MERCADO FINANCEIRO
Dólar dispara
A ausência de vendedores no mercado de câmbio doméstico levou o dólar a uma nova disparada, o que levou o Banco Central a agir. Em Nova York, o presidente Henrique Meirelles, informou que a autoridade monetária promoverá leilões de venda de dólares conjugados com compra futura para corrigir distorções de liquidez. A ação do BC foi bem recebida e ajudou a abrandar a forte valorização do dólar que, ainda assim, fechou a R$ 1,93 (+3,32%), o patamar mais alto desde 10/9/2007, sem que o mercado tivesse conhecimento dos detalhes da operação. No início da noite, o BC informou que ofertará hoje até US$ 500 milhões em leilão com recompra no dia 23 de outubro.
Tensões
Também ajudaram a amenizar um pouco as tensões as informações de que o governo americano estuda a criação de um plano para adquirir as dívidas podres das instituições financeiras, o que permitiria aos bancos limpar seus balanços. As bolsas ampliaram a alta tanto aqui quanto em Nova York, favorecidas ainda pelas ações tomadas pelas instituições para inibir as vendas a descoberto. A Bovespa disparou 5,48%. Nos juros futuros, as novidades repercutiram de forma mais intensa no after market, em que as taxas devolveram parte do expressivo avanço visto na sessão regular.
Câmbio
O dólar à vista disparou frente ao real ontem, reflexo de mais um capítulo da falta de vendedores no mercado cambial. Na máxima, chegou a R$ 1,9620 no balcão (+5,03%). A expressiva alta nas taxas de FRA (Forward Rate Agreement) de cupom cambial, referência para o juro em dólar no Brasil, referenda a falta de oferta da divisa americana nas operações domésticas. Nesse cenário, o Banco Central decidiu intervir e, de Nova York, o presidente da autoridade monetária, Henrique Meirelles, anunciou a decisão de promover leilões de venda de dólares conjugados com compra futura. A ação visa a corrigir distorções de liquidez no mercado.
Giro
No fechamento, o dólar no balcão registrou elevação de 3,32%, a R$ 1,93 - o maior valor desde 10 de setembro de 2007 (R$ 1,946). Na mínima, a moeda registrou R$ 1,8670 (-0,05%). Com a elevação ontem, a divisa já registra ganho de 18,19% no mês de setembro. Na roda da BM&F, o pronto aumentou 3,71%, a R$ 1,93. Na máxima, chegou a R$ 1,9605 (+5,35%) e na mínima, a R$ 1,8691 (+0,43%). De acordo com informações do mercado, o giro interbancário somou US$ 5,462 bilhões, sendo US$ 5,162 bilhões em D+2.No mercado futuro, os seis vencimentos negociados registraram valorização, contabilizando US$ 27,74 bilhões (sem ajuste).
Racionalidade
''A ação do BC é uma notícia positiva porque com tal operação ele dá liquidez ao mercado'', afirmou o economista-sênior do Santander, Maurício Molan. Ele acrescenta que, neste momento de forte desalavancagem de posições para gerar caixa, sem focar em fundamentos, a única fonte que pode interromper esse círculo vicioso é a ação de uma entidade que costuma ficar de fora do mercado, como o governo. ''Isso traz alguma racionalidade'', avalia.
Liquidez
Na entrevista, em Nova York, Meirelles afirmou que ''a liquidez continua normal em reais, com bom funcionamento da economia brasileira''. ''Agora, existe, não há dúvida, uma questão de liquidez em dólar nos EUA, que é o grande provedor de dólares, e isso se reflete nas linhas interbancárias de dólares'', admitiu. ''Em função disso, o BC reagiu e tomou a decisão hoje de promover leilões de venda de dólares conjugados com compra futura. Isto é, o BC vai prover liquidez'', explicou.
Operção
Na última operação, a oferta do BC previa venda de até US$ 200 milhões. Feitas as propostas, no entanto, o BC aceitou vender US$ 92 milhões, com taxa de corte de R$ 3,6535. Conforme edital do leilão de dólar realizado em 27 de fevereiro de 2003, a moeda norte-americana só poderia ser vendida aos bancos que aceitassem a oferta conjugada com a venda posterior em montante idêntico ao adquirido na ocasião. Na última oferta, a revenda aconteceu 27 dias corridos após a compra.
Internacional
O cenário internacional também não deu alívio, sustentando volatilidade. A injeção de bilhões de dólares no sistema financeiro pelos principais bancos centrais globais teve um impacto positivo, mas não evitou a piora dos humores. Os mercados acionários, em especial Nova York, ainda oscilariam entre os territórios negativo e positivo antes de firmarem trajetória ascendente, após informações sobre um suposto plano para criação de um fundo do governo dos EUA para assumir as dívidas podres dos bancos e as iniciativas para limitar as vendas a descoberto dos papéis financeiros.
Juros
A recuperação vista nas bolsas aqui e nos EUA não se repetiu no mercado de renda fixa doméstico e, com isso, dólar e juros futuros de longo prazo fecharam com taxas bastante elevadas nesta quinta-feira. Nos juros, a ata do Copom, apesar de considerada atualizada em relação às incertezas do cenário externo, não chegou a fazer preço, com os investidores voltados totalmente aos fatores técnicos que há dias vêm dando tom aos negócios. Em mais uma sessão de forte liquidez, a curva seguiu empinando, refletindo mais movimentos de zeragem de posições. O DI janeiro de 2010 (347.585 contratos) disparou a 15,30%, de 14,85% ontem, enquanto o DI janeiro de 2012, com 109.175 contratos, subiu de 14,80% para 15,32%.





