Bovespa cai
A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) emendou o seu quarto pregão consecutivo de perdas, em seu menor nível dos últimos sete meses.
O Ibovespa, principal índice de ações da Bolsa paulista, cedeu 0,40% no fechamento, indo para 54.502 pontos, a menor pontuação desde 23 de janeiro. O giro financeiro foi de R$ 5,19 bilhões.

Vale
A ação preferencial da Vale teve leve baixa de 0,02%, enquanto as siderúrgicas Gerdau e CSN registraram perdas de, respectivamente 3,07% e 2,49%. Ontem, após o encerramento dos mercados, a Petrobras revelou lucro recorde de R$ 8,78 bilhões no segundo trimestre. A ação preferencial valorizou 1,13% enquanto a ordinária ganhou 0,85%. Juntos, os dois papéis movimentaram quase R$ 800 milhões.

''Compra''
Corretoras colocaram as ações com recomendação de ''compra'', citando perspectivas de aumento de produção, novos anúncios de descobertas no pré-sal e a estratégia de internacionalização da companhia. Na Europa, as principais Bolsas concluíram os negócios em terreno negativo, como Londres (-0,13%) e Frankfurt (-0,35%), afetadas por ações do setor bancário. Nos EUA, a Bolsa de Nova York retraiu 1,19%.

Dólar
O dólar à vista subiu pela sétima sessão seguida, a despeito da correção em baixa da moeda no exterior, amparado por avaliações do mercado de que, com as perdas em commodities, a tendência é de desvalorização do real. O mercado de juros futuros acompanhou a moeda norte-americana e fechou com as taxas dos DIs em alta.


Reação
A reação dos investidores ao balanço da Petrobras foi o que sustentou as ações da estatal durante a terça-feira - influenciando o Ibovespa. A empresa anunciou lucro líquido recorde de R$ 8,783 bilhões, com aumento de 29% em relação ao mesmo período de 2007. Ontem, o UBS Pactual reiterou a recomendação de compra e fixou o preço-alvo de R$ 65,8 para as ações da Petrobras. Os papéis ON subiram 0,85%, cotados a R$ 40,20, enquanto os PN avançaram 1,13%, para R$ 33,07. Ou seja, baseado nesta recomendação do UBS, há um considerável porcentual de alta para as ações.

''Do povo''
Segundo o presidente Lula, o petróleo brasileiro não é da Petrobras, mas ''do povo'', e é preciso discutir o destino desse petróleo. Vale registrar que, ontem, a Petrobras informou que planeja perfurar 11 poços na região do pré-sal da Bacia de Santos em 2009, entre poços pioneiros e de extensão. Na máxima cotação do dia, Petrobras ON avançou 3,86% e PN, 3,36%.

Petróleo
A queda do petróleo ao longo da sessão - na Nymex, o contrato para setembro perdeu 1,26%, fechando a R$ 113,01 - também não foi impeditivo para o comportamento das ações. Tampouco para fazer as bolsas norte-americanas subirem, já que as notícias ruins do segmento financeiro pesaram sobre os papéis. Mas não significa que isso não vá acontecer em outros pregões, como já ocorreu recentemente. Isso porque o pico dos preços do óleo já foi atingido e a trajetória agora é para baixo. Pelo menos é o que indicam as mais recentes análises divulgadas.


Câmbio
Um movimento de ajuste técnico após seguidos ganhos pressionou o dólar para baixo no mercado de moedas e adicionou volatilidade às cotações domésticas ontem. O dólar à vista ensaiou queda ante o real pela manhã, reagindo ao fluxo positivo em meio a operações com liquidação pela ptax, mas depois retomou a alta, destoando do comportamento externo.

Commodities
Na avaliação do economista-chefe da CM Capital Markets, Tony Volpon, ''a queda das commodities é uma tendência e não acidente de percurso. O real até que se mexeu pouco nas últimas semanas, a alta do dólar não foi exagerada, mas isso porque o mercado não tomou consciência''. Segundo ele, quando o mercado tomar consciência de que a alta do dólar não é temporária, poderá haver forte demanda por hedge. ''Talvez seja preciso uma desvalorização mais pesada da moeda, de 10% a 15% para que as empresas comecem a fazer hedge de seus passos'', afirmou o economista em entrevista ao AE Broadcast Ao Vivo.

Queda
A queda das commodities, ressaltou Volpon, não só tem impacto no câmbio, na inflação e na balança comercial. O real mais fraco deve afetar negativamente o investimento direto e a Bovespa. ''A bolsa ainda vai sofrer mais o impacto negativo da queda das commodities se ela continuar'', comentou. De qualquer modo, Volpon acredita que o Banco Central não irá mudar sua atuação no câmbio e deve prosseguir com as compras no mercado à vista. Para o economista, o BC só irá parar de atuar caso a desvalorização do real seja muito acentuada.


Focus
No Relatório Focus ''Evolução dos Indicadores de Sustentabilidade Externa'', divulgado ontem, o Banco Central avalia que a evolução recente dos indicadores das contas externas ''demonstra a ausência de alterações significativas no cenário geral de solidez da posição externa da economia brasileira''. O BC observa que o déficit em transações correntes acumulado nos 12 meses até junho somou US$ 18,1 bilhões - o equivalente a 1,32% do PIB. O documento ressalva, contudo, que na média esse déficit correspondeu a 1,75% do PIB brasileiro entre 1947 e 2007. Na década de 70, o resultado negativo chegou próximo de 7% do Produto.

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