MERCADO FINANCEIRO
Bovespa
Na Bovespa, ao contrário, o declínio das matérias-primas provocou um movimento de realização parcial dos ganhos de 4,89% nos três pregões anteriores e o índice paulista terminou em baixa. Na semana, porém, a bolsa avançou 2,96%. O dólar à vista ganhou impulso da alta externa da moeda e também interrompeu a série de três baixas, ao terminar na cotação máxima, acima de R$ 1,62. No mercado de juros, o alívio com o IPCA-15 no piso das expectativas durou pouco e as taxas assumiram rumo ascendente, reagindo a movimentos técnicos relacionados ao mercado secundário de títulos públicos e à valorização do dólar.
Dólar
A melhora do clima no exterior permitiu uma recuperação no preço do dólar e, por tabela, queda nas commodities, impactando diretamente a Bolsa paulista. Depois de três pregões em elevação, o principal índice da bolsa doméstica recuou, com as mesmas Petrobras, Vale e siderúrgicas conduzindo os negócios. Mas a queda de hoje perdeu fôlego no final da jornada e foi insuficiente para zerar a alta da semana. Na sessão de ontem, o Ibovespa caiu 0,15%, aos 55.850,1 pontos, depois de oscilar entre a mínima de 55.202 pontos (-1,31%) e a máxima de 56.430 pontos (+0,89%).
Três altas
A retração da Bolsa paulista após três altas decorreu principalmente do tombo das commodities, embora a falta de argumentos que justificassem as compras também tenha sido citada nas mesas de operação. A agenda de hoje foi fraca e, embora as condições macroeconômicas não tenham se alterado, o dinheiro estrangeiro ainda não voltou. Isso significa que está sendo mais lento o processo de recuperação da Bovespa.''A Bolsa precisa romper os 56.400 pontos para engatar numa trajetória de alta.
Volume
O volume financeiro negociado ontem totalizou apenas R$ 3,376 bilhões - o menor nível do mês, cuja média diária já é baixa, de R$ 5,265 bilhões. E essa média só está neste nível por conta do pregão de 13 de agosto, dia do vencimento de opções sobre Ibovespa, quando houve R$ 13,026 bilhões de giro. A título de comparação, a média diária em maio, mês imediatamente após o investment grade (30/4), somou R$ 7,035 bilhões, volume que vem caindo desde então com o ramerrame da crise norte-americana e a fuga de estrangeiros dos mercados emergentes (em junho, foi de R$ 6,311 bilhões, em julho, R$ 5,644 bilhões).
Commodities
Os investidores se empolgaram e voltaram a comprar dólar, e as commodities caíram. Na Nymex, o contrato para setembro terminou em US$ 114,59, em baixa de US$ 6,59 (-5,44%), na maior queda dos preços em termos de dólar desde janeiro de 1991. O Dow Jones fechou em alta de 1,73%, aos 11.628,1 pontos, o S&P avançou 1,13%, aos 1.292,19 pontos, e o Nasdaq subiu 1,44%, para 2.414,71 pontos. As bolsas européias também fecharam em alta.Apesar de a notícia do Lehman favorecer o segmento financeiro, Fannie Mae e Freddie Mac continuaram como destaques de baixa, diante da possibilidade de que venham a sofrer intervenção federal.
Fluxo cambial
Ontem, o fluxo cambial tendeu ao positivo no mercado à vista e permitiu uma melhora do volume de negócios. ''Houve pelo menos uma saída de cerca de US$ 150 milhões da Petrobras, que foi contrabalançada por uma entrada de US$ 200 milhões relativa a um pré-pagamento de exportação de uma empresa do setor de papel e celulose, além de outro ingresso de US$ 30 milhões de uma refinaria da Petrobras no sul do País'', apurou um operador de um banco estrangeiro.
Juros
Não adiantaram números melhores de inflação, nem a queda acumulada pelo dólar ante o real nos últimos cinco dias. A semana terminou com as taxas dos contratos de DI valorizadas na BM&F. É quase unânime entre os agentes do mercado que há pouco prêmio para a curva futura assumir uma trajetória declinante e que apenas indicadores de atividade mostrando uma desaceleração considerável, capaz de sancionar uma expectativa para um ciclo menor de alta da Selic, podem ter essa influência sobre o movimento dos DIs.
Banco Central
Em junho, o BC informou que as operações de crédito do sistema financeiro cresceram 2,1%, em relação a maio, com o estoque dessas operações aumentando de R$ 1,044 trilhão para R$ 1,067 trilhão. Na mesma base de comparação, o volume de crédito para as empresas cresceu 3,3%, enquanto as operações para as famílias aumentaram 0,7%. Nos 13 primeiros dias úteis de julho, o volume de operações de crédito referencial cresceu 1,6%, com as operações voltadas às empresas registrando alta de 2,7% e os empréstimos para as famílias, aumento de 0,2%.
Índices
O DI janeiro/10 chegou a marcar 14,63% na mínima, o janeiro/12, 13,89%, e o janeiro/09, 13,81%. O IBGE informou que a inflação medida pelo IPCA-15 ficou em 0,35% em agosto, ante 0,63% em julho. O resultado veio no piso das estimativas dos analistas ouvidos pelo AE Projeções (0,35% a 0,48%) e abaixo da mediana de 0,39%. No ano, o IPCA-15 acumula alta de 4,69% e em 12 meses, de 6,23%. Mais uma vez a melhora foi determinada pela desaceleração em alimentação.
Agência Estado





