Indecisão
A indecisão das bolsas americanas ao longo da sessão não afetou o ímpeto da Bovespa, que emplacou a terceira alta seguida. As estimativas da Petrobras para o Campo de Iara continuaram reverberando sobre as ações da estatal, ajudando a Bolsa paulista a subir. Também pesaram favoravelmente a valorização das commodities e o aumento do peso do Brasil na carteira de ações emergentes do Morgan Stanley, além das operações ligadas ao vencimento de opções na segunda-feira. Com o ganho de 2,19% ontem, o Ibovespa acumula alta de 0,87% na semana, mas ainda tem perda de 5,90% no mês.

Sobe-e-desce

Em Wall Street, o dia foi de muito sobe-e-desce e o Dow Jones acabou fechando com leve queda. O setor financeiro foi destaque no noticiário corporativo. Segundo informações extra-oficiais, instituições como o Bank of America e o Barclays estariam interessados na compra do Lehman Brothers, que deve ser fechada neste final de semana, segundo expectativas do mercado, e não deve ter ajuda do governo americano. A perspectiva de desfecho para a situação crítica do banco de investimento contribuiu para o alívio na aversão ao risco que vem pressionando o dólar há dias e a moeda americana encerrou a série de altas, terminando ontem abaixo de R$ 1,80.



Bolsa

A revelação das estimativas para o campo de Iara, o aumento do peso do Brasil na carteira de ações emergentes do Morgan Stanley, a recuperação das commodities e o vencimento de opções sobre ações, na segunda-feira, conseguiram sustentar a Bovespa em alta pelo terceiro pregão seguido e garantir ganhos também na segunda semana do mês, embora ainda tímidos para anular as perdas de setembro. Empurrada por Petrobras, Vale, BM&FBovespa e siderúrgicas, a Bovespa subiu 2,19%, aos 52.392,86 pontos. Oscilou entre a mínima de 50.789 pontos (-0,94%) e a máxima de 52.591 pontos (+2,55%).


Vendas
As vendas no varejo da China subiram 23,2% em agosto, ante 23,3% em julho - na Índia, outro emergente, a produção industrial subiu 7,1% em julho. Com essas taxas de crescimento, o Brasil pode ter uma trégua, já que o consumo de suas matérias-primas estaria garantido, ao menos em parte. A recuperação da metade para o final desta semana não significa que a volatilidade e os problemas foram extintos: esse cenário pode continuar na próxima semana, principalmente se nada for decidido a respeito do Lehman. ''Mas se a compra for efetivada, o cenário é positivo. As commodities também podem se recuperar com o enfraquecimento do dólar'', comentou Rafael Moysés, gestor da corretora Umuarama.

Câmbio
Depois de quatro altas consecutivas, ontem o dólar à vista no balcão voltou para o terreno negativo e encerrou o dia com queda de 1,87%, a R$ 1,7810. A notícia de que o governo norte-americano estaria prestes a resolver a situação de um dos maiores bancos do país, o Lehman Brothers, influenciou o comportamento da divisa no mundo. Ainda, dados ruins dos EUA fizeram crescer, mais uma vez, o temor de que a economia nos países desenvolvidos pode crescer menos do que o esperado, o que ajudou o euro a subir em relação ao dólar.

Dólar
Domesticamente, a divisa se manteve em queda durante todo o dia refletindo, segundo fontes, ajuste de posição depois do forte avanço da semana até ontem. ''A notícia do Lehman ajudou, mas a forte alta da moeda esta semana levou os investidores a fazerem ajustes de posições'', disse o operador de uma corretora, ressaltando, no entanto, que a expectativa quanto ao banco dos EUA é de que a situação se resolva neste fim de semana. ''Se nada acontecer no fim de semana, o dólar deve iniciar a semana em alta, pressionado'', estima o profissional. No balcão, a divisa norte-americana variou entre a mínima de R$ 1,7760 e a máxima de R$ 1,8050.

Exagero

Segundo apurou a jornalista Cristina Canas, o dólar acima de R$ 1,80 é considerado exagero e um sinal de que essa aceleração está sendo encarada desta forma foi a presença de exportadores no mercado. Segundo operadores de câmbio que trabalham com clientes de comércio exterior, a venda de dólares ontem ficou muito acima do habitual. Isso indica que os exportadores consideraram a taxa boa e que não acreditam que se manterá por muito tempo.

Declínio
Outro indicador importante divulgado ontem, também desfavorável ao dólar, foi a queda de 0,9% do índice de preços ao produtor nos EUA em agosto ante julho, o maior declínio mensal desde outubro de 2006. Como quinta, ontem Banco Central também não realizou o leilão de compra de dólares no mercado. Foi a segunda vez, desde 5 de outubro de 2007, em que a autoridade monetária decidiu não comprar dólares. Naquela data, a cotação do dólar estava em torno de R$ 1,80. Segundo apurou a correspondente em Nova York, Nalu Fernandes, a ausência do BC no mercado envia o sinal de que a autoridade monetária pode estar desconfortável com o nível da moeda brasileira ou com o ritmo da depreciação recente, de acordo com analistas nos EUA.

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