Turbulência

As notícias pontuais da economia americana e o preço das commodities pautaram novamente os negócios na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Ontem, a Bovespa passou o dia todo em melhor situação do que as Bolsas americanas, mas ao final do pregão cedeu e fechou em baixa.

Temores
A alta nos preços das commodities ajudou a elevar o preço da ação de algumas das principais empresas listadas no País, mas os temores sobre o aprofundamento da crise do crédito imobiliário de alto risco (''subprime'') nos Estados Unidos não permitiu que a Bovespa se firmasse em terreno positivo.

Perdas
O Ibovespa, principal indicador da Bolsa paulista, fechou o dia com perda de 0,17%, aos 60.148 pontos. O giro financeiro foi de R$ 4,81 bilhões (abaixo da média diária de R$ 6 bilhões neste ano), com cerca de 206 mil negócios realizados. Já o dólar comercial recuou. A moeda americana fechou vendido a R$ 1,602, com baixa de 0,55%.

Positivo
A alta dos preços das commodities colaborou para que algumas das principais empresas listadas no Ibovespa, como a Petrobras e a CSN, tivessem desempenho positivo. O petróleo, por exemplo, voltou a subir e bater o recorde histórico de preço em Nova York. Na Nymex (New York Mercantile Exchange), o barril de petróleo WTI para entrega em agosto fechou com alta de 2,42%, a US$ 145,08.

Desempenho
Apesar da queda na Bovespa, o desempenho foi bem melhor do que o visto em Wall Street. Além do próprio preço do petróleo, que lá causa mais estrago devido ao efeito inflacionário da alta, o mercado acionário americano sofre com os temores de falta de liquidez nas gigantes hipotecárias Fannie Mae e Freddie Mac.

Recuo
Devido aos problemas com as empresas, que securitizam hipotecas na ordem de US$ 5 trilhões, as ações dos principais bancos dos EUA também recuaram e ajudaram a levar os principais índices para o sinal negativo. O índice Dow Jones perdeu 1,14%, enquanto o Nasdaq Composite caiu 0,83%.

Apreensão
O mercado também ficou apreensivo com a divulgação dos resultados do conglomerado industrial e de serviços americano General Eletric. O grupo teve lucro de US$ 5,07 bilhões no segundo semestre, ou US$ 0,51 por ação, com recuo de 6% sobre o mesmo período do ano passado. Foi menos do que o mercado esperava (US$ 0,54 por ação).

Alento
Já a balança comercial americana trouxe um pouco de alento ao mercado. O déficit comercial do país recuou em maio para US$ 59,8 bilhões, ante US$ 60,5 bilhões em abril. Os analistas esperavam um déficit de US$ 62,2 bilhões.

Destaque
No Brasil, outro destaque no pregão foi o desempenho ruim das ações da petrolífera OGX e da mineradora MMX, que pertencem ao grupo EBX, de Eike Batista. A MMX foi envolvida ontem na Operação Toque de Midas, da Polícia Federal, que investiga supostas irregularidades na concessão da Estrada de Ferro do Amapá à empresa. Devido ao problema, os papéis ordinários da MMX recuaram 9,78%, e as da OGX perderam 10,51%.

Efeito
O efeito da divulgação da operação foi visível no desempenho dos papéis. Até por volta das 12h, quando a operação ainda não era de conhecimento do mercado, as ações das duas empresas tinham desempenho positivo. Duas horas depois já acumulavam baixas expressivas (a OGX chegou a recuar mais de 21%), e recuperaram parte da perda até o final da sessão.

Câmbio
O dólar à vista oscilou em baixa o dia todo, mas manteve-se acima de R$ 1,60 pela nona sessão do mês, ao fechar cotado a R$ 1,6005 (-0,59%) na roda da BM&F e a R$ 1,601 (-0,56%) no balcão. A continuidade do fluxo cambial positivo e a queda externa da moeda ante o euro e o iene influenciaram o comportamento do pronto.

Insegurança
No entanto, as cotações à vista não caíram mais por ser véspera de fim de semana e os investidores estão inseguros em relação à tensão no Oriente Médio envolvendo Irã, Israel e, eventualmente, os Estados Unidos, e a disparada do petróleo e seu o impacto sobre a inflação e a economia global, afirmou um operador.

Juros futuros
O DI janeiro de 2010 (278.815 contratos) terminou na mínima de 15,09%, ante 15,15% de quinta-feira. Com 84.065 contratos negociados, o DI janeiro de 2009 ficou estável em 13,39%. O DI janeiro de 2012 (44.270 contratos) passou de 15,20% para 15,10%. Na sexta-feira da semana passada, estes contratos projetavam, respectivamente, taxas de 15,47%, 13,49% e 15,45%.

Hong KongA notícia de que o governo dos Estados Unidos estuda assumir as agências de crédito hipotecário Fannie Mae e Freddie Mac levou a maioria das Bolsas da Ásia a fechar em alta ontem. Mas as incertezas quanto à alta dos preços e a ausência de grandes compradores estrangeiros desaceleraram alguns mercados. Na Bolsa de Hong Kong, o índice Hang Seng subiu 1,7% e fechou a 22.184,55 pontos.

Das agências

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