Bovespa dispara
Os mercados comemoraram o anúncio de medidas em várias frentes a serem tomadas pelo governo dos Estados Unidos para estancar o efeito cascata da crise financeira. As bolsas tiveram alta firme por todo o mundo. No Brasil, o Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) disparou 9,57%, o maior ganho em um só dia em quase dez anos, o que lhe assegurou alta de 1,26% na semana.

Dólar desaba
O dólar desabou mais de 5% - a maior baixa desde agosto de 2002, para o nível de R$ 1,83, ajudado ainda pelos leilões de venda da moeda conjugados com compra futura realizados pelo Banco Central. No entanto, a queda de ontem não impediu que na semana a moeda americana acumulasse avanço de 2,80%. Os juros futuros longos também mostraram recuo expressivo, devolvendo, no entanto, apenas parte do estresse visto nos últimos dias.

Plano
Autoridades norte-americanas divulgaram um plano para auxiliar o mercado de crédito por meio da aquisição de ativos podres das instituições financeiras. Além disso, a Securities and Exchange Commission (SEC) proibiu as vendas a descoberto de papéis dos bancos. O Tesouro dos EUA também anunciou um amplo programa temporário para dar sustentação ao setor de fundos mútuos de mercados monetários (dívida de curto prazo). O aumento do apetite pelo risco fortaleceu o euro e provocou recuo nos preços dos Treasuries, com significativo avanço dos juros.


'Proer Tio Sam'
O ''Proer do Tio Sam'', nas palavras de um operador de câmbio local, garantiu a euforia no último pregão da semana nos mercados mundiais, o que se refletiu em uma forte correção de baixa do dólar frente ao real nas operações domésticas - um dia após a cotação ter ameaçado testar os R$ 2. De acordo com levantamento do AE Taxas, a queda de 5,13% registrada na cotação do balcão, que levou a moeda a R$ 1,8310 no fechamento, representa a maior variação negativa desde 1º de agosto de 2002 - quando houve uma baixa de 9,51% no preço da divisa.



Sustentação

A notícia de que o Departamento do Tesouro dos EUA anunciou um amplo programa temporário para dar sustentação ao setor de fundos mútuos de mercados monetários (dívida de curto prazo), em resposta às preocupações que a crise financeira global possam afetar estes ativos historicamente seguros, empolgou os mercados ontem. Pelo programa, o Tesouro irá dar garantia aos ativos de qualquer fundo de mercados monetários oferecido publicamente. Os fundos deverão pagar uma tarifa para participar do programa.

Conjugados
Mas nem só do cenário externo vieram fatores favoráveis à queda do dólar no mercado brasileiro. Conforme anunciado ontem, o Banco Central retomou ontem leilões de venda de dólares conjugados com compra futura. Foram duas operações: na primeira, vendeu US$ 200 milhões, da oferta inicial de US$ 500 milhões. Segundo o BC, foram aceitas apenas duas propostas, nas quais a taxa máxima de recompra ficou em R$ 1,851100. Os dólares foram vendidos com taxa de R$ 1,8380 e a liquidação da venda será em 23 de setembro. No segundo leilão, o BC colocou integralmente o lote de US$ 300 milhões.

Propostas
Segundo o BC, foram aceitas seis propostas, nas quais a taxa máxima de recompra ficou em R$ 1,839953. Os dólares foram vendidos com taxa de R$ 1,8270 e a liquidação da venda será em 23 de setembro. As duas operações têm data de recompra marcada para 23 de outubro. A última vez que o BC havia realizado esse tipo de leilão foi em 27 de fevereiro de 2003. Mas, conforme apurou a Agência Estado, a motivação de retomar esse instrumento é bem diferente da que prevaleceu no auge do processo eleitoral que elegeu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.


Epicentro
Naquela época, o Brasil era o epicentro de uma crise financeira desencadeada pelo chamado ''risco político'' representado pela vitória do PT à sucessão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Hoje, o risco não é político e tampouco o Brasil ''é a crise''. O leilão de ontem foi para garantir liquidez às operações de comércio exterior. Para o operador de uma grande corretora, a decisão do BC em voltar ao mercado para prover liquidez não foi precipitada, conforme alguns analistas consideraram ontem.

Especulação
O fato de o BC não ter conseguido vender o lote integral de US$ 500 milhões no primeiro leilão mostra que a alta da moeda não está sendo causada pela falta de liquidez, mas por um movimento de especulação. ''Se a falta de liquidez fosse tão grande assim, os US$ 500 milhões teriam sido vendidos rapidamente'', considerou. O anúncio do leilão fez o contrato futuro com vencimento em outubro abrir a R$ 1,866, de R$ 1,891 ontem e mergulhar ao longo da manhã até chegar ao piso permitido de R$ 1,845479 perto das 11 horas, considerando o limite de oscilação de 5% permitido para um único dia pela BM&F. Ao bater nesse nível, o mercado parou.

Agência Estado

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