Bolsas asiáticas caem
Os principais mercados da Ásia fecharam em queda ontem. Os pregões foram influenciados por fatores internos de cada país, além da forte queda nas Bolsas da China. As Bolsas de Manila, nas Filipinas, e de Jacarta, na Indonésia, não abriram por ser feriado nos dois países. A queda nas ações de imobiliárias derrubou a Bolsa de Hong Kong, que fechou abaixo do nível psicológico dos 21 mil pontos, no pior resultado em um ano. O índice Hang Seng caiu 1,1% e terminou a 20.930,67 pontos. A ausência de medidas de suporte ao mercado por conta do governo e as persistentes preocupações sobre uma inundação de novas ações fizeram desabar as Bolsas da China. O índice Xangai Composto caiu 5,3% e encerrou a 2.319,87 pontos. Já o Shenzhen Composto perdeu 5,9% e terminou a 656,08 pontos.


Atletas
A Bolsa de Valores de São Paulo tem se comportado como muitos atletas brasileiros nas Olimpíadas de Pequim: embora candidatos ao pódio, têm ficado pelo caminho. Ontem, o principal índice da Bolsa doméstica terminou com queda firme, recuando ao menor patamar em quase 12 meses. A queda das commodities e o tombo das bolsas norte-americanas em meio à volta das preocupações com o setor financeiro justificaram as vendas, embora o volume tenha sido fraco. O Ibovespa terminou a segunda-feira em queda de 1,69%, aos 53.326,5 pontos.

Bovespa
A Bovespa acompanhou Nova York ontem de perto e, lá, não foi apenas o fato de ser segunda-feira que tirou o humor dos investidores. As vendas se concentraram principalmente no segmento financeiro, com o tombo das ações das agências hipotecárias Freddie Mac e Fannie Mae. Estes papéis ampliaram as perdas após o Merrill Lynch rebaixar o preço alvo das ações e pelas incertezas quanto à utilização da Fannie e da Freddie, como política de governo, para estancar a crise do setor imobiliário.

Níveis atrativos
Segundo um profissional do mercado, apesar de a Bovespa estar em níveis muito atrativos, não está havendo ingresso de recursos novos na ponta compradora. Nem de investidor doméstico - que teme o desenrolar da crise externa - nem de estrangeiro - que tem os mesmos temores e também está de olho no comportamento do dólar. ''Se houver mesmo uma inversão do dólar, ou seja, uma valorização diante do real, este gringo vai esperar para comprar Bolsa, já que, para ele, o ativo ficará mais barato'', justificou.


Especialistas
Os especialistas, entretanto, continuam a repetir que o mercado doméstico tem inúmeros atributos que justificam a compra de papéis, como o avanço do crédito, com consequente impacto positivo sobre o PIB, e os resultados positivos exibidos pelas empresas. ''A Bovespa é uma ótima oportunidade, dado o atual nível de preços. O ideal é entrar e não pensar no ativo no curto prazo. Mas há também ótimas opções para quem quer operar no ritmo da volatilidade'', avaliou o professor da Fiap Marcos Crivelaro.


Câmbio
O dólar interrompeu durante a sessão a trajetória de correção no mercado de moedas, pressionado por um movimento de realização de lucros em meio ao avanço de preços de algumas commodities metálicas e agrícolas. Contudo, o fechamento do petróleo ontem no nível mais baixo desde 1º de maio - a US$ 112,87 o barril em Nova York - determinou a redução das perdas do dólar ante o euro e a inversão de sinal para alta da moeda em relação ao real no fim da sessão. Às 16h19, o euro estava estável, a US$ 1,4693, e às 17h34, subia 0,08%, a US$ 1,4705.

Enfraquecimento
Com os sinais de enfraquecimento das economias na Europa e Japão, além dos EUA, os investidores estão na expectativa dos indicadores semanais, afirmou. Ontem, o dado sobre o setor imobiliário de agosto divulgado nos EUA não trouxe alívio, mas também não chegou a provocar mal-estar, ao contrário das notícias sobre o setor financeiro norte-americano, que provocaram perdas nas bolsas. O Índice de atividade da Associação Nacional das Construtoras de Casas dos EUA (NAHB) ficou em 16 em agosto, mesmo nível de julho e o nível mais baixo de todos os tempos.

Petróleo
Em Nova York, o petróleo fechou em baixa pela sexta vez em sete sessões, com a tempestade tropical se afastando da região de produção de petróleo no Golfo do México. Em Nova York, o petróleo leve para setembro caiu US$ 0,90, ou 0,79%, para US$ 112,87 o barril. No mercado eletrônico ICE, o contrato para outubro do Brent fechou em queda de US$ 0,63, em US$ 111,94 o barril. Com a passagem do temporal, o mercado voltou seu foco à declinante demanda por petróleo nos EUA.

Grãos e softs
Os produtos agrícolas, especialmente grãos e softs, exibiram valorizações, amparadas no recuo do dólar em relação às principais moedas internacionais. Apesar do ensaio de realização de lucros ontem, as apostas para o dólar seguem sendo de valorização. ''Um componente-chave do declínio dos preços do petróleo é o fortalecimento do dólar, que é mais uma função dos eventos vistos na Europa. O crescimento da região parece fraco e deve continuar assim ao longo de 2008.

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