MERCADO FINANCEIRO
Commodities caem
A Bovespa passou por uma liquidação geral ontem, o que derrubou o principal índice da Bolsa em 4,50%. O tombo nos preços das commodities - que levou à queda de mais de 6% para ações da Petrobras e acima de 4% para as da Vale - e a aversão ao risco detonaram o stop loss nas ações. À espera do anúncio de manutenção da produção pela Opep, o petróleo despencou no exterior.
Petróleo
Foi abaixo de US$ 100 pela primeira vez desde abril em Londres, batendo a cotação mínima em cinco meses em Nova York. Em Wall Street, a busca por proteção elevou os preços dos Treasuries e CDS e, nas bolsas, após as comemorações do socorro do Tesouro americano à Fannie Mae e Freddie Mac ontem, os principais índices acionários derreteram. O Dow Jones caiu 2,43% e o S&P desabou 3,41%, pressionados pelas perdas das ações do setor financeiro.
Estrangeiros
O destaque foram as do Lehman Brothers (-44,95%), em reação a informes de que o Korea Development Bank desistiu de comprar uma participação no banco e ao anúncio de que a Standard & Poor's colocou os ratings do banco em observação para possível rebaixamento. A saída de investidores estrangeiros da Bovespa colaborou para a disparada de 2,07% do dólar local, que está a caminho de R$ 1,80. O câmbio imprimiu pressão sobre os juros futuros nesta véspera de decisão do Copom, mas a alta das taxas foi considerada moderada em comparação à deterioração vista nos outros segmentos.
Forte queda
A forte queda registrada em setembro até ontem nem de longe colocou um ponto final às vendas na Bovespa. O recuo das commodities e a saída de investidores estrangeiros atingiram em cheio Vale, Petrobras e siderúrgicas. Os bancos também não escaparam das perdas, acompanhando o tombo destes papéis no mercado norte-americano. ''Está feliz quem está líquido ou quem está vendido'', resumiu um profissional sobre o comportamento volátil do mercado.
Negativo
O Ibovespa trabalhou a sessão toda em território negativo, mas começou a aprofundar as perdas quando se aproximava da última hora do pregão. Esse movimento se repetiu perto do fechamento e o índice acabou recuando 4,50%, na terceira maior baixa porcentual de 2008. Em pontos, atingiu 48.435,3 pontos, menor nível desde 16 de agosto do ano passado (48.015,6 pontos).
Bolsas americanas
O comportamento das bolsas norte-americanas também teve papel preponderante no desempenho do Ibovespa. Os índices acionários em Wall Street terminaram todos na mínima pontuação do dia: Dow Jones, -2,43%, aos 11.230,7 pontos, S&P, -3,41%, aos 1.224,51 pontos, Nasdaq, -2,64%, aos 2.209,81 pontos. As ações de petrolíferas e do setor financeiro foram destaques de baixa, tendo como pano de fundo o fraco índice de vendas pendentes de imóveis residenciais em julho.
Surra
''A Bovespa está apanhando de todos os lados'', comentou o analista de renda variável de uma corretora em São Paulo. E, segundo ele, a situação não deve melhorar no curto prazo. ''Podem voltar a ocorrer altas fortes, mas será correção, até porque já caiu muito. Não há fluxo de compras'', comentou, ao explicar que a crise atual fugiu do padrão anterior, onde as bolsas se recuperavam no final do ano de turbulências na metade do período. ''Agora já passamos do meio do ano e a crise continua lá fora'', comentou.
Real
J.R. Mendonça de Barros disse não acreditar que o dólar possa ultrapassar R$ 1,80 nas próximas semanas. ''O dólar vai voltar para perto de R$ 1,70 nos próximos dias''. Segundo ele, a moeda poderá encerrar o ano ao redor desse patamar. ''Teremos uma lenta desvalorização do real, não uma brusca desvalorização e, no ano que vem, aí sim, poderemos caminhar para R$ 1,80 ou ao redor disso'', acrescentou.
Leilão
O Banco Central realizou seu tradicional leilão de compra no mercado à vista de câmbio, com taxa de corte igual a R$ 1,7592. De acordo com operadores, não foi aceita nenhuma proposta entre as sete taxas divulgadas por seis bancos, que variaram de R$ 1,7595 a R$ 1,7620. As outras 11 instituições financeiras que participaram da operação não informaram suas ofertas. A estimativa é de que o BC tenha comprado aproximadamente US$ 54 milhões no leilão de hoje.
Juros
O mercado de juros fechou com alta considerada moderada, diante do estrago visto nos demais ativos pelo mundo. O volume de contratos negociados seguiu abaixo do normal, mostrando que os investidores ainda estão reticentes em montar posições prefixadas dadas tantas incertezas aqui e no exterior. Na BM&F, os principais vencimentos começaram a sessão vespertina perto da estabilidade, ampliaram a alta e foram às máximas no meio da tarde, mas desaceleraram no fechamento.
Copom
Hoje, a decisão do Copom, a divulgação do PIB do segundo trimestre, do IPC-Fipe da primeira quadrissemana do mês e a primeira prévia do IGP-M deste mês, são os destaques da agenda doméstica. No exterior, saem os números semanais dos estoques de petróleo nos EUA e, na Europa, o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, presta depoimento trimestral ao Comitê de Assuntos Econômicos e Monetários do Parlamento Europeu, em Bruxelas.
Agência Estado





