Em alta

Após um início de pregão bastante negativo, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou ontem com ganhos. O mercado local acompanhou de perto o desempenho em Wall Street, inicialmente abalada pelos problemas ligados à crise do crédito imobiliário de alto risco (''subprime'') mas depois reabilitada pela forte queda no preço do petróleo.

Ganhos
O Ibovespa, principal indicador da Bolsa paulista, subiu 0,48%, aos 61.015 pontos. O giro financeiro foi de R$ 6,17 bilhões, com cerca de 273 mil negócios realizados. Já o dólar comercial fechou em baixa de 0,37%, vendido a R$ 1,587.

Preocupação
O dia começou ruim, com o mercado à espera do discurso do presidente do Fed (Federal Reserve, o BC americano), Ben Bernanke, e preocupado com os desdobramentos da crise do ''subprime''. Melhorou com a forte queda do petróleo, mas ao final do pregão voltou a cair. Esse último movimento, apesar de ter refletido aqui, não chegou a fazer o Ibovespa também fechar no vermelho.

Movimento
O índice Dow Jones fechou com queda de 0,84%, enquanto que o Nasdaq Composite avançou 0,13%. Na Nymex (New York Mercantile Exchange), o barril de petróleo WTI para entrega em agosto fechou negociado a US$ 138,74, com forte baixa de 4,44%.

Recuo
O ''porém'' da queda no preço do petróleo é que as ações das petrolíferas acabam recuando nesta situação. É o caso da Petrobras. Os papéis preferenciais da estatal recuaram 0,81%, enquanto que as ordinárias perderam 1,63%. O destaque entre as ações listadas no Ibovespa foi o desempenho da Cyrela. Os papéis ordinários da construtora subiram 8,7%.

Repercussão
O mercado repercutiu ainda o depoimento do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, no Senado. Ele disse que o aumento da taxa básica de juros terá efeitos sobre a inflação até o final do ano. ''O BC trabalha com mecanismos que têm uma certa defasagem. Medidas tomadas pelo BC nesse momento terão efeito no final do ano, início do ano que vem'', disse.

Em queda
O dólar no mercado à vista fechou em queda, cotado na mínima do dia da roda viva-voz e do sistema eletrônico da BM&FBOVESPA, a R$ 1,587 (-0,53%). No balcão, a moeda caiu 0,38%, a R$ 1,588, após bater mínima de R$ 1,587 (-0,47%), e aproximou-se ainda mais da cotação registrada 20 de janeiro de 1999 (R$ 1,5735).

Acentuado
O recuo mais acentuado dos preços no fim da sessão acompanhou a melhora pontual das bolsas em Wall Street por volta das 16 horas, em meio à maior queda em dólares do petróleo desde janeiro de 1991. A Bovespa também beneficiou-se dessa recuperação pontual dos índices acionários norte-americanos e chegou a subir até 1,58% (61.678,5 pontos), antes de encerrar com ganho de 0,48%, aos 61.015,1 pontos.

Fluxo Cambial
O fluxo cambial favorável e expectativas de novos ingressos financeiros relacionados à oferta de ações da Vale de até US$ 15 bilhões e à compra pela Anglo American por cerca de US$ 5,5 bilhões de uma empresa do grupo MMX ampararam ainda um aumento dos negócios. O giro financeiro total à vista (incluindo balcão e pronto viva-voz da BM&F) cresceu 22,55%, para cerca de US$ 3,783 bilhões (US$ 3,572 bilhões em D+2).

Sistema
Na plataforma de câmbio pronto eletrônico da BM&FBOVESPA foram realizados 34 negócios neste segundo dia de operação do novo sistema, com um volume financeiro de US$ 60,250 milhões, um pouco melhor que o anterior de US$ 3,5 milhões, informou a assessoria de imprensa da bolsa. As cotações oscilaram 0,57%, da mínima de R$ 1,5890 à máxima de R$ 1,5980.

Negócios
No entanto, segundo operadores, algumas instituições ainda não participaram das negociações na plataforma eletrônica por causa da continuidade de problemas técnicos, que dificultam o acesso desses participantes. Já na sessão viva-voz de dólar pronto da BM&FBOVESPA foram contabilizados 81 negócios, com um giro de US$ 434 milhões.

Projeções
No mercado viva-voz de dólar futuro, os seis vencimentos negociados projetaram taxas mais baixas, com um volume movimentado de US$ 15,01 bilhões (299.050 contratos). O dólar agosto08, que movimentou US$ 14,68 bilhões do total, indicou recuo de 0,27%, a R$ 1,596.

Leilão
No leilão de compra em mercado à tarde, o Banco Central pode ter adquirido cerca de US$ 15 milhões. O BC fixou a taxa de corte em R$ 1,592. Segundo um operador, sete propostas foram apresentadas com taxas declaradas que variaram de R$ 1,5914 a R$ 1,5936. O BC aceitou uma dessas propostas. Onze instituições não informaram suas ofertas na operação.

Estimativas
Em Nova York, o contrato de petróleo para agosto terminou a sessão em queda de 4,44%, ou US$ 6,44, para US$ 138,74 o barril. Trata-se do maior recuo em dólares desde janeiro de 1991 e refletiu a redução pela Opep da estimativa de demanda nos próximos meses em função do declínio do crescimento econômico e da crescente conservação de combustíveis.

Das agências

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