MERCADO FINANCEIRO
Câmbio
O dólar comercial foi cotado a R$ 1,609 na venda, em alta de 1,06%, nas últimas operações registradas ontem. Trata-se da taxa mais alta desde 10 de julho. Nas casas de câmbio paulistas, o dólar turismo foi vendido por R$ 1,720, o que representa um acréscimo de 0,58% sobre a taxa de quinta-feira.
Pressão
Profissionais das mesas de câmbio apontam a saída de investidores da Bolsa de Valores como um dos fatores que têm pressionado os preços da moeda americana. Em julho, o Banco Central já detectou que o fluxo cambial teve o maior déficit em quase dois anos, principalmente pelo lado da conta financeira.
Ajustes
Analistas falam em um aumento da aversão ao risco pelo investidor ''estrangeiro'', o que pode explicar a venda de ações dos países emergentes e a valorização do dólar. Outros explicam o repique brusco das taxas também como um ajuste técnico de preços. ''O dólar caiu muito na semana passada, quando houve uma entrada maciça de dólares e muita gente vendeu moeda. É natural que suba rápido agora, porque caiu muito rápido antes. Nesse mês, a taxa deve girar entre R$ 1,50 e R$ 1,60 mesmo'', comenta Mário Paiva, analista da corretora Liquidez.
Juros futuros
No mercado futuro de juros, a maioria das projeções cederam: a taxa para janeiro de 2009 caiu de 13,73% ao ano para 13,72%; no contrato de janeiro de 2010, a taxa projetada recuou de 14,66% para 14,59%; e no contrato de janeiro de 2011, a taxa projetada foi mantida em 14,28%.
Perdas
O mercado continua a corrigir os preços das commodities e a derrubar as Bolsas de Valores mais sensíveis a essas cotações, a exemplo da Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo). Apesar da forte valorização do Dow Jones americano, o mercado brasileiro não conseguiu reagir à nova rodada de perdas em ações influentes como da Vale do Rio Doce e Petrobras.
Giro
O Ibovespa, termômetro dos negócios da Bolsa paulista, cedeu 0,76% no fechamento, para os 56.584 pontos. O giro financeiro foi bastante baixo: R$ 3,97 bilhões, em comparação com a média de julho (R$ 5,64 bilhões/dia). Enquanto a ação preferencial da Vale do Rio Doce caiu 1,49%, a ação da Petrobras retrocedeu 0,91%. Juntos, os dois papéis responderam por praticamente um quarto do volume financeiro da Bolsa.
Destaque
Analistas têm destacado que a percepção de que a economia global está em processo de desaceleração, isto é, que o consumo deve retrair, tem refletido sobre os preços de commodities, após a sequência de recordes registrado no primeiro semestre.
Correções
Com forte concentração de ações de empresas ligadas a commodities metálicas e petróleo, a Bovespa não tem resistido a essas correções, principalmente com a ''fuga'' dos investidores estrangeiros (que tiraram quase R$ 8 bilhões da Bolsa em julho). Ontem, a cotação do barril de petróleo desceu para US$ 115,20 na praça de Nova York (Nymex), em forte declínio de 4,01%, próximo do ''piso'' do dia (US$ 115).
Avaliação
''Como tudo que sobe, desce, a realidade prevaleceu'', avalia a equipe de analistas da corretora Planner, em seu relatório mensal sobre o mercado financeiro. ''Junte-se a isso uma valorização de 13,88% em dólar do Ibovespa no primeiro semestre (...) enquanto Índia caiu 45,18% e China, 25,76%. O investidor estrangeiro não teve dúvida nem dó: 'Vende!'''.
Humor
O petróleo mais barato, no entanto, contribuiu para melhorar o humor nos mercados europeus e americanos, onde prevaleceu a preocupação com as pressões inflacionários e o temor de um aperto monetário (juros mais altos) generalizado.
Na Europa
Na Europa, as principais Bolsas concluíram os negócios em terreno positivo, a exemplo de Londres, onde o índice FTSE valorizou 0,21%, e Frankfurt, onde o índice Dax avançou 0,27%. Em Nova York, o influente índice Dow Jones teve ganho de 2,65%, apesar do prejuízo bilionário da Fannie Mae. Uma das mais importantes empresas de hipotecas do EUA, a Fannie Mae anunciou prejuízo de US$ 2,3 bilhões no segundo trimestre, o triplo das perdas esperados por analistas do setor financeiro.
Em casa
No front doméstico, três índices de preços, com destaque para o IPCA, reforçaram a percepção de que o ritmo de reajuste de preços teve queda entre junho e julho. Os alimentos pressionaram menos e a inflação medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) desacelerou para 0,53% em julho, já que no mês anterior registrara alta de 0,74%.
Das agências





