MERCADO FINANCEIRO
Tensão externa
O aumento da tensão geopolítica após a Rússia responder furiosamente ao acordo para a instalação de um escudo antimíssil fechado entre os Estados Unidos e a Polônia fez o petróleo disparar, encerrando o dia acima de US$ 121 o barril. Na Bovespa, o impacto foi positivo, em razão do efeito da alta da commodity sobre as ações da Petrobras, e o Ibovespa registrou a terceira elevação seguida, período no qual acumulou ganho de 4,89%. Mas, em Nova York, a reversão das perdas só aconteceu no final do dia, com a recuperação de papéis do setor financeiro.
Piora do humor
A piora do humor no cenário internacional recolocou o dólar na trajetória de desvalorização frente a moedas como euro e iene, e o mercado local de câmbio acompanhou. O dólar à vista recuou pela terceira sessão, acumulando perda de 1,77% desde terça-feira. No segmento de juros futuros, o avanço do petróleo e de outras commodities amparou o ajuste para cima na curva de DI. Após o leilão de títulos do Tesouro Nacional, contudo, as taxas devolveram boa parte do avanço, com os investidores preparando-se para o IPCA-15 hoje,
Alta da Bovespa
Petróleo, metais e, no fim, Wall Street garantiram mais um pregão de ganhos para a Bovespa. As blue chips e siderúrgicas guiaram as compras, com Petrobras à frente, motivadas pela disparada do petróleo e dos metais no mercado externo. Com a melhora das bolsas norte-americanas no finalzinho do dia, as ações de bancos no Brasil também passaram a subir, mas poucas se mantiveram no positivo, ajudando a engrossar a alta da Bolsa. No terceiro pregão sucessivo de ganhos, o Ibovespa terminou com variação de + 1,01%, aos 55.934,7, depois de oscilar entre a mínima de 55.380 pontos (estabilidade) e a máxima de 56.144 pontos (+1,39%). No mês, as perdas foram diminuídas para -6% e, no ano, para -12,45%. Apenas nestas três sessões de alta, os ganhos somaram 4,89%.
Mísseis americanos
Os russos não gostaram do acordo fechado pelos Estados Unidos para instalar, na Polônia, um componente do sistema de defesa de mísseis norte-americanos em seu território. Com a notícia, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) disse que a Rússia suspendeu a cooperação militar com a aliança até segunda ordem. Vale lembrar que a instabilidade na região já vinha se arrastando com a invasão, pelos russos, da Ossétia do Sul, na Geórgia, que é aliada dos Estados Unidos.
Fuga
Não bastasse a crise local, o enfraquecimento do dólar diante da continuidade de problemas no segmento financeiro norte-americano também foi estímulo para os investidores fugirem para as commodities. Com isso, também se beneficiaram as commodities metálicas e agrícolas. É claro que o efeito desse movimento foi imediato sobre as ações brasileiras, em especial Petrobras, Vale e siderúrgicas, que lideraram os ganhos. Mas foi prejudicial às bolsas norte-americanas que, entretanto, conseguiram ter um respiro perto do final, diante da oportunidade de compra que se abriu com o tombo de vários papéis.
Olho nas commodities
O mercado doméstico, no entanto, vai continuar de olho nas commodities. Mas isso não significa que não possa haver uma correção se esses preços continuarem em alta. Como a trajetória de alta não foi oficialmente retomada, os investidores podem preferir não passar o final de semana comprados. ''O ponto de resistência estava em 55,7 mil 55,8 mil. Hoje fechamos acima disso, mas o volume foi fraco. Para isso realmente ser rompido, é preciso dinheiro, a volta dos investidores'', comentou um profissional. Hoje, por exemplo, o volume na Bovespa somou apenas R$ 4,635 bilhões.
Pregão
As maiores altas do ontem foram Usiminas ON (+3,98%), Natura ON (+3,88%) e Tim Par ON (+3,74%), e as maiores quedas, Gol PN (-3,36%), TAM PN (-3,34%) e Tim Par PN (-3,01%). Petrobras terminou com +3,12% as ON e +3,45% as PN. A corretora japonesa Nomura elevou ontem sua recomendação para as ações da Petrobras de neutra para comprar, afirmando que os preços altos dos produtos no mercado doméstico, a nova capacidade de produção e a exploração das reservas pré-sal no Brasil deverão sustentar o preço das ações.
Dólar cai
O dólar voltou a cair no mercado de moedas e terminou com a terceira queda seguida ante o real, pressionado por novos indicadores ruins dos Estados Unidos e a migração dos investidores para o petróleo e outras commodities. Com a tensão entre os EUA e a Rússia e a persistente preocupação com a saúde do setor financeiro norte-americano, os agentes internacionais reduziram posições em dólar, direcionando os negócios domésticos. Por isso, segundo um operador, o aumento do déficit em conta corrente do balanço de pagamentos do Brasil para US$ 2,111 bilhões em julho foi recebido sem pressão sobre as taxas de câmbio.
Agência Estado





