Recuo

O desempenho dos preços das commodities voltou a dar o rumo do mercado acionário brasileiro ontem. Com a queda do petróleo e de outras matérias-primas, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) recuou, já que algumas das ações mais negociadas na Bolsa paulista são de empresas ligadas a elas.

Indicador
O Ibovespa, principal indicador da Bovespa, voltou novamente para abaixo dos 60 mil pontos ao perder 1,85%, para 59.647 pontos. O giro financeiro foi de R$ 6,12 bilhões, dentro da média diária do ano, com cerca de 207 mil negócios realizados. Já o dólar comercial fechou ontem vendido a R$ 1,579, com leve avanço de 0,06%.

Movimento
O movimento de alta do dólar ante as principais moedas foi um dos motivos para a forte queda do preço do petróleo. Na Nymex (New York Mercantile Exchange), o barril de WTI para entrega em setembro fechou com recuo de 2,36%, para US$ 127,95.

Reflexo
A queda do preço do petróleo e de outras commodities acaba refletindo negativamente nos papéis mais negociados da Bovespa - como a Vale, a Petrobras e as siderúrgicas - e faz a Bolsa paulista recuar.

Baixas
As ações ordinárias da estatal petrolífera, por exemplo, caíram 3,21%, enquanto que as preferenciais perderam 3,43%. Já os papéis da Vale tiveram baixas de 3,75% (ordinárias) e 3,62% (preferenciais classe A).

No ar
Na outra ponta, o setor aéreo avança, uma vez que o petróleo é um dos principais componentes de custo delas. As ações preferencias de Gol e TAM subiram respectivamente 5,37% e 2,54%, e as ordinárias da fabricante de aeronaves Embraer ganharam 5,86%. Foram as três ações com maiores altas entre as listadas no Ibovespa.

Espera
Para complicar o mercado local, os investidores já começaram ontem a se retrair à espera da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que começou ontem e termina hoje. A maioria dos analistas aposta em alta de 0,5 ponto percentual na taxa Selic, que iria para 12,75%. Porém, não está descartada a hipótese de uma alta maior.

Análise
''Apesar da deterioração recente das expectativas inflacionárias, dos números correntes de inflação, do novo recrudescimento do preço dos alimentos no mercado internacional e da possível transmissão para a inflação ao consumidor, continuamos trabalhando com um aumento de 0,50 ponto percentual, optando por um alongamento do ciclo de alta de juros de 14,25% para 15% a ser concluído no início de 2009'', disse Hugo Penteado, economista-chefe do Banco Real Asset Management.

Câmbio
O dólar no mercado à vista teve uma correção técnica de alta intraday que não se sustentou, por causa do fluxo financeiro positivo no fim da sessão e da melhora das bolsas norte-americanas.

Estímulo
Segundo um operador de câmbio de um banco estrangeiro, houve entrada financeira de investidores que estariam montando posição no mercado à vista, estimulados pela probabilidade de 60%, mostrada pelos contratos de juros com vencimentos em agosto e setembro, de que o Copom poderá optar pela alta de 0,75 pp da Selic hoje, contra 40% de chance de a elevação ser de 0,5 pp.

Combinação
Essa possibilidade combinada com a queda externa das commodities - petróleo e metais - também teriam estimulado à tarde uma redução de posições em ações e vendas generalizadas de papéis, que enfraqueceram a Bovespa e deram algum fôlego ao dólar, disse o operador José Carlos Amado, da Renascença Corretora.

Avaliação
''Houve interesse na venda de ações porque um eventual aumento mais forte dos juros reduziria a capacidade de investimentos das empresas ao mesmo tempo em que elevaria alguns custos, com impacto de desaceleração da economia. De outro lado, poderia atrair mais fluxo estrangeiro para o País com reflexo de queda no dólar'', explicou. No encerramento da sessão, os ingressos de recursos e a recuperação dos índices acionários em Wall Street neutralizaram os ganhos do dólar à vista.

Fluxo
O pronto na BM&F terminou em baixa de 0,11%, para a mínima de R$ 1,579, após bater máxima pela manhã de R$ 1,586 (+0,33%). No balcão, o dólar à vista terminou com leve alta de 0,06%, a R$ 1,580, após atingir a mínima à tarde, de R$ 1,578 (-0,06%), e subir pela manhã até R$ 1,588 (+0,56%). Convém registrar que, segunda-feira, o pronto no balcão terminou a R$ 1,579 - menor valor desde 20/1/1999.

Giro

Em Londres, as ações da Vodafone atingiram as mínimas em 21 meses e fecharam com queda de 13,6%. A companhia prevê receita líquida para 2008 de 39,8 bilhões de libras (US$ 79,6 bilhões), no piso das estimativas, o que desagradou investidores. O índice FT-100 encerrou a sessão com queda de 40,20 pontos (-0,74%), em 5.364,10 pontos. O principal índice da bolsa parisiense, o CAC-40, fechou estável em 4.327,26 pontos. Em Frankfurt, o índice DAX-30 fechou com alta de 17,95 pontos (+0,28%), em 6.442,79 pontos.

Das agências

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