MERCADO FINANCEIRO
Unanimidade
O Fomc não ratificou as expectativas crescentes do mercado e manteve a taxa básica de juros em 2% e a de redesconto em 2,25%, por unanimidade. Argumentou, em seu comunicado, que os riscos de baixa para o crescimento e os de alta para a inflação são ambas preocupações significativas ao Comitê, fazendo, no entanto, poucas menções à recente rodada de turbulência nos ativos financeiros. A uma reação inicial negativa - muita gente já estava posicionada para uma redução de pelo menos 25 pontos-base - seguiu-se uma recuperação firme nas bolsas americanas, que resgatou a Bovespa do terreno negativo, onde passara a maior parte da sessão.
Intervenção
No final dos negócios, os índices de ações em Nova York subiram mais de 1%, assim como a Bolsa paulista, enquanto dólar e juros longos moderaram as altas. A percepção de que o Fomc evitou baixar a meta dos Fed Funds agora porque antevê um desfecho positivo para a situação crítica da seguradora AIG, reforçada pelos rumores de socorro do governo para a empresa, e a notícia de que o inglês Barclays comprará a unidade de capitais do Lehman Brothers, sustentaram melhora do mercado. No início da noite de ontem, informações extra-oficiais davam conta de que o Tesouro e o Fed estariam estudando intervenção na AIG.
Bolsa
A terça-feira amanheceu como um repeteco da segunda-feira, com as bolsas desabando na Ásia e Europa. E esse comportamento tinha tudo para se repetir nos Estados Unidos e na Bovespa, onde as ações também despencaram em boa parte da sessão. A bóia de salvação que permitiu um fechamento em alta veio da interpretação do resultado da reunião do Fomc. Embora o Federal Reserve tenha mantido a taxa básica de juros inalterada em 2% ao ano, quando o mercado, unânime, previa corte de 0,25 ponto porcentual, a análise predominante foi a de que a autoridade estaria guardando munição para o futuro já que conhece os rumos no curtíssimo prazo. E ele passa por uma solução para a gigante AIG.
Concordata
Depois que o Lehman Brothers pediu concordata e o Merrill Lynch foi vendido para o Bank of America (BofA), o mercado começou a apostar suas fichas de que o próximo a tombar seria a AIG, que teve segunda seu rating rebaixado por três agências de classificação de risco. A instituição precisa levantar cerca de US$ 80 bilhões para fazer frente às suas necessidades de caixa e, ontem, notícias não confirmadas informavam que o Federal Reserve, que não abriu a mão para o Lehman no final de semana, seria mais generoso com a maior seguradora norte-americana. O Fed não confirmou as informações, mas o mercado, após ter em mãos a decisão sobre juros do Fomc, juntou dois e dois.
Liquidez
Uma das análises para a decisão conservadora do BC norte-americano com os juros teria passado justamente por uma solução para a AIG. A correspondente da AE em Nova York, Nalu Fernandes, ouviu de alguns especialistas em Wall Street que o Fed teria conhecimento do plano que estaria sendo costurado para beneficiar a seguradora, em combinação com a decisão do Barclays de comprar algumas unidades do Lehman Brothers. Outra hipótese é que o Fed estaria preferindo combater problemas de liquidez com ferramentas de liquidez e deseja economizar corte de juro para uma eventualidade mais para frente no ano.
Câmbio
A ''melhora'' do mercado ao longo do dia ontem pode ser comparada com um paciente que acaba de passar por uma cirurgia e está na sala de pós-operatório, mas em coma. Os médicos ainda precisam aguardar a reação aos procedimentos adotados para saber se o paciente reagirá conforme o esperado. No segmento cambial doméstico, essa ''estabilização'' se deu com a desaceleração expressiva do dólar no fechamento das operações, após o pronto atingir R$ 1,8550 no balcão e R$ 1,852 na BM&F, nas máximas do dia. No balcão, encerrou em alta de 0,33%, R$ 1,82, perto da mínima de R$ 1,8170.
Vender dólares
De volta ao ambiente brasileiro, o Banco Central voltou a não realizar leilão de compra no mercado à vista - pela quarta sessão consecutiva. Em entrevista ao Jornal da Globo, ontem, o presidente do BC, Henrique Meirelles, explicou que desde 2004 a instituição vinha comprando dólares para aumentar as reservas e, assim, melhorar a resistência do País contra a crise. Mas, recentemente, optou por suspender a compra da moeda americana, a fim de não adicionar ainda mais volatilidade ao mercado. Meirelles admitiu, entretanto, que se houver necessidade, o BC poderia voltar a vender dólares ao mercado.
Juros
Os juros futuros passaram praticamente toda a sessão em alta, tendo ensaiado movimento de queda no início dos negócios que, no entanto, não vingou. A parte longa da curva, leia-se DI janeiro de 2012, continuou acompanhando de perto as oscilações dos ativos no mercado externo, enquanto os curtos tiveram influência positiva do noticiário doméstico para operarem com avanço comedido. Na BM&F, o vencimento mais líquido continuou sendo o DI janeiro de 2010 (201.895 contratos), que encerrou estável em 14,63%.





