Incertezas

Nestes tempos de muita incerteza e volatilidade, a recuperação das bolsas se sustenta numa linha muito tênue, que pode ser rompida a qualquer movimento mais brusco de qualquer um dos agentes do mercado. E, ontem, a ruptura foi causada por notícias relacionadas às financiadoras de hipotecas norte-americanas. Depois de uma abertura em alta e firme, a Bovespa cedeu aos apelos baixistas de Wall Street e entrou no período da tarde em terreno negativo, assim se mantendo até o fechamento.

Perdas
Depois de atingir 2,41% de alta na máxima do dia, aos 60.795 pontos, a Bovespa caiu até 58.731 pontos, na mínima (-1,07%), para então reduzir as perdas a 0,47% no fechamento, aos 59.088,2 pontos. No mês, acumula perdas de 9,12% e, no ano, de 7,51%. O volume financeiro negociado ontem totalizou R$ 4,596 bilhões.

Na Europa
Na Europa, as bolsas subiram, influenciadas pelas ações das companhias de petróleo. Os papéis avançaram com a elevação da meta de preço para o petróleo pelo Deutsche Bank a US$ 120,00 o barril para 2008 e 2009, da previsão anterior de US$ 96,00 o barril e US$ 102,5 o barril, respectivamente. O Deutsche Bank também elevou sua meta de preço para os papéis da BP e da Royal Dutch Shell.

Wall Street
Em Wall Street, o Dow Jones encerrou em baixa de 0,50%, aos 11.232,0 pontos, o S&P caiu 0,84% e o Nasdaq, 0,09%. A sessão foi de muito sobe-e-desce. Pela manhã, a queda do petróleo e a valorização das ações da General Motors ajudaram os índices acionários a abrirem a semana em alta. O The Wall Street Journal informou que a GM se prepara para cortar mais milhares de empregos e considera se deve vender ou fechar mais unidades, segundo pessoas próximas ao assunto. Os papéis das montadoras subiram.

Trégua
O petróleo, que deu trégua ontem, fechou em queda de 2,70% no contrato para agosto negociado na Nymex, a US$ 141,37, refletindo a notícia de um possível entendimento entre o Irã e o Ocidente sobre o programa nuclear do país do Oriente Médio.

Ensaio
Aqui, Petrobras até ensaiou uma elevação no período da manhã, mas com a inversão de rumo no início da tarde, as ações passaram a cair e não mais retornaram ao patamar positivo. Além da venda por parte principalmente de estrangeiros, as ações ainda repercutiram as declarações do ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, de que o governo não cogita um novo reajuste no preço da gasolina.

Altas
As maiores altas do Ibovespa ontem foram Usiminas ON (+5,37%), units da ALL (+4,88%), Embraer ON (+4,77%) e as maiores quedas, Duratex PN (-5,09%), Telesp PN (-4,71%) e TIM Par ON (-4,05%).

Câmbio
O dólar no mercado à vista acompanhou parcialmente a piora dos mercados norte-americanos e da Bovespa ontem à tarde e reduziu a queda no fechamento. Com um fluxo cambial positivo, o pronto terminou em baixa, mas acima da marca de R$ 1,60 pela quinta sessão consecutiva deste mês de julho, cotado a R$ 1,601 (-0,44%) na roda da BM&F e no balcão.

Previsão
''Houve vendas de exportadores e alguns ingressos financeiros, sendo que uma parte deles pode ter sido antecipação de uma entrada esperada de cerca de US$ 3 bilhões da Vale'', disse um operador. Ainda assim, novos ingressos são dados como certo nas próximas sessões, o que pode justificar a manutenção da queda do pronto pela segunda sessão consecutiva. O giro financeiro total à vista somou cerca de US$ 1,913 bilhão (US$ 1.762 bilhão em D+2).

Evolução
Após iniciar a sessão na máxima do balcão, a R$ 1,609 (+0,06%), em meio à cautela com a importante agenda semanal e o início, hoje, da temporada de balanços dos EUA, o dólar à vista devolveu os ganhos e rompeu momentaneamente a marca de R$ 1,60, indo até a mínima de R$ 1,599 (-0,56%) ainda na primeira parte dos negócios.

Reação
Nesse momento, os investidores reagiram à queda do petróleo até a mínima intraday de US$ 139,50 o barril e às altas das bolsas norte-americanas e do dólar ante o euro. Em Nova York, o Índice Dow Jones subiu até 0,98% (11.399,1 pontos) no melhor momento; enquanto o euro caiu 0,40%, a US$ 1,5611.

Contaminado

No entanto, com a mudança de direção para queda dos índices acionários em Nova York no início da tarde, por causa de vendas de ações do setor financeiro, o dólar foi contaminado e passou a cair ante o euro e também reduziu as perdas ante o real.

Proteção
Boa parte desses investidores lideraram um forte movimento de busca de proteção nos Treasuries, projetando as taxas em baixa. Às 17h47, o juro do T-Note 10 anos recuava 1,75%, a 3,90825%; e a taxa do T-Bond 30 anos perdia 0,99%, a 4,4889%. Nesse horário, o euro subia 0,34%, a US$ 1,5738.

Das agências

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