Tombo
Aliás, o comportamento da Bovespa nos últimos pregões tem se assemelhado ao ''bunge jump'': mergulho profundo com muita adrenalina. Nem foram tantos dias de quedas consecutivas - apenas três, mas neles o tombo atingiu 7,31%. Apenas nas duas primeiras sessões do mês, a queda foi de 6,55%, praticamente dobrando as perdas acumuladas em 2008 de 6,86% até 31 de julho para 12,96% até ontem. Ontem a Bovespa recuou 3,51%, maior perda desde a baixa de 3,61% de 2 de julho. Em pontos, atingiu 55.609,1 pontos, menor patamar desde 23 de janeiro deste ano (54.234,8 pontos). O volume negociado somou R$ 4,691 bilhões.

Commodities
As commodities foram as principais justificativas para a Bovespa despencar ontem, com os metais e o petróleo operando em queda firme diante do temor dos investidores com a retração na demanda. Como a Bolsa doméstica é predominantemente formada por papéis ligados a commodities, o resultado é oue tem sido visto nos pregões das últimas semanas.

Avaliação
Essa avaliação de que a demanda deve diminuir decorre dos indicadores divulgados nos Estados Unidos. Na sexta-feira, por exemplo, o relatório do mercado de trabalho revelou o corte de 51 mil vagas em junho, o que mostra o enfraquecimento da economia após a crise iniciada no mercado de hipotecas subprime lá atrás. Ontem, foram os índices de preços para os gastos com consumo pessoal (PCE) que azedaram o humor, já que indicaram pressão inflacionária em junho.

Petróleo
O petróleo, entretanto, foi o contrapeso dos índices, visto que recuou quase 3% e aliviou as ordens de vendas nas bolsas norte-americanas. O contrato para setembro negociado na Nymex recuou 2,95%, para US$ 121,41. No Brasil, o tombo dos metais e do petróleo bateu nas blue chips Vale e Petrobras e nos papéis de primeira linha, como os de siderúrgicas. Os bancos caíram na esteira das notícias ruins do setor nos EUA. O temor de desaquecimento econômico afeta em cheio as ações brasileiras, que é uma das grandes fornecedoras de matérias-primas do globo.

Fuga
Além disso, a bolsa brasileira tem sofrido com a fuga de estrangeiros, que se utilizam justamente desses papéis para despedir-se do mercado doméstico. Ontem, esses aplicadores estiveram presentes na ponta de venda, mas em menor intensidade, tanto que o volume foi menor - razão também pela qual as oscilações são maiores (qualquer negócio tem força para movimentar o índice e a ação). O mercado acionário brasileiro ocupa o terceiro lugar entre os que tiveram as maiores perdas na América Latina em julho segundo o Morgan Stanley Capital Index (MSCI) LatAm, índice que mede a performance em mercado acionário na região. O Brasil ficou atrás apenas do MSCI Argentina (-19,31%) e do MSCI Peru (-16,30%).

Remessas
Todas essas preocupações com o declínio da demanda afetaram também o dólar à vista hoje. Segundo operadores, parte dos players estrangeiros, que bateram forte nas ações na bolsa paulista, comprou dólares para remessas ao exterior, amparando o ajuste das cotações durante quase toda a sessão. No finalzinho dos negócios, o pronto devolveu os ganhos e voltou à estabilidade para, em seguida, subir novamente. No fechamento, o pronto subiu 0,21%, a R$ 1,5624 na roda da BM&F e 0,06%, a R$ 1,563 no balcão. Essas taxas continuam sendo as menores desde o fechamento da moeda em 19 de janeiro de 1999, a R$ 1,5580.

Fluxo comercial
Durante a sessão, houve o tradicional fluxo comercial positivo de início de mês, mas as saídas financeiras pesaram mais sobre o comportamento das cotações. No mercado de dólar futuro, os investidores também ajustaram posições compradas e os sete vencimentos negociados projetaram altas. O volume transacionado somou cerca de US$ 15,81 bilhões (312.665 contratos). O dólar setembro08, que girou US$ 15,58 bilhões do total, apontou valorização de 0,16%, a R$ 1,572. Na sessão eletrônica às 17h36, o dólar setembro08 projetava taxa de R$ 1,573 (+0,06%).
No exterior, houve forte ajuste de posições vendidas em commodities antes das reuniões de política monetária do Federal Reserve, hoje, e do BCE e Banco da Inglaterra, amanhã. No caso do Fed, o Comitê de Mercado Aberto (Fomc) deverá anunciar sua decisão sobre os juros hoje à tarde; a expectativa de consenso do mercado é de que a taxa dos Fed Funds será mantida inalterada em 2,0%. Quanto à decisão dos BCs na Europa, também se espera manutenção dos juros, no caso do BCE em 4,25% ao ano e, no do BoE, em 5%.

Cautela
O índice de inflação na zona do euro elevou a cautela dos investidores com o aumento dos preços, especialmente com energia. Os preços ao produtor (PPI) na zona do euro subiram 8,0% em junho, na comparação com junho de 2007, no maior aumento em termos anuais desde que os registros começaram, em janeiro de 1990, informou a agência de estatísticas da União Européia, a Eurostat. Em relação a maio, os preços subiram 0,9%. Economistas esperavam aumento de 7,9% em base anual e de 0,8% no mês.

(Agência Estado)

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