MERCADO FINANCEIRO
Bolsas
As bolsas americanas encontraram forças no meio da tarde para reagir ao pessimismo visto até então, provocado pelos dados alarmantes trazidos pelo payroll nos EUA em agosto, o que tirou pressão dos principais ativos domésticos. O número de vagas cortadas, 84 mil, e a taxa de desemprego, de 6,1% (a maior em cinco anos), superaram sobremaneira a previsão dos analistas, que previam queda de 75 mil e taxa de 5,8%. Os dados evidenciam o quadro recessivo na economia americana e ressaltam as incertezas em relação ao contágio global.
Vespertina
Na sessão vespertina, porém, as ações do setor financeiro passaram a registrar ganhos em Wall Street, o que abriu espaço para correções na Bolsa, no câmbio e nos juros no Brasil. Na Europa, as bolsas encerraram antes da melhora em Nova York, com desvalorizações de mais de 2%. O Ibovespa, que chegou a cair 2,56% na mínima, inverteu o sinal para encerrar em +1,03%. Mas, na semana, o índice paulista acumula perda de 6,72%. O dólar disparou a R$ 1,745, na máxima, mas depois acabou cedendo, para terminar a R$ 1,717 no balcão, quebrando uma sequência de seis altas. Na semana, no entanto, teve aumento de 5,14%.
Em queda
A Bolsa de Valores de São Paulo trabalhou a maior parte do pregão em queda, acompanhando as bolsas norte-americanas que, por sua vez, reagiram ao péssimo relatório do mercado de trabalho do país. Mas a recuperação das bolsas de lá fez o mesmo com as ações domésticas e, após cinco sessões em baixa, finalmente a Bovespa subiu, inaugurando o sinal positivo no mês de setembro. O Ibovespa terminou o pregão na máxima pontuação do dia, de 51.939,6 pontos, com elevação de 1,03%. Na mínima, bateu em 50.092 pontos (-2,56%). No mês - período que coincide com o da primeira semana de setembro -, a baixa alcança 6,72%, elevando as perdas de 2008 a -18,70%. O volume financeiro voltou a encolher e somou R$ 4,897 bilhões.
Americanas
O Dow Jones subiu 0,29%, aos 11.221,0 pontos, o S&P, 0,44%, para 1.242,31 pontos, e o Nasdaq caiu 0,14%, aos 2.255,88 pontos. Os índices zeraram as perdas e se sustentaram em alta no final da sessão com a ajuda da recuperação das ações de empresas do setor financeiro. Os papéis do Merrill Lynch estiveram entre os destaques: caíram forte mais cedo, depois que o Goldman Sachs rebaixou sua recomendação para o banco de ''neutra'' para ''comprar'' e acrescentou a instituição em sua lista de venda, mas conseguiram se recuperar e subiram.
Recuperação
A recuperação no final da tarde também foi possível porque os dados secundários sobre o mercado de trabalho divulgados ontem já haviam preparado o terreno para o que podia ser revelado hoje pelo payroll - e antecipado uma boa parte das perdas. E o documento ontem não decepcionou: mostrou que a situação está pior do que o previsto, ao anunciar o fechamento de 84 mil vagas em agosto, ante previsão de -75 mil. Além disso, a taxa de desemprego subiu a 6,1%, a mais alta desde setembro de 2003.
Deterioração
A palavra mais ouvida depois do relatório foi ''deterioração'', o que levou à percepção de que o Federal Reserve vai deixar de lado os juros e ficar de olho na recuperação da atividade e do crédito. Ou seja, os especialistas não acreditam em mudanças na taxa básica de juros do país, que deve seguir em 2% ao ano. Em entrevista ao AE Broadcast ao Vivo, o economista-chefe do BES Investimento, Jankiel Santos, avaliou que o payroll foi mais um sinal de que o PIB dos EUA tende a crescer abaixo do potencial este ano e em 2009. Apesar disso, é a economia da Europa que deve cair antes.
Europa pior
Apesar de os Estados Unidos estarem passando por um processo de desaceleração, aparentemente a Europa está pior ainda e lá haveria espaço para corte de juros. Por isso, acho que o dólar deve pelo menos manter seu valor frente às demais moedas'', disse. Além de a Europa ter sinalizado retração na atividade, também o Japão já deu indícios nesse sentido, e nem mesmo a China tem sido um porto seguro. Além de alguns dados de expansão terem vindo ligeiramente abaixo das previsões - embora ainda muito elevados - os investidores não gostaram muito da notícia de que o banco central do país começou a discutir medidas para aumentar o capital da instituição, segundo o New York Times (NYT).
Emergentes
Os outros emergentes, entre eles o Brasil, que relativamente estariam em melhores condições que os grandes, também não devem ter fôlego para segurar essa bandeira, se as condições se mantiverem deterioradas por muito tempo. ''Nossas condições macroeconômicas começam a se deteriorar com essa piora geral. Algumas coisas melhoraram, mas é difícil o fluxo voltar para a Bolsa. Isso só deve acontecer quando parar a sangria lá fora'', comentou George Sanders, gestor-gerente da Infinity Asset.
Agência Estado





