Retração

Os investidores optaram por ficar de fora da Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) ontem, em um pregão contaminado pelo mau humor externo (Bolsas européias e americanas em queda). O Ibovespa, termômetro dos negócios da Bolsa, retraiu 2,46% e desceu aos 54.477 pontos. O giro financeiro foi de R$ 2,58 bilhões, volume bastante inferior à média do mês (R$ 5,14 bilhões/dia, até o pregão do dia 22).

Perdido
''Com esse volume, foi um dia perdido. Quando nós pensamos que a situação nos EUA melhorou um pouco, acontece alguma coisa (que frustra as expectativas). Agora, nós preferimos ver o pregão de hoje (ontem) pelo lado bom: o volume baixo significa que o investidor já está um pouco relutante em vender. Teria sido muito pior se a queda de hoje (ontem) tivesse ocorrido com um volume maior'', comentou Decio Pecequilo, operador-sênior da TOV Corretora. O dólar comercial foi cotado a R$ 1,633 na venda, com avanço de 0,30%. A taxa de risco-país marca 246 pontos, com acréscimo de 3,36%.

Perdas
Na Europa, as principais Bolsas de Valores concluíram os negócios com perdas, a exemplo de Paris (declínio de 1,01%) e Frankfurt (recuo de 0,71%). Em Nova York, o mundialmente influente índice Dow Jones caiu 2,08%, um decréscimo pouco frequente em Wall Street.

Preocupação
O mercado continua bastante preocupado com a situação das instituições financeiras dos EUA, setor que acumula más notícias há meses. Entre outras notícias, o Columbia Bank foi a mais nova ''vítima'' da crise dos ''subprime'', sendo fechado por autoridades federais americanas. Também pesou no mercado dúvidas sobre a capitalização do Lehman Brothers por uma instituição financeira coreana.

Espera
Em paralelo, operadores apontam a espera pela ata do Fomc, o equivalente americano do Copom, que divulga hoje a íntegra da ata relativa a sua última reunião. ''O mercado já está em compasso de espera'', nota João Carlos Bercher, da corretora Petra. Investidores devem vasculhar o relatório em busca de pistas sobre os rumos da política monetária dos EUA.

Recorde
No front doméstico, o Banco central informou que o volume de operações de crédito atingiu a marca recorde de 37% do PIB, ainda que os juros bancários tenham subido para seu maior nível desde janeiro de 2007.

Revisto
O BC também revelou que a maioria dos economistas do setor financeiro revisou para baixo, pela quarta semana consecutiva, as apostas para a inflação deste ano. O IPCA projetado para 2008 caiu de 6,44% para 6,34%. Foi mantida ainda a previsão para o IPCA em 2009 (5%).

Inflação
A inflação medida pelo IPC-S (Índice de Preços ao Consumidor - Semanal) teve alta de 0,24%, taxa 0,10 ponto percentual (p.p.) abaixo do registrado no período imediatamente anterior, 0,34%. O período se refere à quadrissemana até o dia 22.

Bolsa de Tóquio
A Bolsa de Tóquio fechou em alta ontem, mas o volume de negócios caiu para seu nível mais baixo desde 28 de dezembro do ano passado. Papéis do setor financeiro e de grandes exportadores, beneficiados com o enfraquecimento do iene e a forte queda nos preços do petróleo, empurraram para cima o índice Nikkei 225, que subiu 1,68% e fechou a 12.878,66 pontos.

Fraco
''Não são ganhos substanciais, considerando-se o fraco volume de negócios'', avaliou Hajime Kitano, estrategista de investimentos do JPMorgan, acrescentando que as incertezas quanto à economia global estão deixando o investidor em compasso de espera, tanto para comprar quanto para vender posições. Porém, o estrategista diz que o atraente preço de alguns papéis do setor financeiro pode dar suporte ao mercado por algum tempo, ajudando o índice Nikkei a voltar à casa dos 14.500 pontos até o fim do ano.

Na China
Na China, a forte queda do petróleo estimulou as ações das empresas refinadoras, o que ajudou a Bolsa de Xangai a fechar em ligeira alta. O índice Xangai Composto subiu 0,3% e encerrou a 2.413,37 pontos. Já o Shenzhen Composto perdeu 0,5% e terminou a 673,45 pontos.

Das agências

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