Na Defensiva
São Paulo - A falta de um sinal concreto sobre um corte coordenado de juros pelos BCs ao redor do mundo manteve o mercado global na defensiva. O presidente do Fed, Ben Bernanke, chegou a apontar a possibilidade de redução dos juros nos EUA, mas a medida não saiu da retórica e o mercado estressou, após um alívio inicial amparado pela criação da linha de Commercial Paper Funding Facility (CPFF) pelo Federal Reserve e a redução de 1% dos juros na Austrália pela manhã.

Reação
A primeira reação aos esforços do Fed para descongelar o mercado de crédito corporativo, contudo, logo perdeu força, e as bolsas em Wall Street voltaram a contabilizar perdas superiores a 5%, com o S&P500 abaixo de 1 mil pontos pela primeira vez na história. A Bovespa foi contagiada e caiu 4,66% para a menor pontuação desde 1º de novembro de 2006, ampliando as perdas em outubro para 18,98% e, no ano, para 37,17%.

Leilões
A despeito de dois leilões realizados pelo Banco Central a fim de prover liquidez ao mercado, o dólar à vista prosseguiu em sua escalada, sustentado pelo desmonte de operações de carry trade. Nas mesas de juros, o mini pacote de medidas do BC para fomentar o crédito no mercado não impediu que as taxas subissem, por causa da alta descontrolada do dólar e do desmonte de posições vendidas montadas a partir da percepção de que um quadro de recessão global poderia fazer com que o Banco Central interrompesse mais cedo o ciclo de alta da Selic.


Bolsa
A Bovespa, alinhada às bolsas em Nova York, até tentou ensaiar alguma recuperação em vários momentos ontem, mas não teve fôlego. Assim, após subir 2,53% na máxima do dia (43.167 pontos), pela manhã, o Ibovespa encerrou a jornada em baixa de 4,66%, aos 40.139,85 pontos - menor patamar desde 1º de novembro de 2006 (39.930,05 pontos). Na mínima de ontem, o índice paulista chegou a cair abaixo dos 40 mil pontos: 39.583 pontos (-5,98%). O volume financeiro continuou fraco e totalizou R$ 5,266 bilhões. No mês, o Ibovespa acumula perda de 18,98%. No ano, soma declínio de 37,17%.


Cenário
''O cenário é realmente desalentador'', desabafou um experiente profissional da área de renda variável de uma corretora em São Paulo. A expectativa de corte coordenado de juro por BCs ao redor do mundo, que já havia amenizado os ânimos na segunda-feira, permitiu uma abertura mais favorável ontem nas principais bolsas globais, que contaram ainda com a ajuda do anúncio do Federal Reserve para a criação da linha Commercial Paper Funding Facility (CPFF), a fim de complementar as atuais linhas de crédito disponíveis.


Positiva
A reação inicialmente positiva aos esforços do Fed para descongelar o mercado de crédito corporativo, contudo, logo perdeu força, e as bolsas em Wall Street passaram a operar no vermelho, o que foi acompanhado pelo mercado acionário brasileiro. Ainda na primeira etapa do dia, os players locais repercutiram também notícias internas, com destaque para a decisão do governo de dar mais poderes ao Banco Central para combater os efeitos da crise no Brasil. A principal medida é a autorização para que o BC possa comprar carteiras de crédito de instituições financeiras em dificuldades, por meio de uma linha de empréstimo já existente chamada redesconto.

Crise interna
As novidades foram recebidas pelo mercado com um misto de alívio e preocupação. Alívio por ampliarem o arsenal de ajuda que o BC pode dar aos bancos, num ambiente de liquidez estreita. Preocupação porque este potencial quadro de ''crise interna'' - mesmo que negado pelas principais autoridades do governo - pode ser pior do que o imaginado. As ações do bancos refletiram essa indefinição: Bradesco PN caiu 0,59%, Itaú PN -3,20%, Unibanco Unit -1,83% e Banco do Brasil ON -5,84%. Entre as ações de bancos que não fazem parte do Ibovespa, Daycoval subiu 1,06%, Pine cedeu 17,84% e Cruzeiro do Sul -2,63%.




Alívio
Algum alívio observou-se após notícias de que o ministro de Finanças do Reino Unido, Alistair Darling, fará um anúncio hoje antes da abertura dos mercados financeiros sobre os esforços para colocar os bancos em uma base de longo prazo. A conferir. É nesta quarta-feira também que o Comitê de Política Monetária do Banco da Inglaterra (BoE) inicia reunião de dois dias, devendo anunciar sua decisão somente amanhã.


Câmbio
Diante da persistente crise de confiança no mercado global, os players no Brasil reforçaram posições defensivas em câmbio, num movimento que amparou novo salto das cotações e motivou o Banco Central a fazer dois leilões intraday. Mesmo assim, as cotações à vista da moeda não tiveram alívio e terminaram nas máximas da sessão: em alta de 4,85%, para R$ 2,312 na BM&F, e de 5,09%, para R$ 2,312 no balcão - mais alto desde 31 de maio de 2006, quando encerrou a R$ 2,323. O giro financeiro total à vista somou cerca de US$ 2,882 bilhões, incluindo US$ 1,929 bilhão em D+2, o lote de US$ 700 milhões com recompra vendido pelo BC, além das operações em D+1.

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