MERCADO FINANCEIRO
Pânico
São Paulo - Os mercados globais viveram ontem a segunda segunda-feira negra em apenas uma semana. As dificuldades de instituições financeiras européias agravaram a crise de confiança no mercado de crédito e o medo de recessão na região e levaram os investidores ao pânico. As bolsas de valores exibiram perdas históricas no mundo todo, os preços das commodities despencaram, enquanto o dólar e os títulos do Tesouro norte-americano serviram de refúgio para os investidores.
Insuficiente
Em Wall Street, o índice Dow Jones registrou recorde de baixa intraday, ao cair 800 pontos, mas fechou com perda menor, de 369,88 pontos ou 3,58%, abaixo dos 10 mil pontos pela primeira vez desde 26 de outubro de 2004. O S&P-500 encerrou no nível mais baixo desde 2003, refletindo também o sentimento de que o pacote de socorro de US$ 700 bilhões aprovado na semana passada pelo Congresso pode não ser suficiente para garantir a saúde das instituições financeiras. A recuperação, na última hora do pregão, foi atribuída ao sentimento de que o Federal Reserve reduzirá agressivamente as taxas de juro de curto prazo, talvez antes mesmo da reunião regular marcada para 28 e 29 de outubro.
Bovespa
Aqui, a Bovespa acionou o circuit breaker duas vezes pela manhã de ontem, mas no final reduziu as perdas para 5,43%. O dólar disparou, levando o BC a fazer um leilão de venda de swap cambial - o que não ocorria desde maio de 2006, que equivale à oferta de moeda com contrapartida em taxa de juros. A moeda americana terminou a R$ 2,200, em alta de 7,63% no balcão, no maior valor desde 25 de setembro de 2006 e com o maior ganho num único dia desde 15 de janeiro de 1999. Os juros futuros também foram pressionados pela maior aversão ao risco e o temor de que a disparada do câmbio poderá ameaçar a inflação, apesar na queda das commodities.
Inédito
Aqueles que apenas olharem os dados do fechamento da Bovespa ontem talvez não tenham noção do que representou a segunda-feira para o mercado acionário paulista e mundial. Não foram poucos os players locais que definiram a sessão como ''caos'' ou afirmaram nunca ter visto o dia como o de ontem. E alguns desses profissionais não são marinheiros de primeira viagem, muito pelo contrário. Alguns tem mais de 20 anos de mercado. Mas emoções à parte, não há como negar que se tratou de um pregão histórico na Bolsa brasileira. O mecanismo de circuit breaker foi acionado duas vez.
Estress
Nesse contexto, a Bolsa estabeleceu excepcionalmente um novo limite de baixa para o circuit breaker, que seria acionado se caísse 20%. Nesse caso, as negociações seriam suspensas até as 16h30, de forma que ocorreriam 30 minutos de negociação sem regra de acionamento do circuit breaker até as 17 horas. Para alívio de grande parte do mercado, isso não aconteceu. Pelo contrário, com a ajuda de suas pares norte-americanas, a Bovespa encerrou a jornada longe das mínimas do dia, que tanto estressaram os investidores. O Ibovespa terminou em baixa de 5,43% aos 42.100,79 pontos.
Contaminação
''A leitura é de que a crise norte-americana contaminou de vez a Europa. E, aqui, apesar de o nosso presidente dizer que estamos imunes, fazemos parte do planeta Terra. Assim, resta saber se vai ficar na 'marola' ou se estamos às portas de uma 'tsunami''', comentou o gerente de renda variável de uma corretora no Rio de Janeiro. ''A situação é de pura falta de confiança'', acrescentou.
Alemães
Decisões do governo alemão ontem evidenciaram quão séria a crise já está na região. A chanceler alemã Angela Merkel anunciou que o governo irá garantir os depósitos individuais. Irlanda e Grécia já haviam tomado medida nesse sentido na semana passada. O governo alemão também intermediou uma nova operação de resgate do banco de financiamento imobiliário comercial Hypo Real Estate, com participação de um grupo de bancos e seguradoras. Os recursos envolvidos subiram para US$ 68 bilhões, de US$ 49 bilhões que se estudava antes. Mas o noticiário europeu não parou por aí.
Câmbio dispara
Diante do clima global perturbador, o dólar no mercado à vista disparou à tarde, pressionado pelo aumento da demanda no spot em meio à paralisação dos negócios com dólar futuro, segundo operadores consultados. Na BM&F, o contrato de dólar mais negociado, de novembro08, atingiu o limite de alta por volta das 15 horas, ao bater em R$ 2,192 (+5,99%), e permaneceu nesse patamar até às 16h19 - o que motivou o travamento dos negócios nesse mercado e uma corrida dos investidores à compra no mercado spot, dando fôlego à valorização.
Agência Estado





