MERCADO FINANCEIRO
Amargo
A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) amargou ontem sua terceira queda consecutiva. Diante da alta recorde do petróleo e do feriado do Dia da Independência nos Estados Unidos, os investidores se retraíram, fazendo o mercado acionário local recuar.
Em baixa
O Ibovespa, principal indicador da Bolsa paulista, voltou a ficar abaixo dos 60 mil pontos, o que não ocorria desde 20 de março. Fechou a 59.273 pontos, com perda de 3%. Já o dólar comercial fechou vendido a R$ 1,611, em alta de 0,49%.
Giro
Ontem, o giro financeiro na Bolsa paulista foi de R$ 5 bilhões, com cerca de 213 mil negócios realizados. O volume ficou abaixo da média diária para a Bovespa neste ano, que está em cerca de R$ 6 bilhões.
Culpa
Boa parte da ''culpa'' pelo baixo movimento na Bovespa foi a sessão reduzida nas Bolsas americanas ontem por conta do feriado do Dia da Independência - que é comemorado hoje, o que fará com que Wall Street novamente não tenha atividade.
Avaliação
''Nestas condições, não é bom ficar comprando - com ações em carteira. O investidor vende para decidir depois, na segunda-feira, o que fará com seus recursos'', disse Kelly Trentin, analista da corretora SLW. As Bolsas americanas fecharam às 14h (horário de Brasília) sem uma direção definida. Enquanto o índice Dow Jones apontou alta de 0,65%, o Nasdaq Composite recuou 0,27%.
Petróleo
Se os investidores já tinham motivos para se retraírem devido ao feriado, passaram a ter certeza ao verem o preço do petróleo atingir novo recorde. Na Nymex (New York Mercantile Exchange), o barril de petróleo leve WTI para entrega em agosto fechou em alta, a US$ 145,29 - 1,2% a mais do que quarta-feira. Trata-se do novo recorde de fechamento. E nos primeiros minutos de negociação chegou a ficar em US$ 145,85, o novo recorde histórico de preços.
Baliza
Ao contrário da Nyse (Bolsa de Valores de Nova York) e da Nasdaq, onde são negociadas as ações em Nova York, a Nymex cumpriu horário normal ontem. E foi justamente após o fechamento das Bolsas que o preço do petróleo subiu. Sem o petróleo para dar rumo, as Bolsas americanas se balizaram pelos dados sobre o mercado de trabalho local. Apesar dos dados virem ruins, ficaram dentro da expectativa dos analistas.
Expectativa
Para hoje, espera-se um mercado ainda mais fraco do que foi ontem. ''A tendência é que suba, mas serão poucos negócios. A maioria só vai comprar logo cedo e realizar lucro em seguida'', disse Kelly, da SLW.
Retiradas
A Bovespa fechou o mês de junho com a saída de R$ 7,415 bilhões em capital externo, resultado negativo recorde. Os investidores estrangeiros compraram R$ 45,557 bilhões em ações no mês passado, mas venderam outros R$ 52,972 bilhões. Junho foi um mês de fortes perdas para o Ibovespa, principal índice da Bolsa paulista. O indicador caiu 10,43%, reduzindo os ganhos do acumulados no ano até o último dia 30 para apenas 1,77%. Em 2008, o saldo negativo da Bovespa em capital externo chega a R$ 6,656 bilhões.
Câmbio
A saída de investidores estrangeiros da Bovespa em meio à recuperação parcial das perdas do dólar ante o euro deu suporte ao avanço das cotações da moeda norte-americana também em relação ao real. Pelo segundo dia seguido, o dólar à vista se manteve acima do patamar de R$ 1,60. E as cotações renovaram as máximas na última hora da sessão, acompanhando simultaneamente os níveis mínimos registrados pelo Ibovespa até às 16h30.
Demanda
Com a maior demanda de moeda por estrangeiros com o objetivo de fazer remessas ao exterior, o giro financeiro total à vista cresceu 142% em relação ao anterior, para cerca de US$ 3,591 bilhões. No fechamento, o dólar à vista subiu 0,44%, a R$ 1,610 na roda da BM&F e 0,50%, a R$ 1,611 no balcão. A Bolsa paulista caiu 3,00%, aos 59.273,4 pontos - menor patamar deste 20 de março (58.987,3 pontos). Em Nova York, às 17h36, o euro perdia 1,14%, a US$ 1,5697; enquanto o dólar subia 0,64%, a 106,76 ienes.
Observações
''Houve demanda por moeda por parte de estrangeiros para remessas ao exterior, muito mais do que para operações de arbitragem no mercado futuro'', observou um operador. Essa movimentação praticamente dá continuidade à fuga desses players do mercado local de ações registrada em junho, quando houve saída recorde de R$ 7,4 BI de capital externo da Bovespa.
Recomposição
Além disso, o mercado recompôs posições compradas em dólar estimulado pela reabilitação da moeda no exterior, que foi amparada em parte pelo sentimento dos investidores de que os juros nos EUA não devem subir no curto prazo, por causa da situação ruim da economia norte-americana refletida em novos dados divulgados.
Das agências





