MERCADO FINANCEIRO
Ceticismo
São Paulo - O mercado financeiro reagiu com volatilidade e ceticismo à aprovação pela Câmara dos Representantes dos EUA do projeto bilionário de socorro às empresas financeiras de Wall Street, após duas semanas de indefinição. A percepção dos investidores de que o pacote não evitará uma recessão nos Estados Unidos e não garante a rápida recuperação da atividade econômica no país induziu expressivos ajustes de posições nos mercados.
Bolsas americanas
As bolsas norte-americanas terminaram com perdas de mais de 1%, enquanto o dólar exibiu leve baixa ante o euro no mercado de moedas. Os players estão convictos de que haverá um corte de juros de 0,50 ponto porcentual pelo Federal Reserve antes da reunião nos próximos dias 28 e 29. No mercado local, a Bovespa ziguezagueou muito antes de encerrar em baixa de 3,53%, resultado que elevou a perda apurada na semana para 12,34%. O dólar à vista subiu 1,14% e, na semana, saltou 10,31%. Nos juros, as taxas mais curtas projetaram leves baixas, enquanto o contrato mais longo apontou alta.
Paciente de UTI
Não são poucos os profissionais do mercado que têm comparado a situação dos mercados financeiros de modo geral com a de um doente. Ora é um paciente de UTI que, apesar de medicado, não apresenta melhora no curto prazo; ora é um adulto com 40ºC de febre, que toma um remédio e tem a convulsão evitada. A Bovespa ontem correspondeu a essa expectativa, alinhada mais uma vez à oscilação em Wall Street, embora a baixa doméstica tenha sido muito mais forte.
Ações brasileiras
Na primeira etapa do dia, no aguardo da votação do pacote de ajuda aos bancos nos Estados Unidos pela Câmara dos Representantes, os investidores compraram ações brasileiras. Isso levou o Ibovespa a alcançar a máxima do dia, de 48.075 pontos, o que representou uma elevação de 4,18%. Mas, como disse uma fonte, não existe milagre. ''Ainda tem muita coisa para rolar nesta crise. E o mercado não tem dinheiro novo para se defender'', afirmou.
Oscilava
Tal percepção comprovou-se logo após o anúncio da aprovação do plano nos EUA. A Bolsa já havia reduzido a alta, e oscilava ao redor dos 47.600 pontos, com alta superior a 3%, quando saíram as primeiras informações sobre o aval da Câmara ao plano aprovado no Senado, por volta das 14h20. Em ''queda livre'', o índice paulista abandonou o território positivo e chegou à mínima até aquele momento, de 45.381 pontos (-1,66%). A partir dali, a volatilidade predominou nas operações locais, com o Ibovespa voltando a trabalhar no azul momentaneamente.
Perdas
Ao longo da tarde, contudo, o índice acionário paulista acentuou as perdas, chegando à nova mínima de 44.840 pontos, uma queda de 4,31%. No fechamento, reduziu um pouco as perdas, registrando uma queda de 3,53%, aos 44.517,32 pontos - a menor pontuação desde 28 de março de 2007, quando terminou em 44.484 pontos. O volume financeiro totalizou R$ 5,035 bilhões. O declínio de ontem fez a Bolsa acumular uma perda de 12,34% na semana. No mês de outubro, o recuo é de 10,14% e, no ano, já supera 30% (-30,32%).
Remédio
''O doente está na UTI e você insiste em dar remédio. Você acha que vai adiantar alguma coisa no curto prazo?'', comparou um experiente profissional da área de renda variável para justificar a queda, mesmo com a aprovação do tão esperado plano de ajuda aos bancos. De acordo com esse profissional, o mercado estava todo comprado para o anúncio e, após a confirmação, passou a zerar essas posições, alinhado com a redução das altas em Wall Street - onde os índices também inverteram o sinal e encerraram em baixa.
Reversão
A Câmara dos Representantes aprovou ontem o projeto por 263 a 171 votos - o que representou uma reversão do ocorrido na segunda-feira, quando a Câmara chocou os investidores e seus próprios líderes ao votar contra uma versão mais estreita do plano para comprar ativos podres de instituições financeiras. O voto de segunda-feira provocou uma forte baixa nos mercados e forçou o governo Bush e os líderes do Congresso a se empenharem com força para salvar o pacote.
Grande Depressão
O plano, que deverá ser a maior intervenção do governo nos mercados financeiros desde a Grande Depressão, representa uma ajuda de US$ 700 bilhões para as empresas combinado com US$ 152 bilhões em incentivos fiscais e instrumentos para os reguladores federais lidarem com a crescente crise econômica. Na quarta-feira, o Senado aprovou o projeto por 74 a 25 votos. Em Wall Street, o índice Dow Jones encerrou em baixa de 1,50% e o S&P500, de 1,35%.
Perda potencial
A notícia de uma perda potencial da Aracruz com derivativos, cujo valor justo estava negativo em R$ 1,95 bilhão em 30 de setembro, segundo fato relevante divulgado ontem pela companhia, levou as ações PNB da empresa a liderarem as maiores baixas do Ibovespa hoje. No fechamento, os papéis registraram uma perda de 24,81%. Segundo analistas ouvidos pelo AE Empresas e Setores, o valor das ações tende a cair ainda mais no curto prazo.
Agência Estado





