MERCADO FINANCEIRO
Saídas
A Bovespa aprofundou a trajetória de queda na primeira sessão de agosto com novas saídas de investidores estrangeiros em meio ao cenário externo adverso. As perdas foram generalizadas no mercado paulista, mas as ações da Vale, Petrobras e das siderúrgicas sofreram mais. No final, o Ibovespa perdeu mais de 3%, após desvalorizar 8,48% em julho. No ano, as perdas da Bolsa acumulam 9,79%, mas, na semana, a Bolsa subiu 0,75%. O giro totalizou apenas R$ 4,186 bilhões.
Desaceleração
O temor com a desaceleração da economia global foi realimentado neste início de mês por novos dados ruins norte-americanos e também na China. O índice de gerentes de compra (PMI) da China sobre a atividade no setor de manufaturas caiu abaixo de 50 pela primeira vez desde 2005, indicando contração na atividade. Nos Estados Unidos, o payroll de julho veio melhor que o esperado, mas a taxa de desemprego elevou-se para o nível mais alto (5,7%) desde março de 2004.
Marca
Com forte ingresso de recursos, o dólar à vista iniciou o mês de agosto testando a marca psicológica de R$ 1,56, apesar da maior aversão a risco no mercado por causa da desaceleração da economia global. O pronto na BM&F terminou a sessão abaixo desse patamar, em queda de 0,28%, a R$ 1,5582. No balcão, a moeda ficou estável, em R$ 1,562, pelo terceiro dia seguido, mas chegou a recuar até R$ 1,556 (-0,38%). Na última segunda-feira, a cotação à vista estava no patamar de R$ 1,575.
Fluxo favorável
Mas o fluxo cambial favorável - sustentado pelo ingresso de boa parte dos cerca de US$ 3,4 bilhões da venda de ativos da MMX Mineração para a Anglo American - combinado com operações casadas no balcão e as rolagens de contratos futuros esta semana levaram as cotações para o nível de R$ 1,55. Contudo, o mercado avalia que este já poderia ser um piso da moeda, que teria espaço para correção no curto prazo tendo em vista a expectativa de redução nos volumes de ingressos financeiros e o cenário externo adverso.
Dólar futuro
No mercado viva-voz de dólar futuro, os quatro vencimentos negociados projetaram baixas, com um volume transacionado de cerca de US$ 18,67 bilhões (372.315 contratos). O dólar setembro08, que girou sozinho US$ 18,53 bilhões, apontou baixa de 0,09%, a R$ 1,573. No leilão, o BC pode ter comprado cerca de US$ 250 milhões. A taxa de corte foi de R$ 1,5572. Segundo um operador, não foram aceitas as sete propostas (de seis bancos) com taxas declaradas de R$ 1,5575 a R$ 1,560 porque superaram o valor do corte.
Petróleo
Os preços do petróleo foram pressionados por renovadas tensões geopolíticas relacionadas ao programa nuclear do Irã e as fortes compras de gasolina pelas refinarias. Em Nova York, o contrato do petróleo para setembro fechou em alta de US$ 1,02, ou 0,82%, em US$ 125,10 o barril. Em Londres, no mercado eletrônico ICE, o barril do petróleo do tipo Brent para setembro fechou em alta de US$ 0,20, ou 0,16%, em US$ 124,18.
Juros
O mercado de juros retomou o bom humor ontem, reunindo uma série de argumentos positivos para recolocar as taxas longas em rota de queda, após o ajuste feito na quinta-feira. Já os contratos de curto prazo seguiram travados pela expectativa de que o Banco Central manterá a atual estratégia de aperto mais firme na Selic nos próximos meses e as taxas encerraram, mais uma vez, perto da estabilidade. Na BM&F, o DI janeiro de 2010 (358.485 contratos) cedeu de 14,88% para 14,77%, enquanto o DI janeiro de 2012 (85.895 contratos) rompeu a barreira de 14% para encerrar em 13,95% (14,15% ontem). O DI janeiro de 2009 (56.250 contratos) ficou em 13,71%, estável.
Influências
Entre os fatores que influenciaram os contratos com vencimento a partir de meados de 2009 estão a desaceleração do IPC-S em julho, as coletas de preços no varejo na ponta cada vez melhores, segundo operadores, o dólar abaixo de R$ 1,56, queda nos preços de commodities metálicas e expectativa de projeções de inflação melhores na Focus da segunda-feira. Os dados robustos da produção industrial em junho, anunciados pelo IBGE, sinalizaram o vigor da atividade e o mercado olhou os dados pelo lado bom.
Produção industrial
Os dados dão uma condição melhor para o atendimento da demanda, lembrando que os riscos de desequilíbrio com relação à oferta foram destacados na ata do Copom. A produção industrial cresceu 2,7% ante maio, na série com ajuste sazonal, dentro das estimativas dos analistas ouvidos pelo AE Projeções (0,65% a 3,00%), mas acima da mediana de 2,40%. Na comparação com junho do ano passado, a produção cresceu 6,6%, ante previsão de 5,74% a 8,30%, com mediana de 6,50%.
Recorde
Segundo o IBGE, o patamar de produção atingido pela indústria em junho chegou a um nível recorde. A média móvel trimestral confirmou que houve aceleração da produção da indústria em junho. O indicador registrou aumento de 0,8% no trimestre encerrado em junho, ante 0,1% no trimestre encerrado em maio. A FGV informou que o IPC-S de julho desacelerou de 0,67% na quadrissemana até o dia 22, para 0,53% no fechamento do mês, com quedas de preços mais significativas no setor de alimentação. A taxa ficou dentro das estimativas, que iam de 0,49% a 0,65%, e abaixo da mediana das expectativas (0,57%).
(Agência Estado)





