Baixa acentuada
Londres- As principais bolsas européias fecharam em baixa acentuada nesta quarta-feira, após uma sessão de elevada volatilidade, com o cenário financeiro se ajustando aos eventos históricos da semana, segundo traders e analistas. Os índices de ações apagaram os ganhos iniciais - obtidos em reação à intervenção do governo dos EUA na gigante seguradora American International Group - e atingiram as mínimas em 52 semanas, com os mercados ponderando sobre a possível fusão dos bancos britânicos Lloyds TSB e HBOS.

Ações
As ações do HBOS, o maior banco hipotecário do Reino Unido, despencaram 19,18% depois de uma sessão extremamente volátil, em que as ações alcançaram uma máxima intraday de 214 pences e depois despencaram para uma mínima de 88 pences, antes de fecharem a 147 pences. O banco confirmou que está em negociações que podem resultar em uma oferta do Lloyds TSB. Tal operação criaria uma instituição de empréstimo com controle sobre pouco menos de um terço do mercado hipotecário do Reino Unido. As ações do Lloyds ficaram estáveis.

Pechincha
Ao contrário da maioria de seus pares, as ações do Barclays subiram 3,17% depois de ter confirmado a compra de ativo do Lehman Brothers. O Barclays planeja captar 600 milhões de libras para comprar o negócio de banco de investimentos, operações e pesquisa e renda fixa e venda de ações do Lehman Brothers na América do Norte. Um analista do Dresdner Kleinwort, Folkert Jan Van Der Veer, disse que isso não apenas acelera os conhecidos planos do Barclays de expansão na América do Norte, mas o banco também obteve uma pechincha pelos ativos.


Desempenhos
As ações financeiras da Europa no geral registraram desempenhos desiguais, com o mercado lutando para manter o otimismo com relação à saga da AIG. Em Amsterdã, as ações do Fortis caíram 9,96% e as da Aegon recuaram 5,92%. Contudo, as ações da Zurich Financial Services subiram 2,88% na Bolsa de Zurique, enquanto em Frankfurt as ações da Munich Re avançaram 1,13%.

Rússia
O banco central da Rússia informou que está reduzindo o compulsório, numa tentativa de ampliar a liquidez do sistema financeiro. Enquanto isso, as taxas para a tomada de empréstimos no interbancário seguem elevadas no país, girando em torno de 8,5% a 11% ontem para as instituições de primeira linha, segundo o Trust Investment Bank. ''Para a maioria dos bancos, as taxas estão infelizmente muito mais altas, entre 15% e 17%'', disse o economista-chefe do banco, Evgeny Nadorshin. A Rússia tem sido duramente atingida pela crise financeira mundial.


Liquidez
Os bancos centrais do Japão e da Austrália voltaram a injetar recursos no mercado financeiro ontem, buscando garantir a liquidez doméstica em meio à turbulência em Wall Street. As medidas complementam as que foram adotadas ontem pelos bancos centrais dos países mais ricos do mundo, que tiveram de injetar US$ 210 bilhões para acalmar os mercados. O Banco do Japão colocou mais 2 trilhões de ienes (US$ 18,791 bilhões), um dia depois de ter realizado duas injeções num total de 2,5 trilhões de ienes e de divulgar um comunicado manifestando a intenção de ajudar os mercados japoneses a enfrentar a crise financeira dos EUA.

interbancária

No Japão, a taxa de juro interbancária (overnight call rate) oscilava entre 0,55% e 0,72% no momento em que o banco central realizou as injeções, bem acima da meta da instituição, de 0,50%. Na terça-feira, a taxa de juro interbancária era de 0,524%. As taxas também subiam na Austrália, onde o juro interbancário de 3 meses avançava 7 pontos-base, para 7,2567%. O Banco do Japão conclui ainda ontem sua reunião de política monetária, e a expectativa é que a instituição mantenha a taxa básica de juro inalterada em 0,50%. As informações são da Dow Jones.

Empréstimo
O Federal Reserve de Nova York emprestará até US$ 85 bilhões para evitar a falência da American International Group Inc. (AIG), umas das maiores seguradoras do mundo, informou na noite de terça-feira o conselho de diretores do Federal Reserve. Em troca, o banco ficará com 79,9% de participação na seguradora.

'Apoio total'
O Fed aprovou o acordo com ''apoio total'' do Tesouro americano, segundo comunicado divulgado pela instituição. A linha de crédito de 24 meses terá como garantia todos os ativos da AIG e suas principais subsidiárias não regulamentadas, e inclui condições para proteger o governo dos Estados Unidos e os contribuintes. ''O conselho determinou que, nas atuais circunstâncias, a falência desordenada da AIG poderia elevar a fragilidade do mercado financeiro e provocar uma alta substancial nos custos dos empréstimos, redução da poupança familiar e um desempenho econômico substancialmente enfraquecido'', disse o Fed.

Limitar falhas
O Secretário do Tesouro, Henry Paulson, manifestou seu apoio às medidas do Federal Reserve e disse que a decisão tem como objetivo limitar as falhas do mercado e ao mesmo tempo proteger o dinheiro dos contribuintes. ''Estes são momentos desafiadores para nossos mercados financeiros'', afirmou o secretário.

Com Agências

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