MERCADO FINANCEIRO
De volta
O pessimismo do investidor com a economia americana e a disparada do barril de petróleo rumo aos US$ 140 afetaram as Bolsas de Valores da Europa ao continente americano. Ontem, no Brasil, o preço da moeda americana chegou a cair até R$ 1,58 pela manhã, mas o nervosismo da cena externa favoreceu para que retornasse ao patamar de R$ 1,60.
Alta
O dólar comercial foi trocado por R$ 1,602 na venda, em acréscimo de 0,62% sobre a taxa final de ontem. Nas casas de câmbio paulistas, o dólar turismo foi mantido em R$ 1,710 (cotação de venda). O Banco Central entrou no mercado de câmbio às 12h14, comprando dólares por R$ 1,5965 (taxa de corte). Até quarta-feira, o nível das reservas internacionais era de US$ 199,008 bilhões.
Escalada
Perto da abertura dos negócios o preço da moeda americana chegou a R$ 1,588 (a menor cotação do dia), mas começou sua escalada com o pessimismo dos investidores e a baixa das Bolsas de Valores. A fuga de investidores estrangeiros é quantificada por um saldo negativo de R$ 7 bilhões somente neste mês.
Temores
Analistas lembram que a disparada dos preços do petróleo aumenta o temor pela inflação e o consequente aperto monetário (juros primários mais elevados) em nível global. Quarta-feira, o Federal Reserve (banco central americano) decidiu manter a taxa básica de juros dos EUA em 2% ao ano, mas sinalizou que está bastante preocupado com a alta do custo de vida, influenciada pelos preços de energia e de outras commodities.
Reforço
Para muitos analistas, o ''aviso'' do Fed serviu para reforçar as apostas de que a autoridade monetária americana pode elevar os juros básicos americanos em agosto, mês de sua próxima reunião.
Reação
''O mercado de câmbio reagiu à alta do petróleo, ao dia ruim das Bolsas de Valores, mas tem influência também da ''guerra pela Ptax'. É final de mês e algumas tesourarias de bancos já começaram a agir para influenciar a taxa'', comenta Luiz Carlos Baldan, diretor da corretora Fourtrade.
Disputa
Tipicamente, no final do mês, ocorre uma disputa entre agentes financeiros para influenciar a formação da Ptax, a taxa média de câmbio, que serve para a liquidação dos contratos futuros de dólar na BM&F (Bolsa de Mercadorias & Futuros). Os chamados ''vendidos'' ganham quando o dólar cai, e os ''comprados'', quando a taxa sobe.
Juros futuros
Na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), o mercado futuro de juros elevou mais uma vez as taxas projetadas para 2009, 2010 e 2011. No contrato de janeiro de 2009, a taxa projetada avançou de 13,22% ao ano para 13,30%; no contrato de janeiro de 2010, a taxa projetada subiu de 14,80% para 14,98%; e no contrato de janeiro de 2011, a taxa projetada passou de 14,94% para 15,15%.
À beira
A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) anulou a forte alta de quarta-feira e ficou à beira de zerar os ganhos acumulados neste ano. Num momento de volatilidade e maior aversão ao risco, os investidores liquidaram os papéis que subiram bem quarta-feira para embolsar ganhos ontem.
Termômetro
O Ibovespa, termômetro dos negócios, desvalorizou 2,89% no fechamento, para os 63.946 pontos. O giro financeiro foi de R$ 6,71 bilhões. No mês, a Bolsa soma perdas de 11,91%, mas ainda registra um leve ganho no ano: 0,09%.
Instabilidade
''Não vi qualquer indicador mais grave que tenha disparado essa queda. Foi uma realização técnica, de curto prazo. O mercado está muito instável e, quando as ações sobem um pouco, todo mundo já aproveita para vender e colocar no bolso'', avaliou André Segadilha, gerente de análise da Prosper Corretora.
No mundo
Na Europa, as principais Bolsas de Valores fecharam em terreno negativo, a exemplo de Londres (baixa de 2,42%) e Frankfurt (recuo de 2,39%). Nos EUA, a Bolsa de Nova York recuou 3,03%, uma variação vista poucas vezes em Wall Street. O mercado americano foi afetado por mais um ''downgrade'' de empresas do setor financeiro: o banco de investimentos Goldman Sachs rebaixou sua recomendação para grandes corretoras de valores americanas, citando a perspectiva de que a retomada do setor financeiro, afetada pela crise dos ''subprime'', ''vai levar mais tempo que o previsto''.
Com razão
Analistas ressaltam que o investidor tem razões de sobra para ficar nervoso: ainda há muito pessimismo sobre os rumos da economia americana, com o acúmulo de notícias negativas sobre o setor financeiro; o barril de petróleo ruma para a casa dos US$ 140; e por conta da alta das commodities, analistas já temem um aperto monetário (juros básicos mais elevados) em vários países, inclusive nos EUA.
Estresse
O front externo foi mais uma vez fonte de estresse: o governo dos EUA anunciou a revisão final do PIB (Produto Interno Bruto) do primeiro trimestre, que teve crescimento de 1%, em linha com as expectativas do setor financeiro. O PCE, o índice de preços mais influente desse país, teve alta de 3,6%. O núcleo do PCE (que exclui preços de energia e alimentos) teve variação de 2,3%.
Das agências





