Em baixa

Depois de chegar a subir quase 2% durante o dia, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou ontem com leve perda devido ao dia instável nas Bolsas americanas.

Recuo
O Ibovespa, principal indicador da Bolsa paulista, recuou 0,20%, para 59.988 pontos. O giro financeiro foi de R$ 5,19 bilhões, com cerca de 220 mil negócios realizados.

Câmbio
Já o dólar comercial fechou ontem em seu menor nível desde janeiro de 1999 - quando ocorreu a maxidesvalorização do real, no início da segundo mandato do presidente Fernando Henrique Cardoso. A moeda americana fechou vendido a R$ 1,589, com baixa de 0,62% sobre o fechamento de quinta-feira. É a menor cotação desde 19 de janeiro de 1999, quando ficou em R$ 1,558.

Instabilidade
O mercado local acabou influenciado pelo mercado americano, que teve um movimento instável devido a resultados corporativos ruins - em especial as do setor de tecnologia. O índice Dow Jones teve leve avanço de 0,44%, enquanto que o Nasdaq Composite perdeu 1,28%.

Prejuízos
Os resultados trimestrais dos gigantes tecnológicos Google e Microsoft mostraram lucro em alta, mas menores que o esperado pelos analistas. Com o Citigroup ocorreu o contrário: o maior banco dos Estados Unidos teve prejuízo de US$ 2,5 bilhões, ou US$ 0,54 por ação, enquanto que a aposta era de uma perda maior, de US$ 0,66 por ação.

Tensão
Já o preço do petróleo recuou, ajudando a diminuir a tensão do investidor americano. Na Nymex (New York Mercantile Exchange), o barril de WTI para entrega em agosto recuou 0,32%, para US$ 128,28.

Recomendação

O Ibovespa só não caiu mais porque o Morgan Stanley elevou de ''equal-weight'' (neutro) para ''overweight'' (compra) a recomendação para os papéis de ações brasileiras. Segundo o analista Jonathan Garner, responsável pela análise, o Ibovespa deve fechar 2008 com alta de 15% - sendo que, até ontem, acumulava perda de 6% no ano. Ele também acredita em crescimento médio de 25% no lucro das empresas locais na mesma comparação. A entrada de investidores estrangeiros devido à recomendação, inclusive, foi determinante para que a cotação do dólar recuasse ontem.

Aproveitamento
A Petrobras foi uma das empresas que melhor se aproveitou da mudança de recomendação para os papéis brasileiros, além de ser influenciada positivamente pela alta do preço do petróleo. Os papéis ordinários da estatal subiram 0,02%, e as preferenciais avançaram 1,05%.

Destaque

Mas o destaque positivo ficou para o setor bancário. Ações dos bancos Bradesco, Itaú, Unibanco e Banco do Brasil subiram entre 1,4% e 3,5%. O motivo para as altas das ações dos bancos, o que ocorreu durante toda a semana, é a proximidade da reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central para definir a nova taxa de juros.

Copom
''O grande destaque na semana ficará por conta da decisão do Copom na quarta-feira'', disse Elson Teles, economista-chefe da corretora Concórdia. ''Esperamos que o BC mantenha o ritmo de alta na taxa Selic em 0,50 p.p., elevando para 12,75%, mas mantendo a sinalização de que o ciclo de aperto monetário pode ser mais longo, em função da piora no cenário prospectivo para a inflação. Por outro lado, não se pode descartar a opção de aceleração do ritmo de alta para 0,75 p.p., caso o Copom se sinta muito incomodado com a piora recente das expectativas.''

Juros
A alta dos juros costuma ser ruim para o mercado acionário em geral, já que ela torna o investimento em renda fixa mais atraente. Mas essa lógica não vale para os bancos, já que os juros das operações bancárias sobem junto com a Selic - e aumentam seus lucros.

Mercado asiático
À exceção da China e de Hong Kong, as demais bolsas asiáticas fecharam baixa ontem, afetadas pelo declínio dos preços do petróleo, de 10% só esta semana, e pelos resultados piores do que o esperado do banco de investimento Merrill Lynch, o que esvaziou as esperanças de uma recuperação do setor financeiro.

Recuperação
Na China, o mercado teve um dia de recuperação, animado pelo movimento descendente na curva do preço do petróleo, que quinta-feira fechou cotado abaixo de US$ 130,00 o barril em Nova York, o que beneficiou as refinarias e as companhias aéreas. O índice Xangai Composto subiu 3,5% e fechou a 2.778,37 pontos; o Shenzhen Composto subiu 3% e encerrou a 824,68 pontos.

Cautela

A Bolsa de Tóquio fechou em queda ontem, com os investidores vendendo papéis a partir do meio da sessão para minimizar os riscos nos negócios antes da divulgação dos resultados do banco norte-americano Citigroup e do feriado no Japão na segunda-feira (dia 21). O índice Nikkei 225 caiu 0,7% e fechou a 12.803,70 pontos.

Das agências

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