MERCADO FINANCEIRO
Perdas
São Paulo- As perdas dramáticas das bolsas norte-americanas na última hora da sessão atingiram em cheio a Bovespa, que após uma tentativa de recuperação durante o pregão encerrou pelo sexto dia em baixa. Em Wall Street, o mercado de ações fechou em queda pelo sétimo dia consecutivo. O mercado foi dominado pelo medo da recessão nas economias desenvolvidas diante da avalanche de colapsos de instituições Financeiras e da crise de crédito global.
Commodity
O petróleo foi atingido em cheio e os contratos futuros da commodity para novembro fecharam no menor nível em um ano, abaixo de US$ 87,00 por barril em Nova York. O mercado doméstico foi carregado junto. O Ibovespa devolveu gradativamente os ganhos intraday de até 4,89% e terminou em baixa de 3,92%, na menor pontuação em dois anos, desde 3 de outubro de 2006. Os juros futuros inverteram o sinal para alta no after market, após terminaram em terreno negativo no pregão regular da BM&F.
Dólar futuro
O dólar futuro novembro também desacelerou as quedas projetadas mais cedo, que refletiram a trégua do mercado em meio aos leilões de venda de moeda e de swap cambial e as medidas adotadas pelo governo e o BC brasileiro para garantir socorro a bancos e exportadores com eventuais dificuldades de crédito.
Bolsa
A trégua verificada na primeira etapa do dia na Bovespa perdeu espaço para novos momentos de estresse na parte da tarde, com o principal índice da bolsa paulista renovando mínimas, alinhado à forte e rápida deterioração dos pregões norte-americanos na última hora de sessão. Após subir 4,89%, aos 40.479 pontos, na máxima, pela manhã de ontem, o Ibovespa encerrou a jornada em baixa de 3,92%, aos 37.080,30 pontos - após bater 36.832 pontos, na mínima (-4,56%). O patamar de fechamento é o menor desde 3 de outubro de 2006 (36.437,55 pontos).
Bola de neve
O índice Dow Jones teve sua terceira maior queda em pontos de todos os tempos e fechou no nível mais baixo desde 21 de maio de 2003, aos 8.579,19 pontos, em queda de 7,33% (-678,91 pontos). O S&P-500 fechou no menor nível desde 1º de maio de 2003: em baixa de 7,62%, aos 909,92 pontos. O Nasdaq Composite cedeu 5,47%, aos 1.645,12 pontos - nível mais baixo desde 1º de julho de 2003. Esta quinta-feira completou-se exatamente um ano deste que o Dow e o S&P-500 fecharam em níveis recorde, o Dow em 14.164,53 pontos e o S&P-500 em 1.565,15 pontos. Nesses 12 meses, o Dow acumula uma queda de 39,43% e o S&P-500, uma perda de 41,92%.
Medo
Para Debra Brede, presidente da DK Brede Investment Management, ''as pessoas estão agindo por medo. Seus avós estão dizendo 'eu sobrevivi à Grande Depressão' e a mentalidade, neste momento, é a de que 'nós vamos perder tudo'. As pessoas não estão dando tempo para que o pacote de socorro ao setor financeiro funcione''. Entre as ações que mais caíram estavam algumas das que estiveram temporariamente protegidas pela proibição de vendas a descoberto emitida em setembro pela Securities and Exchange Comission (SEC); este foi o primeiro pregão em que a medida deixou de vigorar.
Ações
As da General Motors caíram 30,68%, as do Fortress Investment Group recuaram 34,95% e as do Blackstone Group perderam 31,42%. As ações da GM fecharam a US$ 4,76, preço mais baixo pelo menos desde 1950, segundo o Centro de Pesquisas sobre Preços de Ações da Universidade de Chicago. A queda foi atribuída à deterioração da perspectiva das montadoras e à ameaça de mais rebaixamentos de ratings; as ações da Ford recuaram 21,05%.
Preliminar
No setor financeiro, as ações do Morgan Stanley caíram 25,89%, em reação a seu informe preliminar de resultados; outros destaques negativos foram AIG (-22,57%, apesar de o Fed ter anunciado que vai emprestar US$ 37,8 bilhões a suas subsidiárias, além da injeção de US$ 85 bilhões anunciada no mês passado), American Express (-9,99%) e Bank of America (-9,14%). As ações do setor de petróleo também sofreram quedas fortes, em dia de nova baixa dos preços do produto (ExxonMobil -10,36%, Chevron -10,46%). No setor de tecnologia, as ações da IBM caíram 1,71%, em reação a seu informe de resultados.
Dow Jones
O índice Dow Jones fechou em queda de 678,91 pontos (7,33%), em 8.579,19 pontos (mínima do dia); a máxima foi em 9.448,14 pontos. O Nasdaq fechou em queda de 95,21 pontos (5,47%), em 1.645,12 pontos, com mínima em 1.634,88 pontos e máxima em 1.787,41 pontos. O S&P-500 caiu 75,02 pontos (7,62%), para fechar em 909,02 pontos, com mínima em 909,19 pontos e máxima em 1.005,25 pontos. O volume negociado na NYSE ficou em 2,041 bilhões de ações, de 2,128 bilhões ontem. No Nasdaq, o volume ficou em 2,695 bilhões de ações negociadas, de 3,533 bilhões ontem, com 449 ações fechando em alta e 2.533 em queda.
Baixa
Os preços da maioria dos títulos do Tesouro dos EUA chegaram ao fim do dia em leve baixa, com correspondente alta nos juros; a exceção foram as T-notes de 2 anos, cujos preços subiram. O dia foi marcado por grande volatilidade, com os preços dos Treasuries recuando pela manhã e passando a subir à tarde, em reação à aceleração da queda do mercado de ações. A curva de juros ganhou inclinação, com o spread entre o juro das T-notes de 10 e de 2 anos ampliando-se para 222 pontos-base, de 211 pontos-base ontem.





