Otimismo
O mercado financeiro ampliou ontem à tarde o otimismo em relação à aprovação do pacote de US$ 700 bilhões para recompra de papéis podres, após declarações de alguns parlamentares de que republicanos e democratas haviam avançado para um consenso em relação à proposta. Os congressistas estiveram reunidos ontem para discutir o plano. A pressão para a aprovação cresceu sobremaneira nos últimos dias, já que deputados e senadores entrarão em recesso na semana que vem, sobretudo após o discurso alarmista feito ontem pelo presidente dos EUA, George W. Bush. Ele ontem voltou a dizer que os EUA vão ''entrar em uma crise econômica séria'' se não for aprovada uma legislação.

Original
Segundo o Wall Street Journal, o eventual acordo terá modificações em relação ao conteúdo original, como, por exemplo, a liberação dos recursos em parcelas, a começar por uma de US$ 250 bilhões. As bolsas registraram avanço significativo nos EUA e Europa - Dow Jones +1,82%, S&P 500 +1,97%, Paris +2,73%, Londres +1,99%. No Brasil, a Bovespa disparou 3,98%, adicionalmente com notícias positivas para as ações da Vale, Petrobras e BM&FBovespa. O dólar local descolou da tendência externa e caiu em relação ao real, com desmonte de posições compradas. O cenário externo e o câmbio produziram alívio nos juros futuros, sobretudo os longas, que derreteram com o reforço do fluxo vendedor no período da tarde.

Bolsa
A Bovespa conseguiu sustentar alta pela segunda sessão seguida, hoje com a iminência de um acordo no Congresso dos Estados Unidos para a aprovação do pacote de ajuda do governo do país ao sistema financeiro. Aqui, notícias locais envolvendo três das empresas de maior participação no Ibovespa - Petrobras, Vale e BM&FBovespa - também pesaram a favor dos ganhos de quase 4% registrados na sessão. O Ibovespa subiu 3,98% e voltou aos 51 mil pontos, para 51.828,46 pontos. Durante toda a sessão, oscilou apenas no terreno positivo, entre a mínima de 49.848 pontos (+0,01%) e a máxima de 51.867 pontos (+4,06%).

Bush na jogada
Em Wall Street, os principais índices acionários também operaram ontem durante todo o dia, reagindo às indicações de que os líderes parlamentares no Congresso alcançaram um acordo preliminar sobre o socorro de US$ 700 bilhões. Pelo que circulou esta tarde, o que teria sido acertado entre os democratas e republicados não era bem o que queria o governo, que vem pressionando nos últimos dias para que o Congresso passe o socorro do jeito que ele foi concebido. Além do presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, e do secretário do Tesouro, Henry Paulson, que se revezaram no Congresso desde terça-feira para defender o pacote, também o presidente George W. Bush entrou na jogada. E pesado.

Mais falências
Em um pronunciamento de cerca de 15 minutos, ele instou a população a defender o pacote, prevendo uma recessão profunda para a economia caso isso não ocorra. ''Mais bancos podem falir, incluindo alguns em sua comunidade'', advertiu. ''O mercado de ações pode cair ainda mais, o que reduziria o valor da sua conta de aposentadoria'', emendou, focando em pontos que sensibilizariam os cidadãos do país. Mas, depois de inúmeras reuniões ontem, o Wall Street Journal informou que teria sido acertado pelos parlamentares que a ajuda de US$ 700 bilhões será liberada em partes.

Garantias
Mas a última prestação será disponibilizada mediante a efetividade do programa, o que significa que a quantia pode ser bloqueada se assim avaliarem os parlamentares. As fontes do jornal ainda informaram que o acordo poderá exigir que todas as companhias que venham a participar do programa concordem em limitar os pagamentos aos executivos - incluindo restrições as ''indenizações generosas'' e é provável que o governo receba garantias em ativos de todas as companhias que participarem do programa.

Fogo baixo
Se o acordo continuar cozinhando em fogo baixo, os investidores embutirão nos preços dos ativos os indicadores péssimos a respeito da economia norte-americana que têm sido divulgados. Hoje, os três índices conhecidos mostraram muita fraqueza - as encomendas de bens duráveis pelos EUA caíram 4,5% em agosto na comparação com julho, ante queda de 2% prevista; o número de pedidos de auxílio-desemprego aumentou 32 mil na semana encerrada em 20 de setembro (enquanto economistas previam queda de 5 mil), para 493 mil pedidos, o nível mais alto desde 29 de setembro de 2001; e as vendas de imóveis residenciais novos recuaram 11,5% em agosto, para 460 mil, o menor nível em 17 anos.


Câmbio
Os atores foram os mesmos, mas o viés do roteiro no mercado cambial nesta quinta-feira foi outro. O pacote de US$ 700 bilhões do Tesouro dos EUA para resgatar o setor bancário norte-americanos continuou concentrando as atenções dos investidores. Mas, diferente de ontem, os desdobramentos das discussões sobre a questão influenciaram positivamente as operações domésticas, pressionando o dólar para baixo frente ao real.

Agência Estado

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