise da Ásia em 1997. Os investidores buscaram refúgio no câmbio. O dólar à vista subiu quase 7% e cravou os R$ 2,320, apesar dos três leilões de venda de moeda e uma oferta de swap cambial do Banco Central. Os juros futuros de longo prazo também dispararam diante da incerteza sobre o futuro da economia e da crise financeira global. E a próxima semana promete mais adrenalina com a divulgação de balanços trimestrais de instituições financeiras que estão no epicentro da crise de crédito internacional.
Ibovespa
Na semana, o Ibovespa encerrou com uma perda de 20% - a maior desde a crise da Ásia em 1997, considerando a semana que se encerrou em 31 de outubro daquele ano. No mês de outubro, a baixa chega a 28,12% e no ano, a 44,26%. Ao se olhar o início do dia, contudo, não dá para reclamar do fechamento: na mínima, ainda de manhã, o Ibovespa chegou a cair 10,36%, aos 33.238 pontos, a níveis de 2005. Logo aos 35 minutos do pregão, inclusive, a Bolsa precisou acionar novamente o circuit breaker - como já havia ocorrido na segunda-feira - uma vez que o índice bateu o limite de queda de 10%.
Investidor com medo
''A Bovespa tem listadas ações de empresas com fundamentos maravilhosos. Mas nada disso está sendo ponderado neste momento. Os investidores estão com medo e fugindo de renda variável'', afirmou. ''Também não é mais possível dizer que determinado papel está barato porque amanhã ou depois ele pode estar ainda mais barato'', desabafou.O profissional, contudo, chamou a atenção para a reunião dos ministros de Finanças do G-7 (EUA, Alemanha, Japão, França, Reino Unido, Itália e Canadá) em Washington. ''É bastante importante, pois pode sair alguma medida que pode acalmar e retomar a confiança nos negócios'', disse.
Pior semana
Em Nova York, aliás, traders atribuíram a recuperação do mercado às expectativas de que o encontro do G-7, que acontece em Washington, resulte em medidas que reduzam as taxas interbancárias. No melhor momento, o Dow chegou a subir mais de 3%. Mas a euforia foi fugaz. No fechamento, registrou queda de 1,49%, a 8.451,18 pontos - nível mais baixo desde 25 de abril de 2003. Ainda assim, em relação ao movimento verificado na primeira etapa do dia, o mercado de ações norte-americano reduziu drasticamente as perdas. O Dow chegou a cair mais de 8%, abaixo de 8 mil pontos. Com a perda de ontem, o Dow a teve a pior semana em seus 112 anos de história ao acumular uma queda de 18%.
'Torcer vísceras'
O Nasdaq conseguiu se manter no azul, encerrando em alta de 0,27%, aos 1.649,51 pontos. Na semana, contudo, perdeu 15,30%. ''Foi uma semana de torcer as vísceras. O medo foi palpável em todos os mercados globais. Se fôssemos escrever um livro didático sobre os mercados e quiséssemos dar um exemplo de deslocamentos no mercado, eu nem colocaria esta semana nele, porque não pareceria real'', comentou a estrategista Quincy Krosby, da Hartford Financial, à Dow Jones.
Câmbio
Com o pânico no mercado global, o dólar serviu de refúgio para os investidores ontem, em que as bolsas no mundo todo e o petróleo ampliaram as fortes perdas acumuladas. O temor provocado pelo impacto da crise de crédito na economia real nos países desenvolvidos em meio à ausência de qualquer anúncio de um plano de socorro dos países do G-7 para o setor financeiro alimentou a falta de confiança e de perspectiva de um desfecho para a crise no curto prazo. Por isso, os investidores elevaram a expectativa de outro corte de juro, talvez ainda antes da reunião ordinária do Fed marcada para os dias 28 e 29 próximos.





