Resistente

A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em alta ontem, resistindo à forte instabilidade nas Bolsas americanas. Boa parte da alta foi sustentada pelos ganhos das siderúrgicas, beneficiadas pela alta nos preços internacionais do aço.

Giro
O Ibovespa, principal indicador da Bolsa paulista, voltou ao patamar dos 60 mil pontos ao avançar 1,2%, aos 60.252 pontos. O giro financeiro foi R$ 6,35 bilhões - dentro da média diária do ano, o que não ocorria há uma semana -, com cerca de 255 mil negócios realizados. Já o dólar comercial fechou vendido a R$ 1,611, com alta de 0,06%.

Movimento
O mercado acionário local só operou em baixa pela manhã, quando ainda repercutia a forte baixa em Wall Street de quarta-feira. Depois passou ao terreno positivo, influenciado pela alta nas Bolsas americanas. Naquele momento, Wall Street repercutia positivamente o aumento das vendas da rede varejista Wal Mart e a proposta feita pela Dow Chemical para comprar a rival Rohm and Haas por US$ 15,3 bilhões.

Vermelho
Porém, as Bolsas americanas entraram em sinal vermelho devido à volta dos temores sobre novos desdobramentos da crise do crédito imobiliário de alto risco (''subprime''). As gigantes hipotecárias Fannie Mae e Freddie Mac foram, novamente, a fonte dos temores sobre o setor financeiro. Os boatos sobre a fraca saúde financeira das duas empresas fizeram com que as ações delas sofressem fortes perdas, e os demais bancos caíssem junto.

Acertos
Mas o mercado local não cedeu com a queda de Wall Street. O que se mostrou uma decisão acertada, já que as Bolsas americanas se recuperaram no final do dia e fecharam com leves altas. O índice Dow Jones avançou 0,73%, enquanto que o Nasdaq Composite apresentou ganho de 1,03%.

Ganhos
Como as commodities indicaram altas ontem, as ações das siderúrgicas operaram com ganhos, o que sustentou a alta do Ibovespa. São os casos, por exemplo, dos papéis da Usiminas, da CSN e Gerdau. A ação preferencial classe A da Usiminas foi a que mais subiu entre elas: 5,54%.

Pechinchas
O mercado também aproveitou o dia para comprar ''pechinchas'', ou seja, adquirir papéis de empresas que consideravam estar baixos demais. Foi o caso, entre outras, das ações preferenciais da TAM, que subiram 8,41% - a maior alta entre as listadas no Ibovespa.

Câmbio
O dólar no mercado à vista oscilou muito na sessão antes de fechar em alta de 0,12%, a R$ 1,610 no balcão. Na roda da BM&F, o pronto também terminou nessa mesma cotação, de R$ 1,610, mas caiu 0,22% porque ajustou-se à baixa da cotação no balcão na véspera, quando a BM&F Bovespa fechou pelo feriado no Estado de São Paulo.

Reflexos
As cotações refletiram nos momentos de alta - a máxima pela manhã foi de R$ 1,620 (+0,75%) no balcão - principalmente as compras de investidores estrangeiros, que saíram da Bovespa visando fazer remessas de moeda ao exterior para fechamento de balanços do segundo trimestre.

Saídas
Neste mês, o volume de saídas de recursos da Bovespa está em R$ 1,258 bilhão, com compras de R$ 6,595 bilhões e vendas de R$ 7,853 bilhões. De outro lado, o fluxo comercial positivo pesou à queda, assim como a volatilidade das bolsas e o recuo do dólar no exterior.

Vaivém
A mínima registrada à tarde foi de R$ 1,606 (-0,12%). Com esse vaivém, o giro financeiro à vista aumentou mais de seis vezes em relação ao anterior. Há duas explicações: quarta-feira foi feriado no Estado de São Paulo e o mercado de câmbio balcão só operou em outras praças do País, reduzindo expressivamente o volume de operações; e ontem houve um expressivo fluxo favorável e maior oportunidade de negócios. O volume financeiro total aumentou 517%, para cerca de US$ 3,140 bilhões (US$ 2,831 bilhões em D+2).

Alívio
O IPCA de junho abaixo das expectativas permitiu ao mercado de juros prolongar o alívio visto desde o início da semana, mas os principais vencimentos acabaram fechando longe das mínimas do dia.

Juros
Faltando pouco mais de meia hora para o término da sessão regular na BM&F, a queda dos DIs perdeu força na medida em que o petróleo acentuava a alta e as bolsas americanas desaceleravam os ganhos. Com 363.800 contratos, o DI janeiro de 2010 liderou o giro e encerrou em 15,15%, de 15,20% na terça-feira, mas chegou, na mínima, a 15,03%. O DI janeiro de 2009 (165.380 contratos) fechou em 13,39%, de 13,41% no pregão anterior e mínima de 13,32%. O DI janeiro de 2012 terminou estável em 15,20%, com mínima de 15,02%.

No exterior
No exterior, o avanço de mais de 4% nas cotações do petróleo no final da sessão pesou sobre os mercados. O barril da commodity para agosto disparou 4,12%, para US$ 141,65, na Nymex, reagindo às ameaças de mais violência na Nigéria e às previsões de demanda maior pela commodity feitas pela Agência Internacional de Energia (AIE).

Das agências

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