Quebradeira
Os sinais de quebradeira em cascata no sistema financeiro nos EUA e o temor de alastramento para outras regiões provocaram sangria nas bolsas, como há muito não se via, na véspera da decisão do Fomc. Em Nova York, os principais índices fecharam nas mínimas do dia, com o Dow Jones (-4,42%) na maior queda porcentual desde julho de 2002 e o S&P 500 (-4,75%) com o recuo mais expressivo desde os ataques de 11 de setembro, em 2001. Ao pedido de concordata do Lehman Brothers e da compra do Merrill Lynch pelo Bank of America, no início do dia, sucedeu-se uma fila de notícias a respeito do sistema financeiro, com destaque para a reunião de emergência de representantes do Tesouro americano, de bancos privados e de representantes da AIG para tentar salvar a seguradora, a maior dos EUA.

Crise sistêmica
A empresa tenta obter um empréstimo-ponte de US$ 40 bilhões, mas até o final do dia não havia informações sobre o encontro. A crise sistêmica acentuou a aversão ao risco e provocou corrida aos Treasuries, cujas taxas derreteram a níveis mínimos recordes. E aguçou as tensões sobre qual será a decisão do Fomc hoje, com corte dos Fed Funds considerado factível pelos analistas. Aqui, a Bovespa desabou 7,59%, também a maior queda desde 11 de setembro de 2001, derrubada ainda pelo tombo nos preços das commodities - o petróleo recuou mais de 5% em Nova York e terminou pela primeira vez abaixo de US$ 100 por barril desde março. O dólar avançou e chegou a furar R$ 1,82 ao longo do dia, e os juros futuros longos também fecharam em alta, enquanto os curtos cederam.

Bolsa
A trégua que as reservas estimadas de petróleo para o campo de Iara tinham proporcionado ao mercado doméstico de ações nos últimos pregões da semana passada se dizimou completamente nesta segunda-feira, diante do caos que se transformou o mercado internacional com as notícias geradas no sistema financeiro norte-americano. Se os rumores já eram suficientes para fazer os investidores venderem papéis em mercados emergentes como o Brasil, os fatos concretos do pedido de concordata do Lehman Brothers e a venda do Merrill Lynch para o Bank of America (BofA) levaram a uma fuga do risco.


Maior queda
O Ibovespa perdeu 7,59%, a maior queda desde 11 de setembro de 2001, quando havia recuado 9,17%. Em pontos, a Bovespa retornou aos 48 mil pontos, para 48.416,33 pontos. Na máxima do dia, registrada na abertura, o índice operou praticamente estável, aos 52.386 pontos (-0,01%) e, na mínima, tocou os 48.409 pontos (-7,60%). No mês, a Bolsa acumula perdas de 13,05% e, no ano, de 24,21%. O giro financeiro somou R$ 6,570 bilhões, dos quais R$ 1,167 bilhão refere-se ao vencimento de opções sobre ações.


Lehman Brothers
As notícias de que o Lehman Brothers não conseguiu costurar um acordo no final de semana para resolver seus problemas de caixa e de que o Bank of America (BofA), um dos candidatos para a compra, decidiu focar outro alvo um pouco menos problemático, o Merrill Lynch, arrasaram as bolsas ao redor do mundo. O governo norte-americano não aceitou injetar dinheiro no quarto maior banco de investimentos do país, como havia feito no Bear Stearns, em março, optando por reduzir o risco moral. A operação, entretanto, ampliou o risco sistêmico ao reforçar a pergunta: quem será o próximo a cair? O Federal Reserve até tentou mitigar os efeitos da crise com um pacote para prover mais liquidez ao sistema.


Protagonista
Além dos bancos, o setor financeiro também teve uma seguradora como protagonista dos problemas. A AIG está tentando conseguir dinheiro para sua operação e já obteve autorização do Fed de Nova York para o acesso a US$ 20 bilhões em capital de suas subsidiárias para cobrir suas necessidades operacionais. Uma reunião entre a empresa, o Fed-NY, o Tesouro dos EUA e autoridades reguladoras do setor de serviços aconteceu durante toda a tarde, sem desfecho. As bolsas tombaram por todos os continentes. Em Wall Street, os indicadores fecharam na mínima pontuação do dia: o Dow Jones recuou 4,42%, aos 10.917,51 pontos, na maior queda em pontos (504,48 pontos) desde os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001 e a maior queda porcentual (4,42%) desde julho de 2002.

Perdas aceleram
Os principais índices de ações aceleraram as perdas na última hora de pregão, arrastados pela queda livre do setor financeiro e fraqueza das ações de energia. As perdas foram ampliadas no finalzinho da sessão com a queda livre do setor financeiro e fraqueza das ações de energia. ''A crise financeira se tornou 'sistêmica''', disse à Dow Jones Richard Bernstein, estrategista-chefe de investimentos do Merrill Lynch.



Refugiados
Os investidores se refugiariam nos Treasuries norte-americanos, com preços em alta e, consequente queda nos juros. O T-Note de 2 anos foi o mais procurado, com os juros tombando mais de 20%. Os investidores também passaram a precificar um corte na taxa de juros pelo Federal Reserve amanhã, com 66% de chances, de 2% para 1,75% ao ano. Esta seria mais uma medida para o governo norte-americano tentar dissipar a crise, além do pacote para prover mais liquidez aos mercados anunciado domingo.

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