MERCADO FINANCEIRO
Petróleo
Os mercados devolveram os prêmios de risco do petróleo, já que o furacão Gustav, ao que tudo indica, não provocou grandes estragos nas petrolíferas do Golfo do México. A commodity teve mais um dia de ''derretimento'' e caiu quase 5% (4,98%), abaixo de US$ 110 o barril. O contrato para outubro na Nymex fechou a US$ 109,71, o menor nível desde 8 de abril. Desta vez, contudo, a queda do petróleo, acompanhada pelos metais, não afetou apenas a Bovespa, que fechou em baixa de 1,37%, mas também o mercado acionário norte-americano, em meio a especulações de que a Opep poderá reduzir sua produção no encontro ministerial na próxima semana.
Recuo
O recuo do petróleo e de outras commodities amparou a valorização do dólar ante várias moedas, inclusive o real. Aqui, o mercado de câmbio chegou a pontos de stop loss no futuro, o que fez a cotação à vista no balcão alcançar as máximas durante a tarde, pouco antes de fechar o dia com alta de 0,97%, a R$ 1,663. No mercado de juros, fatores técnicos deram direção ao comportamento das taxas do DI futuro, enquanto a valorização do dólar e a produção industrial acabaram por ter influência secundária, e sem alterar apostas para o Copom da próxima semana.
Bolsa
O enfraquecimento do furacão Gustav no Golfo do México, positivo do ponto de vista social e comercial para as petrolíferas da região, foi uma catástrofe para a Bovespa - mas de nível 1, talvez 2, numa alusão à escala que mede a intensidade do fenômeno natural. Os investidores se prepararam para o pior quando foram para o feriado prolongado do Dia do Trabalho norte-americano ontem. Mas o pior não aconteceu e, ontem, na volta ao trabalho, as carteiras passaram por um ajuste profundo.
Oscilação
Assim, no segundo pregão de setembro, a Bolsa paulista recuou 1,37%, aos 54.404,4 pontos. Oscilou entre a mínima de 54.207 pontos (-1,73%) e a máxima de 55.412 pontos (+0,45%). No mês, acumula baixa de 2,29% e, no ano, de 14,84%. O volume financeiro totalizou R$ 4,201 bilhões, mais que o dobro do registrado ontem (R$ 1,998 bilhão), mas ainda abaixo da já fraca média de setembro, de R$ 4,811 bilhões (menor do ano)
Furacão
O mercado devolveu ontem o prêmio embutido nos preços em antecipação à passagem do Gustav pelas instalações de petróleo no Golfo do México. Como o mercado temia que houvesse comprometimento importante da produção situada no caminho do furacão e isso, aparentemente, não aconteceu, hoje foi o dia de refazer as contas e reorganizar as carteiras. Talvez tenha sido um recálculo cedo demais, já que o furacão Hanna está a caminho.
Dia em baixa
O Dow Jones terminou o dia em baixa de 0,23%, aos 11.516,9 pontos, o S&P perdeu 0,41%, aos 1.277,57 pontos, e o Nasdaq recuou 0,77%, para 2.349,24 pontos. Os papéis de bancos subiram e limitaram as perdas, entre eles o do Lehman Brothers, depois que o Banco de Desenvolvimento da Coréia do Sul confirmou que está em negociações para um investimento na instituição.
Bovespa
Com a inversão de Nova York, a Bovespa ampliou as perdas do dia, até então decorrentes das commodities e pelo efeito dos preços das matérias-primas sobre as bolsas em Wall Street. Na Europa, entretanto, o petróleo mais barato pesou favoravelmente sobre os papéis das companhias aéreas, garantindo fechamento em elevação aos principais indicadores acionários da região. A Bolsa de Londres terminou em alta de 0,32%, a Bolsa de Paris subiu 1,50% e a Bolsa de Frankfurt avançou 1,51%.
Efeito
No Brasil, o recuo do petróleo teve efeito favorável sobre as ações da companhia aérea TAM. Também teve desempenho positivo o segmento bancário, acompanhando a performance do setor no mercado norte-americano. O setor siderúrgico, por outro lado, foi destaque negativo. Uma notícia do outro lado do mundo não foi vista com bons olhos pelo segmento. Demanda menor também acende o sinal amarelo nas empresas brasileiras.
Puxada
Mas, além disso, segundo um operador de uma corretora em São Paulo, as ações do segmento tiveram uma 'puxada' na semana passada, efeito de final de mês, e muitos investidores resolveram realizar lucros ontem, além de ajustar suas carteiras. E esses papéis, assim, não poderiam deixar de sofrer. Esse profissional também chamou a atenção para a ação de estrangeiro na venda de ações da Petrobras.
Câmbio
A queda do petróleo e de outras commodities amparou a valorização do dólar ante várias moedas, inclusive o real. A divisa norte-americana chegou a bater pontos de stop loss no mercado brasileiro de câmbio futuro à tarde, o que fez a cotação à vista no balcão alcançar as máximas do dia. Segundo um operador, por volta do horário do almoço, o dólar futuro para outubro 2008 atingiu a máxima de R$ 1,672, o que levou os investidores que estavam posicionados nesta cotação a se desfazerem da posição, realizando lucro.





