MERCADO FINANCEIRO
Ganhos robustos
São Paulo- No último dia de setembro, e do terceiro trimestre, as bolsas conseguiram se levantar e devolver parte das perdas da sessão catastrófica de ontem. Os ganhos da terça-feira foram robustos se vistos de maneira isolada, mas, no mês, as ações tanto aqui quanto nos EUA amargaram perdas fortes, fruto das incertezas detonadas pela quebradeira de instituições financeiras nas últimas semanas e que colocou em xeque os rumos da economia global. Hoje, o Ibovespa avançou 7,63%, o Dow Jones subiu 4,68% e o S&P 500 teve valorização de 5,27%, mas as variações são negativas em setembro em 11,03%, 6,00% e 9,21%, respectivamente.
Derrota
Passado o efeito a derrota histórica do plano do governo de socorro aos bancos na Câmara segunda, ontem os mercados se agarraram na esperança de que algum tipo de medida será tomada para evitar contornos ainda mais sombrios para a crise. De concreto, no entanto, nada à vista. O dólar doméstico, após subir mais de 6% ontem, caiu 3%, mas ainda permanece no patamar de R$ 1,90, e neste mês acumulou avanço de 16%. No mercado de juros, os investidores reforçaram a percepção de que a desaceleração global abrirá espaço para uma política monetária mais moderada e, com isso, as taxas fecharam em queda.
Bolsa
A percepção de que algum pacote, qualquer que seja ele, seja aprovado pelos Estados Unidos nos próximos dias para salvar o sistema financeiro do colapso possibilitou que o pânico de anteontem desse trégua. Isso permitiu que as bolsas tivessem recuperação, graças ainda a uma correção técnica após o tombo de ontem. A Bolsa doméstica, que acompanhou Europa e Estados Unidos na melhora, acabou subindo acima de 7%, mas a alta foi insuficiente para impedir que o tombo do mês de setembro fosse o maior em mais de quatro anos.
Rejeição
A rejeição da proposta na Câmara não encerrará a intenção do governo de lançar um plano de resgate. Os analistas também passaram a avaliar que o Federal Reserve - e outros BCs - terá que cortar a taxa básica de juros para tentar tirar a economia da letargia e fazê-la avançar. Na Europa, por exemplo, as expectativas são de que haverá uma redução na taxa básica da zona do euro, de 0,25 ponto, no encontro de dezembro. Há expectativa ainda, de mais de 50%, de que haverá um corte amanhã, quando acontece um novo encontro de política monetária do BCE. Nos EUA, há 100% de chances de que haverá um corte de 0,25 no próximo encontro, em 28 e 29 de outubro.
Petróleo
Até mesmo no Brasil, os participantes do mercado acreditam que o BC vai reduzir o tamanho das altas da Selic nas próximas reuniões do Copom e interromper as elevações mais cedo do que previam antes. Diante desta injeção de ânimo que os BCs devem dar na economia, e no aguardo do pacote nos EUA, o petróleo fechou em alta na Nymex. O contrato de petróleo para novembro avançou 4,43%, para US$ 100,64 o barril. Na Europa, as ações também subiram à espera de um pacote do outro lado do Atlântico. O declínio dos mercados não dura para sempre e este é um ótimo momento para começar a comprar, resumiu o megainvestidor Mark Mobius, diretor-executivo da Templeton Asset Management.
Combustíveis
Ainda sobre combustíveis, ontem o Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias (Snea) informou que o querosene de aviação (QAV) será reajustado em 8,63% a partir de hoje. No ano, o preço do combustível dos aviões acumula alta de 27%. O reajuste do QAV é determinado mensalmente pela Petrobras. Para amanhã, início do último trimestre de 2008, a expectativa continua sendo com o pacote norte-americano. Continuamos na expectativa de que algo vai sair (nos EUA).
Câmbio
O agravamento da crise financeira internacional levou o dólar a encerrar mais um mês de 2008 com valorização acumulada em relação ao real. Após subir mais de 4% em agosto, a divisa norte-americana encerrou setembro com um ganho de 16,47% no balcão e de 16,86% na roda da BM&F. Em relação a outros investimentos, perdeu apenas para o ouro à vista negociado na BM&F (+22,50%). Na comparação com o mercado de ações, a discrepância é gritante, uma vez que o Ibovespa, principal índice acionário brasileiro, acumulou uma perda de 11,03%.
A alta do dólar em setembro é a maior variação porcentual positiva desde setembro de 2002, quando a cotação acumulou um ganho de 24,92%, de acordo com o AE Taxas.
Negativa
A apreciação em setembro este ano fez com que a variação acumulada em 2008, que em agosto estava negativa em 8%, ficasse positiva em 7,15% - considerando a cotação do balcão. Na roda de pronto da BM&F, o ganho no ano alcança 7,13%. Apenas no terceiro trimestre deste ano, o dólar no balcão acumulou alta de 19,10%. A deterioração do cenário externo trouxe outro efeito para as operações no câmbio ao longo do mês de setembro: a oferta de linhas de câmbio por parte dos bancos secou, o que levou os clientes a buscarem dólar físico, pressionando as cotações no segmento spot, onde a liquidez já estava apertada pela falta de vendedores.
Agência Estado





