MERCADO FINANCEIRO
Bovespa cai 2,35%
Enquanto as bolsas americanas sustentaram ganhos consideráveis, a Bovespa aprofundou as perdas na sessão vespertina, castigada pela fuga de investidores estrangeiros principalmente das blue chips Petrobras e Vale, além de papéis das siderúrgicas. Com a queda de 2,35% nesta segunda-feira, o tombo da Bolsa paulista no ano já supera 20%. Nos EUA, Dow Jones e S&P avançaram mais de 2%, assim como dispararam as bolsas européias, em reação às medidas anunciadas pelo governo americano neste final de semana.
Socorro
O socorro às gigantes hipotecárias Fannie Mae e Freddie Mac pode chegar a US$ 200 bilhões. O pacote fortaleceu, ainda, o dólar no exterior, o que foi acompanhado pelas operações locais. No mercado de juros, as taxas não mantiveram o recuo exibido no início do dia e fecharam em leve alta, com pouco volume de negócios.
Adolescente
A Bovespa vem se comportando como um adolescente: pouca coisa lhe prende a atenção e a instabilidade é uma constante. Foi isso o que aconteceu ontem, quando as bolsas internacionais comemoravam o pacote de ajuda às agências Freddie Mac e Fannie Mae nos Estados Unidos. A Bolsa doméstica até ''visitou'' - e com gosto - o terreno positivo na abertura, superando os 3% de alta, mas logo os humores mudaram e o índice voltou a fechar em queda. E das consideráveis. A explicação mais constante dos analistas era venda de papéis estrangeiros, enfraquecimento das commodities e incertezas dúvidas sobre o que vem pela frente, já que o pacote não encerrou o problema.
Machucado
''O mercado está muito machucado. O pacote, claro, foi positivo, mas a sensação que fica é a de que a ajuda esconde os problemas embaixo do tapete'', comentou Rafael Moysés, gestor da corretora Umuarama. Um outro operador citou a venda de papéis por um fundo para ajudar a endossar a baixa, visto que as commodities, que serviriam de justificativa, acabaram subindo no final. Ele, entretanto, considerou o movimento desproporcional ao que seria 'justo' para esta segunda-feira de boas notícias no exterior.
Desaceleração
''O mercado avaliou que as medidas que o governo dos EUA anunciou ontem não são suficientes para enfrentar a desaceleração econômica, ainda que evitem uma crise financeira mais grave'', comentou, em e-mail, a sócia-gestora da Global Equity, Patrícia Branco. Segundo ela, como a recessão continua na mira, o cenário é de aversão a risco, ''o que conduz à queda da bolsa brasileira''.
A Bovespa terminou o pregão em baixa de 2,35%, na segunda maior queda do mês (a maior foi na quinta-feira, de -3,96%), aos 50.718,0 pontos, menor nível desde os 49.815,1 pontos de 21 de agosto do ano passado.
Doméstica
A Bolsa doméstica subiu na abertura e virou no início da tarde, também acompanhando a inversão para baixo nos preços do petróleo. O fortalecimento do dólar ante o euro embasou esta queda nas commodities, mas, no final, o contrato para outubro negociado na Nymex ainda teve fôlego para exibir pequeno ganho - de 0,10%, a US$ 106,34 - impulsionados pela potencial ameaça do furacão Ike à produção do Golfo do México.
Metais básicos
Em Londres, os metais básicos acabaram terminando em alta. Os papéis da Petrobras, que acompanham de perto o desempenho da commodity, desgarraram-se quando esta virou de novo para cima, e acabaram derretendo: Petrobras ON, -4,65%, e PN, -3,86%. Os investidores realizaram à tarde os ganhos registrados de manhã. Vale também não seguiu o desempenho dos metais (os básicos subiram em Londres) e fechou em queda também considerável: -3,63% os ON e -3,46% os PNA. ''A notícia sobre o reajuste do minério já fez preço na semana passada, quando veio a público, e os investidores foram às compras. A empresa não confirmou e houve realização. Agora, os investidores estão calejados'', comentou Moysés.
Espanhola
Ontem, a Vale anunciou a compra, da petroleira espanhola Repsol-YPF, de uma participação de 25% no bloco exploratório BM-S-47, localizado em águas rasas na Bacia de Santos. A operação, aprovada pela diretoria da Agência Nacional do Petróleo (ANP) em reunião no dia 13 de agosto, também transfere a operação do projeto à companhia britânica BG, que tem 50% de participação. As siderúrgicas domésticas também recuaram. Gerdau PN, -3,98%, Metalúrgica Gerdau PN, -3,32%, Usiminas PNA, -1,46%, e CSN ON, -3,78%. Nos Estados Unidos, o Dow Jones terminou o pregão em alta de 2,59%, aos 11.510,7 pontos, o S&P avançou 2,05%, aos 1.267,79 pontos, e o Nasdaq, de 0,62%, aos 2.269,76 pontos. Na Europa, a Bolsa de Paris subiu 3,42%, Frankfurt, 2,22%, e Londres, 3,92%.
Câmbio
A queda do dólar ante o real, reflexo da reação ao anúncio do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, que assumiu o controle das gigantes hipotecárias Fannie Mae e Freddie Mac, não durou até o final da manhã e a divisa norte-americana voltou a fechar valorizada no balcão - após a trégua de sexta-feira. As operações domésticas alinharam-se ao movimento externo de moedas, onde o dólar disparou em relação ao euro, com a divisa européia chegando a trabalhar abaixo de US$ 1,41. A deterioração da Bovespa e o fluxo negativo corroboraram a trajetória ascendente do dólar nas operações locais.
Agência Estado





