MERCADO FINANCEIRO
Positivo
A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) conseguiu se descolar do desempenho das Bolsas americanas e fechou em alta ontem. O desempenho firme das ações mais negociadas, chamadas de ''blue chips'', garantiram o dia positivo.
Giro
O Ibovespa, principal indicador da Bolsa paulista, apontou alta de 0,95%, aos 60.720 pontos. O giro financeiro foi de R$ 4,32 bilhões (abaixo da média diária de 2008, de R$ 6 bilhões), com cerca de 190 mil negócios realizados. Já o dólar comercial fechou vendido a R$ 1,593, com baixa de 0,49%.
Âncora
Boa parte da alta no Brasil foi ancorada na alta das ações da Vale, da Petrobras e das principais siderúrgicas, como Usiminas, CSN e Gerdau. Entre elas, o maior ganho ficou para as ações preferenciais da Vale (2,21%).
Repercussão
Outro destaque foi o desempenho das ações da petrolífera OGX. Os papéis ordinários da empresa subiram 13,93%, rebatendo as perdas de sexta-feira causados pela repercussão da Operação Toque de Midas, da Polícia Federal. A operação tinha como alvo a mineradora MMX, que pertence ao grupo EBX - também controladora da petrolífera. Se a OGX se desvinculou do problema, o mesmo não ocorreu com a mineradora, que apontou perda de 5,09% ontem.
Ambev
Entre as ações listadas no Ibovespa, a maior alta é a preferencial da Ambev (4,87%) - beneficiada pela compra da Anheuser-Busch pela controladora da empresa, a InBev.
Proteção
''Tivemos uma abertura que evitou que sofrêssemos com o mau desempenho nos Estados Unidos. Da mesma forma que às vezes uma abertura ruim nos atrapalha, pode ocorrer de uma boa abertura servir de proteção. Foi o que ocorreu hoje (ontem)'', disse Jason Vieira, economista-chefe da UpTrend Consultoria.
Reflexo
De fato, a Bovespa abriu com ganhos porque o mesmo ocorria em Wall Street. O dia começou positivo em Nova York devido ao anúncio de que o Fed (Federal Reserve, banco central americano) e o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos tomarão medidas para ajudar as firmas hipotecárias americanas Fannie Mae e Freddie Mac, ao assegurarem que concederão fundos e créditos se necessário.
Temor
A falta de liquidez das duas gigantes do setor hipotecário vinha sendo o principal motivo de temor dos investidores quanto à saúde do setor financeiro americano, debilitado pela crise do crédito ''subprime''.
Mudança
Porém, o humor mudou ao longo do dia devido às preocupações com os desempenhos corporativos do último trimestre e com o desdobramento da crise do ''subprime''. O índice Dow Jones fechou com baixa de 0,41%, enquanto que o Nasdaq Composite recuou 1,17%.
Análise
''A notícia (da ajuda às gigantes hipotecárias) animou, mas depois caiu a realidade. Não adianta ficar eufórico agora para depois os bancos apresentarem resultados ruins'', disse Vieira.
Em queda
O dólar no mercado à vista iniciou a semana em queda e fechou abaixo de R$ 1,60, cotado a R$ 1,5955 (-0,31%) na roda da BM&F e a R$ 1,594 (-0,44%) no balcão. A alta da Bovespa em meio a compras de pechinchas e a expectativa de ingressos de recursos estrangeiros no mercado para a oferta de ações da Vale de até US$ 15 bilhões, cuja reserva de ações termina hoje e o fechamento de preço amanhã, favoreceram a oscilação em baixa das cotações, segundo operadores.
Contribuição
Um fluxo cambial positivo efetivo ontem também contribuiu. Além disso, a informação de que o superávit da balança comercial de US$ 1,225 bilhões na segunda semana de julho foi o segundo melhor resultado semanal do ano foi bem recebida e estimulou algumas ofertas no mercado à vista. O giro financeiro total aumentou 24%, para cerca de US$ 3,087 bilhões (US$ 2,923 bilhões em D+2).
Cotações
No terceiro sistema de negociação de dólar à vista, a plataforma eletrônica da BM&F Bovespa, inaugurado ontem, o pronto terminou em baixa de 0,31%, a R$ 1,5955. As cotações oscilaram entre mínima de R$ 1,592 e máxima de R$ 1,60. Os negócios, no entanto, foram limitados a apenas seis operações e um giro de US$ 3,5 milhões. Segundo operadores, houve problemas técnicos no sistema, que dificultaram o acesso de bancos e corretoras credenciados.
Em alta
As bolsas européias fecharam ontem em alta. A Bolsa de Londres encerrou em alta de 0,74%, ficando com 5.300,40 pontos; a Bolsa de Paris encerrou o dia em alta de 1,02%, com 4.142,53 pontos. A Bolsa de Frankfurt subiu 0,76%, fechando com 6.200,25 pontos; a Bolsa de Amsterdã subiu 0,86%, indo para 395,35; a Bolsa de Milão teve ligeira alta de 0,15%, fechando com 21.382 pontos; e a Bolsa de Zurique subiu 0,55%, para 6.675,26 pontos.
Das agências





