Bovespa recupera
A Bolsa brasileira teve um dia bastante instável hoje. Os investidores oscilaram em se ''render'' ao pessimismo com a economia global, ou tentar uma recuperação, num momento em que o principal indicador do mercado acumula queda de 24%. Prevaleceu, no entanto, a chamada busca por ''barganhas'', quando os agentes financeiros aproveitam para embolsar ações que desvalorizaram demais no curto prazo. O Ibovespa, termômetro da Bolsa paulista, avançou 2,47% e atingiu os 49.633 pontos. O giro financeiro foi alto --de R$ 6,23 bilhões, acima da média do mês (R$ 4,5 bilhões/dia) e do ano (R$ 5,90 bilhões/dia).
A recuperação de hoje foi puxada principalmente pelas ações do setor de mineração e das siderúrgicas. A ação da Vale do Rio Doce valorizou 5,72%, enquanto a ação ordinária da CSN subiu 4,21%. O ativo da Usiminas teve alta de 2,08%.


Margem
As companhias listadas na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), no geral, terão dificuldades em aumentar suas margens operacionais ao longo do terceiro trimestre e devem registrar indicadores no máximo estáveis em relação ao apurado no segundo trimestre, conforme avaliação de analistas consultados pela Agência Estado. Esse comportamento, segundo os especialistas, deverá ser motivado pela manutenção da pressão dos custos de produção e pela maior dificuldade em repassar eventuais altas dos insumos ao preço final de seus produtos, em razão da desaceleração da economia mundial.

Rentabilidade
Um ou outro setor, conforme os especialistas, poderá passar ao largo dessa previsão e mostrar resultados mais robustos, em termos de rentabilidade, neste terceiro trimestre. É o caso das siderúrgicas, que já no período de abril a junho conseguiram melhorar margens ao direcionar um volume maior de vendas para o mercado interno, que oferece maior retorno. Também o setor elétrico é apontado como um provável candidato a apresentar melhora de rentabilidade, ao longo do semestre, em razão da revisão tarifária superior ao que se esperava na esteira do IGP-M mais forte no início do ano.

Desafiador
Ainda assim, para a corretora Ativa, em linhas gerais, o cenário é desafiador. ''As commodities continuam pressionadas pelo cenário de demanda mundial e devem impactar de forma diferenciada as empresas (produtoras e consumidoras)'', avalia em relatório, lembrando ainda que a provável valorização do dólar frente ao real deve ser um dos destaques do período. ''Diante desse cenário, não consideramos que as empresas conseguirão reverter tendência de queda nas margens operacionais consolidadas no terceiro trimestre'', acrescenta.


Matérias-primas
Na avaliação do gerente de análise da Prosper Corretora, André Segadilha, a receita líquida das companhias deverá crescer frente ao segundo trimestre, já que o período de julho a setembro é, sazonalmente, o mais forte para o setor produtivo. Entretanto, destaca o especialista, os preços das matérias-primas deverão seguir em alta, mesmo com o recuo recente no preço das commodities, o que deve ser prejudicial para as margens. ''Os custos seguirão em alta, porque as empresas ainda não tiveram como renegociar contratos com fornecedores de matérias-primas'', afirma Segadilha. ''As margens tendem a se manter estáveis em relação ao segundo trimestre'', acrescenta.

Queda
As principais bolsas européias fecharam em queda nesta quarta-feira, pressionadas pelas preocupações com os mercados de crédito e com uma possível recessão na Europa. Os índices ficaram voláteis durante toda a sessão, enquanto os investidores digeriam o resultado ruim do terceiro trimestre do banco de investimentos norte-americano Lehman Brothers, que provocou a baixa das ações dos grandes bancos europeus. ''Até termos sinais claros de que o setor financeiro dos Estados Unidos realmente se ajustou, nós veremos esse tipo de volatilidade na Europa.

Londres
A Bolsa de Londres fechou com o índice FTSE 100 em queda de 49,40 pontos (-0,91%), a 5.366,2 pontos. Os bancos britânicos foram prejudicados pelo anúncio do balanço do Lehman Brothers. HBOS caiu 2,8%, Barclays recuou 5,3% e o Royal Bank of Scotland cedeu 3,6%. Com a queda dos contratos futuros do ouro, as ações das mineradoras foram pressionadas, o que levou Kazakhmys a cair 8,8% e a BHP Billiton a perder 1,4%.


Frankfurt
Na Bolsa de Frankfurt, o índice Dax 30 fechou em baixa de 23,09 pontos (-0,37%), aos 6.210,32 pontos. Os temores em relação a uma recessão na zona do euro também predominaram na bolsa alemã. Deutsche Bank caiu 1,6% e Allianz cedeu 2,2%. No terreno positivo, Deutsche Postbank subiu 4,1%, depois de o jornal Wall Street Journal informar que o Deutsche Post, que controla o Postbank, poderá vender sua participação no banco alemão na sexta-feira.

Paris
O índice CAC 40, da Bolsa de Paris, fechou em queda de 9,68 pontos (-0,23%), aos 4.283,66 pontos, prejudicado pelas ações do setor financeiro, de acordo com um trader. Credit Agricole caiu 4,8%, Société Générale cedeu 4,1%, Dexia perdeu 3,4%, BNP Paribas declinou 2,1% e Axa registrou -1,2%. O Credit Agricole também foi afetado negativamente pelo anúncio de cortes de postos de trabalho em sua unidade Calyon. A farmacêutica Sanofi-Aventis, por outro lado, teve alta de 7,2% após informar que terá um novo CEO.

Das Agências

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