Petróleo dispara
A Bovespa sucumbiu à deterioração vista nas bolsas americanas e fechou em forte queda, de 2,86%. A alta das ações da Petrobras, sustentada pela disparada nos preços do petróleo, limitou as perdas da Bolsa paulista até o meio da tarde, mas a resistência não foi além do fechamento da sessão regular da Nymex. Daí em diante, os índices acionários da Nyse aprofundaram as perdas e a ação PN da estatal inverteu o avanço. As incertezas sobre o futuro da proposta, que prevê ajuda do Tesouro dos EUA de US$ 700 bilhões para recompra de hipotecas e dívidas podres e elevação de US$ 10,6 trilhões para US$ 11,3 trilhões no limite de endividamento público, deixaram os investidores cautelosos.

Temor
Há temor de que haja entraves para a aprovação no Congresso. Em Nova York, venceu ontem o contrato de petróleo para outubro e os fatores técnicos relacionados ao vencimento distorceram a alta do contrato, que subiu 15,66%, para US$ 120,92 o barril. Pesaram ainda a demanda por petróleo bruto entre as refinarias que se recuperam da paralisação provocada pela passagem de furacões na Costa do Golfo do México e a queda do dólar. A moeda americana registrou expressiva desvalorização ante o euro - que atingia US$ 1,478 no início da noite - e de mais de 2% contra o real. Nos juros futuros, o alívio no câmbio favoreceu a baixa das taxas na sessão regular, mas a liquidez foi bastante restrita.

Bolsa
Durou pouco a euforia com o socorro norte-americano ao sistema financeiro do país. Os detalhes do pacote conhecidos no final de semana e as dificuldades que pode enfrentar para passar pelo Congresso levaram os investidores a voltarem para a defensiva, o que levou as bolsas para baixo em locais como Europa, Estados Unidos e Bovespa. A Bovespa até ensaiou uma elevação na abertura e em vários momentos do pregão ficou no azul. Mas não resistiu: recuou 2,86% no fechamento, aos 51.540,58 pontos, depois de oscilar entre a mínima de 51.530 pontos (-2,87%) e a máxima de 53.455 pontos (+0,75%). No mês, as perdas somam 7,43% e, no ano, 19,32%. O giro financeiro totalizou R$ 5,352 bilhões.

Socorro
Em Wall Street, as bolsas caíram não só pelos temores com o que vai ser destrinchado do pacote de socorro financeiro como também da disparada do preço do petróleo. Os contratos futuros da commodity registraram a maior alta em um dia na história da New York Mercantile Exchange (Nymex), impulsionados por um frenesi de compras nas transações de baixa liquidez do contrato para outubro, que venceu no encerramento da sessão viva-voz. Segundo operadores, o movimento anormal refletiu a demanda por petróleo bruto entre as refinarias que se recuperam da paralisação provocada pela passagem de furacões na Costa do Golfo do México e os recentes movimentos do mercado. No fechamento, o contrato para outubro subiu 15,66%, para US$ 120,92.


Dúvidas
Os investidores ainda avaliam que o pacote pode ficar mais caro, se for incluída medida que também beneficie os mutuários com problemas. Hoje vai ser o dia em que parte destas dúvidas poderá ser sanada, já que o presidente do Fed, Ben Bernanke, e o secretário do Tesouro, Henry Paulson, falarão ao Comitê de Bancos do Senado, a partir das 10h30 (de Brasília). Na quinta-feira, eles voltam ao Congresso, mas para falar aos deputados, embora, amanhã, Bernanke estará de novo com os parlamentares, numa audiência do Comitê Econômico Conjunto do Congresso. Se eles conseguirem tranquilizar os ânimos, as bolsas podem se recuperar.


Bovespa
Para hoje, a Bovespa deve de fato começar a funcionar após o depoimento de Bernanke e Paulson, o que deve gerar alguma morosidade na abertura. A Bolsa doméstica, no entanto, vem conseguindo resistir bem à crise e alguns bancos já voltaram a fazer recomendações de compra, caso do Deutsche. Em relatório, o estrategista da instituição Guilherme Paiva eleva a recomendação para as ações brasileiras para ''overweight'' e aumenta o preço-alvo para o Ibovespa no final do ano - de 55.000 pontos para 60.000 pontos. O profissional também recomenda aos investidores elevarem sua exposição a papéis atrelados ao crescimento econômico mundial.


Câmbio
O mercado cambial começou a semana com o cansaço que uma pessoa apresenta após ter passado a noite em claro - no caso, a última semana. O volume reduzido e o alinhamento à trajetória externa de desvalorização do dólar corroboraram o clima de ''ressaca'' nas mesas de operações domésticas. Após uma semana em que a cotação chegou a oscilar quase 9%, o Banco Central realizou leilão de venda após cinco anos sem lançar mão desse tipo de instrumento e o noticiário sobre o setor financeiro dos Estados Unidos não deu descanso, incluindo a quebra de um importante banco de investimentos, muitos players - em especial os que se machucaram nos últimos dias - preferiram ficar de fora dos negócios nesta sessão.


Agência Estado

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